11 dezembro 2007


Brasil pode manter taxa de crescimento de 5% ao ano até 2012, dizem economistas
O país tem condições macroeconômicas de manter o seu ritmo de crescimento na faixa de 5% até 2012, se as condições atuais de expansão de produção e demanda se mantiverem e os investimentos em setor de bens de capital se consolidarem. A conclusão é de economistas que participaram ontem de seminário realizado pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP. Régis Bonelli, pesquisador da Casa das Garças e do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (Iets), prevê expansão crescente da produtividade até 2012, saindo de 1,8% em 2007, para 1,83% em 2008, chegando a 2,4% em 2012. Os motivos são a consolidação dos investimentos em capital (que neste ano cresceram 10%) e o aumento do nível de ocupação (que cresceu 2,04% no ano). Ele também estima crescimento da poupança, que hoje representa 17,6% do PIB, para 22,5% em cinco anos. Esses fatores associados conduzirão o PIB a um crescimento de 5,2% neste ano e de 4,7% em 2008, podendo chegar a 5,48% até 2012.
"Mantidos o ânimo empresarial, a política econômica e o quadro externo, a tendência é de crescimento sustentável", afirmou Bonelli. Ele alertou, porém, para a necessidade de melhoria na infra-estrutura, capacitação de mão-de-obra, aumento da eficiência do governo e redução da carga tributária para estimular novos investimentos. Melhorar a eficiência do setor público também foi apontada como desafio ao crescimento nos próximos anos por Carlos Antonio Luque, professor da FEA. Ele observou que o governo emprega em média 1,9% de sua receita tributária em investimentos de infra-estrutura ao ano. Na década de 90, o índice girava em torno de 20%.
"O gasto público é ineficiente, a maior parte dos recursos é destinada a áreas como folha de pagamento e dívidas. E o problema é que muitos desses gastos são direitos adquiridos, como a previdência, que não podem ser extintos", afirmou. Ele citou relatório do World Economic Forum, no qual o Brasil é incluído na 114ª posição no ranking de competitividade que reúne 125 países. Excluindo-se a atuação do setor público, o Brasil sobe para 66ª posição. Já para o economista Fabio Kanczuk, também professor da FEA, o que falta ao país é elevar produtividade. Segundo ele, o custo do capital é alto devido à carga tributária, que hoje corresponde a 35% do valor do PIB. Ele prevê crescimento econômico no país entre 3,7% e 5% ao ano no médio prazo, mas teme que uma reversão no saldo das transações correntes possa causar uma desvalorização cambial e conseqüente aumento da inflação, levando a um ciclo de redução do crescimento econômico.
De acordo com a pesquisa Focus, divulgada pelo Banco Central, o saldo da conta corrente estava em US$ 1,7 bilhão até a última sexta-feira (dia 7). Kanczuk observa que um déficit nas transações correntes pode causar desvalorização do real frente ao dólar - segundo ele, hoje o câmbio é o principal fator que mantém a inflação em baixos patamares. "A inflação é apenas uma variável do cenário. Não tenho dúvidas de que desenvolvimento econômico é mais do que isso", afirmou o economista Antonio Delfim Neto, professor da FEA, que vê a possibilidade de o PIB brasileiro crescer a taxas de 6% a 7% ao ano ainda nesta década.

Valor Econômico