É engraçado ler no jornal O Globo uma crítica ao sistema de anistia e reparação financeira para as pessoas que foram perseguidas na época do regime militar. No senado o senador José Agripino Maia fez até discurso. Todos falam em abuso e privilégio. Quem são os privilegiados? Um jornalista que perdeu o emprego e ficou preso simplesmente por ter idéias divergentes da ditadura? Ou um político como o senador José Agripino Maia cuja família foi contemplada com concessões de televisão como reconhecimento pelos bons serviços prestados? Ou a rede globo que teve muitos privilégios dos generais da ditadura por ser uma peça essencial na manutenção do esquema? Quanto custa cada uma das concessões que a Globo recebeu dos militares? MILHÕES, MILHÕES E MILHÕES. Esta é VERDADEIRA bolsa ditadura. Observe alguns contemplados com esta bolsa e que continuam usufruindo dela: Grupo Abril - pelo serviço prestado recebeu as concessões que hoje formam a TVA e a MTv Família de Antônio Carlos Magalhães Políticos ligados ao senador Marco Maciel Além destes existem muitos outros. Todos estão milionários, cada vez mais ricos e influentes. Leia abaixo uma interessante notícia. Perseguição política Anistia: Ziraldo e Jaguar vão receber indenização e pensão mensal Indenizados com outros 18 jornalistas por perseguição política, os cartunistas Jaguar e Ziraldo receberam nesta sexta-feira direito a indenizações de R$ 1.027.383,29 e R$ 1.000.253,24 respectivamente, além de prestação mensal permanente e contínua de R$ 4.375,88 cada um. Foram os valores mais altos alcançados nas contas da dívida retroativa calculada pela Comissão de Anistia, que realizou durante toda a tarde uma sessão de julgamento no auditório da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no Rio, como parte do programa Caravana da Anistia. Já para Ziraldo - que disse não ter contratado advogado nem anexado qualquer documento ao pedido de indenização, aberto em 1990 pelo Sindicato dos Jornalistas - é boa a sensação de chegar aos 75 anos aprovado por seus pares. Entre os anistiados estão também Sinval de Itacarambi Leão, diretor da "Revista Imprensa" (que receberá R$ 522.438, além de pensão de R$ 4.335) e Ricardo Moraes Monteiro, chefe da assessoria de imprensa do ministro da Fazenda, Guido Mantega, indenizado em R$ 590.014,40, mais R$ 4.375,88 mensalmente. - Eu não me digo perseguido pela ditadura, eu fui. Estive preso e fui torturado no DOI-Codi. E em relação à indenização, tem uma lei e eu a solicitei. Acho que a indenização não é a questão central. Minha família sofreu conseqüências sérias. Eu tinha um irmão arquiteto que não agüentou a parada e se suicidou - disse Ricardo. - Tive uma carreira profissional e isso é outra questão. Eu me recompus. A cerimônia na ABI - que contou com a presença do ministro da Justiça, Tarso Genro - foi marcada por momentos de muita emoção. Ao relatar as histórias, alguns membros da comissão choraram. Parentes dos jornalistas anistiados post mortem também estavam comovidos. Muitos contaram as dificuldades pelas quais passaram nos anos da ditadura. - Talvez (no futuro) tenhamos uma postura tão hegemonicamente democrática que os jornais tenham vergonha de dizer que anistia é Bolsa Ditadura. O presidente da Comissão de Anistia, Paulo Abraão, também defendeu-se das críticas: - Não podem fatos isolados, de uma indenização de jornalista concedida em patamares elevados, implicar em prejuízo a todos os demais. Ao contrário do que muitos acreditam, a média das prestações mensais da comissão é R$ 758,60. Altas indenizações sempre foram fatos isolados no universo de 37 mil processos já apreciados. (Trechos de uma matéria do jornal O Globo)
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