05 maio 2008

NA COLÔMBIA PODE?
No ano passado, durante a campanha do plebiscito na Venezuela, a mídia acusava o presidente Hugo Chávez de querer se perpetuar no poder. O resultado do plebiscito de dezembro se conhece. De alguma forma, por tanta insistência dos veículos de comunicação, o tema concorrer a um terceiro mandato ou mais do que isso ficou associado à ditadura. Mas aí, como o presidente Álvaro Uribe começou a se interessar em concorrer a um terceiro mandato, tal possibilidade passou a ser analisada de uma forma diversa de antes. Claro, Uribe e Chávez são duas figuras políticas totalmente distintas. A prática de Uribe demonstra que ele é um aliado incondicional de Washington, na base do que é bom para os Estados Unidos é bom para a Colômbia. Já Chávez é o capeta do eixo do mal... E aqui no Brasil, muitos analistas e políticos acusaram o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva de estar pensando num terceiro mandato. O deputado Devanir Ribeiro, do PT-SP, passou a defender a hipótese de Lula concorrer a uma nova eleição presidencial. A tese foi rejeitada pelo próprio Presidente da República e outros próceres do PT. FHC, o presidente que conseguiu a aprovação pelo Congresso da reeleição, pode-se imaginar de que forma, entrou no circuito, dizendo que Lula se desmoralizaria se apoiasse a proposta. Em matéria de desmoralização, Cardoso não é dos mais indicados para falar. Mas como no mundo político a cara de pau é uma tônica e muitas espécies do gênero FHC nem cobrados são, o ex-presidente é a todo instante chamado para dar opiniões. Mais uma vez emitiu a sua. Mas aí apareceu uma pesquisa mostrando que 50,4% da população é favorável a um terceiro mandato para o atual presidente. Curioso, como de alguma forma um terceiro mandato imaginava-se associado à ditadura, como tentou incutir a mídia conservadora, é necessário interpretar este resultado. A campanha midiática não surtiu o efeito desejado e então a população não se importa com os “alertas” da mídia, que não estaria com a bola toda, como afirmam muitos analistas? Ou então, o povo já se convenceu que não há alternativas, pelo menos neste momento, a Lula. É algo a ser aprofundado. Então surge o complicador Álvaro Uribe. Se o dito cujo conseguir o seu objetivo, já que, segundo as pesquisas, tem o apoio de mais de 80% dos colombianos, como o fato será interpretado? Aí pode? A propósito de Colômbia, três especialistas das Nações Unidas em matéria de direitos humanos alertaram o governo Uribe no sentido de melhorar a segurança de dirigentes sindicais e líderes da sociedade civil. É que neste ano de 2008 já foram assassinados 21 sindicalistas e líderes da sociedade civil. Além disso, dezenas de colombianos foram ameaçados de morte. Uribe, no entanto, demonstra na prática que não está preocupado com o tema. Ele só pensa naquilo e em contentar o aliado incondicional, o governo dos Estados Unidos. Deve estar muito preocupado, da mesma forma que os partidários de Bush e de John Mccain, com o fato de o Governador do Novo México, Bill Richardson, do Partido Democrata, ter se encontrado com Chávez em Caracas e dito que o presidente venezuelano está disposto a ajudar na libertação de três reféns estadunidenses em poder das Farc. Richardson se inscreve no rol dos políticos democratas que acreditam na possibilidade de o diálogo ser de maior utilidade do que a força bruta, estratégia esta utilizada por Uribe, mas sem resultados concretos. E diálogo é o que menos querem os republicanos, agora apostando todas as suas fichas em McCain. PS. Em relação ao artigo da semana passada (A Suécia não é mais aquela), alguém observou que faltou dizer quem mandou matar o premier Olof Palme. Até hoje o fato não está devidamente esclarecido. Palme era um defensor da paz e do diálogo. Apostava numa distensão com a então União Soviética. Pode estar aí a explicação dos tiros pelas costas que levou depois de sair de uma sessão de cinema no centro de Stocolomo. Mas há quem diga que foi um “crime comum”.
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