Cartunistas Ziraldo e Jaguar receberão R$ 1 milhão de indenização por perseguição sofrida durante a ditadura
A Comissão de Anistia do Ministério da Justiça deciciu conceder indenizações a 20 jornalistas perseguidos por forças de repressão no Brasil, entre eles os cartunistas Ziraldo e Jaguar. A primeira sessão especial de julgamento de pedidos de indenização de perseguidos políticos pelo critério de categorias específicas foi realizada nesta sexta-feira (4), na sede da Associação Brasileira de Imprensa, no Rio de Janeiro.A Comissão de Anistia julgou e deferiu todos os 20 processos de jornalistas que estavam na pauta do dia, requerendo reparação e indenização pelos traumas que sofreram como vítimas da ditadura militar. As maiores indenizações foram concedidas aos cartunistas Jaguar (R$ 1.027. 383, 29) e Ziraldo (R$ 1.253.000,24). Sérgio de Magalhães Gomes Jaguaribe, o cartunista Jaguar, trabalhou como desenhista no jornal Última Hora. Juntamente com Ziraldo, foi um dos fundadores do Pasquim, e figurou nos arquivos da ditadura militar como "comunista, suspeito de exercer atividades esquerdistas". Ziraldo Alves Pinto trabalhou em diversos veículos de imprensa que foram empastelados e fechados pelo governo militar, entre eles O Sol. Atuou também nas revistas O Cruzeiro e Visão, até que em julho de 1969 fundou o Pasquim, censurado a partir da sua 25ª edição. O jornal sofreu dura perseguição da ditadura, a ponto de as bancas em que era distribuído terem sido incendiadas. A cerimônia foi presidida pelo ministro da Justiça, tarso Genro. A viúva do jornalista David Capistrano, Maria Augusta de Oliveira, subiu ao palco da ABI para receber homenagem. Seu marido era um famoso jornalista e militante comunista, que desapareceu em 1974.Também foi homenageado o jornalista Vladimir Herzog, morto em 1975 por agentes do DOI-Codi (Destacamento de Operações de Informações-Centro de Operações de Defesa Interna), órgão repressivo durante o regime militar. Na solenidade, o filho de Herzog, Ivo, tentou imaginar como estaria hoje o pai, que foi assassinado aos 38 anos. "Muitas vezes passa pelo meu pensamento: o que meu pai estaria fazendo se ainda estivesse entre nós? Seria ministro? Diretor de jornal? Talvez um grande cineasta. Estaria com dengue? Só sei que seriam duas coisas: meu pai e um homem externando suas indignações contra o que ferisse seus princípios, sua ética", disse Ivo Herzog.Segundo o ministro da Justiça, Tarso Genro, além de conceder indenização às vítimas de perseguições políticas, a comissão serve para "transformar a anistia também em um projeto pedagógico, de edificação democrática, para que os brasileiros conheçam e não se esqueçam do seu passado". A Comissão de Anistia, criada em 2001, analisa os pedidos de indenizações formuladas por pessoas que julgam ter sido impedidas de exercer atividades profissionais ou econômicas por motivação exclusivamente políticas entre 1946 e 1988. Desde então, já foram julgados mais de 37,2 mil requerimentos, de um total de 60 mil. Além dos processos de Ziraldo e Jaguar foram deferidos os dos jornalistas Joana D'Arc Bizzotto Lopes, George de Barros Cabral, Ari Candido Fernandes, Maria Regina Pedrosa de Senna Figueiredo, Orlando Maretti Sobrinho, Ricardo de Moraes Monteiro, Sinval de Itacarambi Leão, Maria José Rios Peixoto da Silveira Lindoso, Félix Augusto de Athayde, Amaro Alexandrino da Rocha, Pery de Araújo Cotta, Josail Gabriel de Sales, Reynaldo Jardim Silveira, Carlos Guilherme De Mendonça Penafiel, Octávio Malta, Nilson Nobre de Almeida, Jorge Saldanha de Araújo e Maria Ignes Duque Estrada. Com informações da Agência Brasil e da Associação Brasileira de Imprensa
