16 maio 2008



Novas gravações comprometem senador de GO Marconi Perillo
Procurador-Geral da República investiga se houve tráfico de influência em conversa telefônica entre Marconi Perillo e desembargadora, gravada pela Polícia Federal. ÉPOCA teve acesso exclusivo à transcrição do diálogo


DESEMBARGADORA: Alô.

MARCONI: DESEMBARGADORA tudo bem?

MARCONI: Ohh, ta entrando hoje uma rescisória com pedido de liminar, contra a PREFEITURA DE ITUMBIARA.

DESEMBARGADORA: Contra a prefeitura?

MARCONI: É, então ta entrando, e parece que foi distribuído para Vossa Excelência.

DESEMBARGADORA: Que Vossa Excelência o que? O problema é o seguinte, o interesse é conceder ou negar a liminar? Contra né?

MARCONI: Negar. Negar.

DESEMBARGADORA: O problema é que eu tô de férias em janeiro, se foi distribuído hoje, eu vou ligar para o assessor, pois eles estão trabalhando hoje e amanhã.

MARCONI: Já foi distribuído.

DESEMBARGADORA: Pois é, então pegar e negar, porque se não vai pro presidente

MARCONI: A senhora quer anotar o número do processo.

DESEMBARGADORA: Quero.Eu vou ser presidente dessa Câmara, a Segunda Seção Cívil. MARCONI: Já ta na mão da senhora, já ta distribuído.

DESEMBARGADORA: Pois é, é da Segunda Seção Cível, ou é do Órgão Especial.

MARCONI: Órgão Especial ou Seção Cível? (parece estar perguntando para outra pessoa) MARCONI: Seção Civil, viu.

DESEMBARGADORA: Ah tá, é melhor, pois é, porque eu que vou ser presidente, mas como eu tô em festa de férias, aí fica sendo o DESEMBARGADOR FELIPE, e aí vai pra ele despachar então.

MARCONI: A senhora tem que resolver hoje.

DESEMBARGADORA: É melhor, é

.MARCONI: A senhora quer anotar o número?"


A proximidade entre a desembargadora e o hoje senador Marconi Perillo vai além do fato dele tê-la nomeado para o cargo. Beatriz Figueiredo é casada com o padrinho de batismo de Perillo, Marcos Laveran, que também foi flagrado nas escutas telefônicas. Antes de passar o telefone para a desembargadora, o padrinho ouviu uma prévia do pedido. Laveran trabalhou como funcionário do gabinete da mulher até a resolução que pôs fim ao nepotismo nas repartições do Judiciário. Na transcrição, o nome dele foi reproduzido pelos agentes federais como Laverã.
"DR. MARCOS LAVERÃ: Tá na mão de quem?

MARCONI: Tá na mão aí.

DR MARCOS LAVERÃ: Oi?

MARCONI: Ta na mão, ta na sua mão aí. Ta nas mãos da desembargadora.

DR MARCOS LAVERÃ: Tá bom.

MARCONI: Você quer anotar o número?

DR MARCOS LAVERÃ: Quero, você quer falar direto com ela ou não?

MARCONI: Ela ta aí perto do Sr?

DR MARCOS LAVERÃ: Tá.

MARCONI: Não eu prefiro... aé, eu falo com ela então. (parece estar meio contrariado)

DR MARCOS LAVERÃ: Não, você que manda.

MARCONI: Não, é porque eu não queria... bom, tudo bem eu falo.

DR MARCOS LAVERÃ: Sabe o que que é? MARCONI: Ahhh.

DR MARCOS LAVERÃ: Porque hoje não deve ter nada, por que ela vai viajar daqui a pouquinho. MARCONI: Foi distribuído hoje uma liminar para ela.

DR MARCOS LAVERÃ: Não, então tem que conversar com ela aqui mesmo.

MARCONI: Deixa eu falar com ela então

DR MARCOS LAVERÃ: Por que ela vai viajar daqui a pouco.

MARCONI: Ela vai para onde chefe?

DR MARCOS LAVERÃ: Ela vai pra Aparecida.

MARCONI: Ah então tá bom.
(...) conversa sem interesse para investigação
DR MARCOS LAVERÃ: Eu acho que é melhor conversar com ela agora, porque aí qualquer coisa que precisar ela passa pra mim, eu to aqui junto, aqui."

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