01 setembro 2007


Lula faz discurso para lavar alma petista e elevar auto-estima

No discurso mais aguardado do 3º Congresso Nacional do PT, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cumpriu seu papel de Vossa Excelência, mas acima de tudo o de companheiro. Na manhã deste sábado (1º) Lula fez um pronunciamento para elevar a auto-estima dos petistas, conclamá-los ao orgulho do papel desempenhado até aqui e, também, encorajá-los a vôos mais altos.

“Quero afirmar minha alegria de poder me reencontrar com vocês. É sempre gratificante estar entre aqueles que me fizeram viver momentos de intensa alegria e emoção. O gesto que vocês tiveram na crise de 2005, quando o partido convocou o PED e 220 mil militantes foram às ruas para dizer aos nossos críticos: ‘estamos mais vivos do que nunca, somos mais petistas do que nunca, e vamos vencer’...”, iniciou Lula.

A abertura do discurso foi se encontrar em notável afinação com o encerramento. Após a exposição de algumas das principais ações do governo federal e de uma inequívoca defesa do protagonismo do partido (“O PT tem legitimidade política e social para ter candidatura própria”, disse Lula), o presidente voltou-se para a militância e, como num abraço, exortou-a ao sonho.

“Somos mais atacados pelos nossos méritos que por nossos erros. Não temos de quê nos envergonhar. Não tenham medo de ser petistas, de andar com a estrela no peito. O PT é um dos grandes responsáveis pelos passos largos do Brasil rumo à dignidade. E isso também é percebido pelo mundo”, afirmou.

Lula fez questão de reafirmar a importância do PT naquelas ações de governo que ele, em trechos do discurso, havia destacado como as melhores. “Minha trajetória política é inseparável da trajetória política do meu partido. Mudamos, é verdade, mas mudamos porque a realidade mudou. Porém, sem mudar de lado, sem transigir em nosso compromisso com os setores mais excluídos da sociedade brasileira. Somos construtores da democracia. Somos um partido de vencedores, de vitórias conquistadas com a dedicação de cada militante. Se tivermos paciência, inteligência política e a combatividade que sempre tivemos, seremos capazes de conquistar junto com o povo brasileiro muitas outras vitórias”, prosseguiu, em longos trechos de improviso.

Lula não se furtou a abordar a questão que parecia ser uma das mais aguardadas pela monocórdica cobertura da grande mídia. Afirmou que se erros aconteceram, devem ser apurados e que a lei vale para 180 milhões de brasileiros. “Mas uma luta da magnitude da nossa não se faz sem dor”, disse. Lembrou de mártires e heróis, como Apolônio de Carvalho e Florestan Fernandes. “Mas nada pode nos esmorecer. A vida é muita curta. Nós não temos direito de nos sentir derrotados. Nenhum de nós tem de ter vergonha de defender um companheiro”, disse, com tranqüilidade.

Lula também afirmou que os movimentos sociais fazem com que o governo seja mais criativo. E mais uma vez colocou o Palácio do Planalto à disposição. “Ali não mais somente os reis, os príncipes, os presidentes, os primeiros-ministros e os banqueiros são recebidos. Lá entram hoje os quilombolas, os portadores de deficiência, as domésticas, os catadores de papel. O Palácio é desses brasileiros também”.

Numa abordagem incomum sobre as acusações de que o PT e o governo federal querem dividir o país de maneira simplista entre pobres e ricos, Lula afirmou: “Nós da classe média sempre recebemos mais do governo federal do que os pobres, seja em dedução de impostos, seja em investimentos. Mas alguns setores dessa classe média dizem que o povo não tem discernimento. Dou um conselho a eles: coloquem seus diplomas de lado e freqüentem a escola da sabedoria ao lado do povo brasileiro”.

Para ouvir a íntegra do discurso,
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