01 maio 2008

Atos homenageiam os que resistiram a ditadura
Por José Dirceu
Considero imperdível para quem está em São Paulo, a programação estabelecida para este 1º de Maio (amanhã), a se desenvolver no antigo DOPS paulista. De triste memória para muitos dos que enfrentaram aquele período, a antiga carceragem política de São Paulo será palco neste Dia do Trabalho de uma série de atos, entre os quais destaco o descerramento da placa que dá nova denominação ao local - passa a chamar-se Memorial da Resistência - e a abertura da exposição fotográfica “Direito à Memória e à Verdade – a Ditadura no Brasil: 1964-1985”.Representantes do Grupo Tortura Nunca Mais, do Condepe, da Comissão de Familiares de Desaparecidos Políticos e do Fórum Permanente dos Ex-Presos e Perseguidos Políticos do Estado de São Paulo acompanharão a programação que também deverá ter, em parte dela, a presença do governador José Serra e do ministro da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, Paulo Vanucchi. As cerimônias no local, amanhã, começam às 10 hs. A antiga carceragem foi o local onde ficaram presos por várias semanas o então presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo, Luiz Inácio Lula da Silva e seus 13 companheiros, líderes da grande greve da categoria em 1980.
O Memorial da Resistência, novo nome do espaço do antigo DOPS recebe a denominação reformado graças aos esforços de várias entidades, entre as quais o Fórum Permanente dos Ex-Presos e Perseguidos Políticos. Elas mantiveram uma série de reuniões com integrantes do governo estadual e conseguiram a recuperação da área que estava descaracterizada. "Rasparam as paredes e portas, onde estavam as inscrições dos presos que ali ficaram em mais de cinco décadas de prisão política de São Paulo e as celas passaram a ser apenas um espaço limpo e bem pintado", conta a coordenadora do Fórum Suzana Tejera Lisboa. O "Memorial da Resistência" reabre com aqueles traços originais restaurados. Depois desse 1º de maio o Memorial da Resistência passa a funcionar como um centro de palestras e debates com a sociedade civil. Ali será desenvolvida uma vasta agenda para estudantes conhecerem a História dos que resistiram a ditadura militar. Outro ato deste 1º de maio, no antigo DOPS - na parte agora chamada Estação Pinacoteca - é a abertura da exposição fotográfica “Direito à Memória e à Verdade – a Ditadura no Brasil: 1964-1985”.Criada pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, a mostra comemora os 27 anos da promulgação da Lei da Anistia no Brasil. Os que a visitarem estarão compartilhando do resgate da memória dos que durante 21 anos lutaram contra a ditadura. São imagens lendárias como as de tanques em frente ao Congresso Nacional, de atos movimento do estudantil naquele período e fotos relacionadas à morte de Carlos Mariguela.
A mostra vem até os comícios das Diretas Já, a maior campanha cívica da história do país, realizada pela volta do voto direto para presidente da República. A exposição, iniciada em 2006, em Brasília, já passou pelo Rio, Curitiba e seguirá para as principais capitais - Recife, Belo Horizonte e Porto Alegre, até o final deste ano. Recomendo aos leitores que participem deste 1º de Maio e visitem a exposição na Estação Pinacoteca, Largo General Osório, 66, no bairro paulistano da Luz.