PT de São Paulo quer CPI para investigar cartões do governo de José Serra
A Bancada do PT na Assembléia Legislativa de São Paulo vai pedir uma CPI para investigar os gastos com cartão no governo tucano de José Serra. O deputado Simão Pedro anunciou nesta sexta-feira (8) o início da coleta de assinaturas para protocolar o pedido.
Em nível nacional, os tucanos querem investigar os gastos com cartões no governo Lula, mas têm medo que a investigação se estenda para a administração Fernando Henrique, conforme CPI proposta pela base aliada do governo no Senado.
As informações sobre o uso de cartões também em São Paulo foram publicadas ontem pelo site do jornalista Paulo Henrique Amorim, o Coversa Afiada. Os demais veículos de comunicação, até aquele momento, não haviam tocado no assunto. Hoje a notícia foi destaque em dois grandes jornais diários.
Os cartões de Serra atingem 47 modalidades de gastos e consumiram, em 2007, R$ 108.384.268,26 dos cofres públicos de São Paulo.
Desse total, cerca de R$ 48 milhões (44,58%) foram saques em dinheiro. Os dados constam no Sigeo (Sistema de Informações Gerenciais da Execução Orçamentária).
Diferentemente do governo federal, que lançou um portal para registro dos gastos, o Estado não oferece um sistema aberto com essa descrição.
No mesmo período, os gastos do governo federal com os chamados cartões corporativos somaram R$ 75,6 milhões.
Os dados mostram compras de R$ 6.500 numa churrascaria, R$ 977 em uma loja de presentes, R$ 597 com acessórios para casa, além dos R$ 48,3 milhões em saques. Segundo o governo paulistano, os dados não descrevem, necessariamente, o objeto da compra realizada com o cartão de débito.
Em nota, o governo tucano disse que seus cartões não são corporativos e que nenhum servidor pode usá-lo para gastos pessoais. A forma de pagamento serve para despesas feitas pelo Estado no dia-a-dia e para gastos específicos. Por exemplo, o cartão de combustível só pode ser usado para esse fim.
Os petistas querem saber a necessidade dos saques. Um funcionário da Secretaria da Saúde, por exemplo, fez mais de 10 saques de R$ 250 mil cada. "Até ontem não tínhamos acesso a essas informações", disse Simão Pedro por meio de sua assessoria.
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