Laerte Braga
Fico a pensar se a BRA fosse uma companhia estatal e tivesse dado o cano, conto do vigário de empresários, em milhares de pessoas como fez a empresa com seus clientes e funcionários. A GLOBO ia levantar vôo, VEJA ia dar capa arrebentando Lula e o editor de artes da ÉPOCA, com certeza, iria pedir uma capa em que Lula aparecesse como Al Capone, por exemplo. Podia ser Skaf, presidente da FIESP, dá na mesma, mas esse é um dos donos. O cano da BRA é a mostra clara e precisa que iniciativa privada e banditismo não têm a menor diferença, em se tratando de "negócios" acima de uns três milhões de dólares, até porque, com menos, é dono de botequim de banana, logo, só difere do trabalhador na ilusão do cheque especial. A empresa admitiu hoje que vendeu as passagens sabendo que não tinha condições de continuar a operar, e aí? Os caras estão soltos. Vai ver não tinha grooving nos escritórios da BRA. Uma das maiores empresas aéreas do mundo, a VARIG, quebrou na má administração, no cano dado pelos governos anteriores a Lula, no festival de enriquecimento que fez do filho de FHC (ou genro, tanto faz), um dos dirigentes da empresa e num dado momento, este ano, presidente, na tentativa de salvá-la, ou de concretizar um grande "negócio" que acabou sendo feito e com a GOL. Daqui a pouco serão a TAM, a GOL, em nenhum lugar do mundo linhas aéreas sobrevivem sem subsídios de qualquer governo, o próprio Bush no seu desvario de mercado (mas só dos ganhos, os prejuízos não; estes são devidamente socializados via FED), criou subsídios para as companhias norte-americanas, inclusive reforçados após o onze de setembro. O caso da BRA é de Polícia. Não é de má administração não. Golpe escancarado. Como foi a VASP de Canhedo, ou a TRANSBRASIL. Vítima nisso tudo foi a PANAIR, logo no início da ditadura, governo do marechal Castello Branco, em manobra para deixar dono do "mercado" o senhor Rubem Berta, à época, o todo poderoso dono da VARIG.
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