Por Ricardo Berzoini
A votação da CPMF no Senado Federal, na qual a minoria impediu a maioria de alcançar o quorum de emenda constitucional, expôs a visão de curto prazo da oposição. No mesmo dia em que foi divulgado o crescimento firme do PIB brasileiro, cujos dados revelam a sustentabilidade deste novo ciclo de desenvolvimento, senadores decidiram não prorrogar um tributo essencial para a Saúde, a Previdência e a Assistência Social. Saem prejudicados os mais pobres, que não terão essa fonte de recursos para sustentar as políticas públicas. Sai prejudicado todo o país, pois parcela desses gastos deverá ser remanejada de outros tributos que poderiam acelerar os projetos de infra-estrutura e garantir a solidez fiscal necessária à queda dos juros e à obtenção do reconhecimento de "grau de investimento" fundamentais para nosso desenvolvimento. Não por acaso, os representantes do povo, os deputados federais, conforme define o artigo 45 da Constituição Federal, aprovaram a prorrogação da CPMF. Os que rejeitaram a CPMF, por não dar os 3/5 dos votos, foram os que a Carta Magna define como representantes dos Estados (Art. 46 da CF). Curiosamente, na essência, votaram contra a CPMF os mesmos que apoiaram o governo que deteriorou todos os indicadores econômicos e sociais do Brasil, o governo FHC. É revelador que um dos principais articuladores da oposição tenha sido justamente o ex-presidente que privatizou a Vale, os bancos estaduais, as empresas de energia, que quase duplicou o desemprego no Brasil e nunca usou a CPMF de maneira correta. No entanto, há uma coerência a ser destacada: os neoliberais não acreditam em saúde pública ou previdência pública. Sonham com sua privatização. O ressentimento venceu o bom senso, ignorando até mesmo os argumentos de governadores tucanos, no dia em que a pesquisa Ibope demonstra que Lula, em seu segundo mandato continua com a força do povo.O PT defende a regulamentação da PEC 29 que amplia os recursos da Saúde. Também defende a ampliação dos gastos sociais para combater a miséria e reduzir a desigualdade no país. Devemos, porém, debater intensamente esses temas com a sociedade. Apesar das conseqüências nefastas dessa decisão do Senado para o povo brasileiro, precisamos dar prosseguimento às políticas que viabilizam o crescimento econômico com redução da desigualdade e, para isso, o PT tem de estar mobilizado e demonstrar sua capacidade de formulaçãoRicardo Berzoini é presidente Nacional do PT