Analistas esperam a duplicação dos investimentos
Grau de investimento deve render ao menos US$ 30 bilhões ao país
Osmar Freitas Jr.
Nova York
A elevação do Brasil a grau de investimento BBB-, na classificação da empresa Standard & Poor’s , leva os analistas a creditarem que os investimentos externos no país devem duplicar. Pelo menos. No ano passado, o país recebeu US$ 34,616 bilhões, em comparação com os US$ 13,6 bilhões do período anterior. Agora, especialistas prevêem que o número pode saltar para mais de US$ 60 bilhões nos próximos 12 meses. Também no ano passado, toda a América Latina captou US$ 80 bilhões de investidores estrangeiros.
– A euforia dos brasileiros é merecida. Os investidores americanos receberam o sinal verde para investir. Há muita gente que só faz isso em países com grau de investimento. A partir de agora, esperamos um aumento de procura pelas ações do Brasil – diz Karan Madan, chefe do setor de Américas da Merrill Lynch.
As analises de performances globais anteriores reforça a aritmética. – Toda a economia da América Latina recebeu no ano passado US$ 80,96 bilhões em investimentos externos. Estes números, lembre-se, foram conseguidos muito em parte graças a países que já tinham grau de investimento, como Chile, México e Peru – diz Anoop Singh, diretor do Fundo Monetário Internacional para o Hemisfério Ocidental. – Ao que tudo indica, esta quantia destinada ao continente vai aumentar ainda mais.
As apostas dos fundos de investimentos e gerenciamento de capitais dos Estados Unidos no futuro brasileiro, porém, mantêm confiança e esperanças de bons negócios. Em média, os analistas consultados pelo JB – que vão do Deutsche Bank, JP Morgan e Goldman Sachs, até fundos de investimentos como Deltec Asset Managemment e a Emerging Markets Managemment – acreditam que o país pode conseguir dobrar a captação do ano de 2007.
– Isso significaria um record para o país, com algo em torno de US$ 60 bilhões de investimentos", diz Joseph Stanley, analista financeiro da Prudential Financial, que tem US$ 8 bilhões destinados as mercados emergentes.
– A decolagem dos investimentos terá princípio lento. Que ninguém espere um boom instantâneo. A elevação do Brasil a grau de investimento é um ponto de partida para novos investimentos, que virão a médio e longo prazos – diz Felipe Illanes, analista da Merril Lynch.
Foi apostando neste cenário que a empresa contratou, desde março, mais 10 especialistas para o Brasil.
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