A Comissão de Anistia do Ministério da Justiça deciciu conceder indenizações a 20 jornalistas perseguidos por forças de repressão no Brasil, entre eles os cartunistas Ziraldo e Jaguar. A primeira sessão especial de julgamento de pedidos de indenização de perseguidos políticos pelo critério de categorias específicas foi realizada nesta sexta-feira (4), na sede da Associação Brasileira de Imprensa, no Rio de Janeiro.A Comissão de Anistia julgou e deferiu todos os 20 processos de jornalistas que estavam na pauta do dia, requerendo reparação e indenização pelos traumas que sofreram como vítimas da ditadura militar. As maiores indenizações foram concedidas aos cartunistas Jaguar (R$ 1.027. 383, 29) e Ziraldo (R$ 1.253.000,24). Sérgio de Magalhães Gomes Jaguaribe, o cartunista Jaguar, trabalhou como desenhista no jornal Última Hora. Juntamente com Ziraldo, foi um dos fundadores do Pasquim, e figurou nos arquivos da ditadura militar como "comunista, suspeito de exercer atividades esquerdistas". Ziraldo Alves Pinto trabalhou em diversos veículos de imprensa que foram empastelados e fechados pelo governo militar, entre eles O Sol. Atuou também nas revistas O Cruzeiro e Visão, até que em julho de 1969 fundou o Pasquim, censurado a partir da sua 25ª edição. O jornal sofreu dura perseguição da ditadura, a ponto de as bancas em que era distribuído terem sido incendiadas. A cerimônia foi presidida pelo ministro da Justiça, tarso Genro. A viúva do jornalista David Capistrano, Maria Augusta de Oliveira, subiu ao palco da ABI para receber homenagem. Seu marido era um famoso jornalista e militante comunista, que desapareceu em 1974.Também foi homenageado o jornalista Vladimir Herzog, morto em 1975 por agentes do DOI-Codi (Destacamento de Operações de Informações-Centro de Operações de Defesa Interna), órgão repressivo durante o regime militar. Na solenidade, o filho de Herzog, Ivo, tentou imaginar como estaria hoje o pai, que foi assassinado aos 38 anos. "Muitas vezes passa pelo meu pensamento: o que meu pai estaria fazendo se ainda estivesse entre nós? Seria ministro? Diretor de jornal? Talvez um grande cineasta. Estaria com dengue? Só sei que seriam duas coisas: meu pai e um homem externando suas indignações contra o que ferisse seus princípios, sua ética", disse Ivo Herzog.Segundo o ministro da Justiça, Tarso Genro, além de conceder indenização às vítimas de perseguições políticas, a comissão serve para "transformar a anistia também em um projeto pedagógico, de edificação democrática, para que os brasileiros conheçam e não se esqueçam do seu passado". A Comissão de Anistia, criada em 2001, analisa os pedidos de indenizações formuladas por pessoas que julgam ter sido impedidas de exercer atividades profissionais ou econômicas por motivação exclusivamente políticas entre 1946 e 1988. Desde então, já foram julgados mais de 37,2 mil requerimentos, de um total de 60 mil. Além dos processos de Ziraldo e Jaguar foram deferidos os dos jornalistas Joana D'Arc Bizzotto Lopes, George de Barros Cabral, Ari Candido Fernandes, Maria Regina Pedrosa de Senna Figueiredo, Orlando Maretti Sobrinho, Ricardo de Moraes Monteiro, Sinval de Itacarambi Leão, Maria José Rios Peixoto da Silveira Lindoso, Félix Augusto de Athayde, Amaro Alexandrino da Rocha, Pery de Araújo Cotta, Josail Gabriel de Sales, Reynaldo Jardim Silveira, Carlos Guilherme De Mendonça Penafiel, Octávio Malta, Nilson Nobre de Almeida, Jorge Saldanha de Araújo e Maria Ignes Duque Estrada. Com informações da Agência Brasil e da Associação Brasileira de Imprensa