22 abril 2008

Corrida presidencial esfacela PSDB
Por José Dirceu
Não há outra conclusão a tirar dos últimos acontecimentos políticos em SP e em MG: agravou-se, e muito, a divisão no PSDB com essa ostensiva movimentação do governador de Minas Gerais, Aécio Neves, no sentido de não deixar dúvidas de que será candidato de qualquer jeito a presidente da República em 2010. Como o governador de São Paulo, José Serra, propôs ao ex-governador Orestes Quércia a única vaga em disputa para o Senado em 2010, em troca do apoio do PMDB à reeleição do prefeito paulistano Gilberto Kassab, do DEM, o ex-governador Geraldo Alckmin, também tucano, não deixou por menos: ofereceu a vaga de vice-prefeito em sua chapa ao PSB. Alckmin tratou dessa oferta com o próprio deputado Ciro Gomes (PSB-CE), desafeto quase pessoal do governador paulista, mas exatamente para mostrar a este sua disposição de envolver o PSB numa aliança paulistana e dar força a outro presidenciável na terra de Serra. Em MG Aécio Neves continua a caminhada para consolidar sua candidatura a Presidente. Até deixa claro que pode ser candidato a senador, mas não a vice de Serra, tese defendida por FHC. Na prática, há semanas Aécio corteja o PMDB e dá sinais de que aceita ser candidato por esse partido em 2010.
O problema é que, para filiar-se ao PMDB, terá que renunciar ao governo de MG em outubro de 2009, dado o prazo de um ano de filiação partidária exigido pela legislação eleitoral. E ficaria, ainda, sujeito a uma decisão contraria do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que poderá considerar a transferência uma violação da fidelidade partidária já que Aécio foi eleito pelo PSDB.