Apóie os Sem-Mídia
Eduardo Guimarãe
Escrever um artigo sobre o Movimento dos Sem-Mídia (MSM) no site de José Dirceu. Quando recebi essa oferta, aceitei imediatamente. Porém, como sou um paulistano de classe média, integrante de um meio social altamente permeável à lavanderia de cérebros da grande mídia, ao comentar com amigos que teria esse espaço para me manifestar alguns deles me recomendaram que não o utilizasse. Se escrevesse no site de Dirceu, desagradaria a alguns e agradaria a outros; se não escrevesse, não desagradaria a ninguém.
Escrever um artigo sobre o Movimento dos Sem-Mídia (MSM) no site de José Dirceu. Quando recebi essa oferta, aceitei imediatamente. Porém, como sou um paulistano de classe média, integrante de um meio social altamente permeável à lavanderia de cérebros da grande mídia, ao comentar com amigos que teria esse espaço para me manifestar alguns deles me recomendaram que não o utilizasse. Se escrevesse no site de Dirceu, desagradaria a alguns e agradaria a outros; se não escrevesse, não desagradaria a ninguém.
Como seguir tal recomendação se essa imagem controvertida do ex-ministro foi criada por uma conduta da mídia que me deu motivos para criar o MSM? Como não escrever neste espaço se o basta que dei à minha passividade diante da ditadura da mídia decorreu da gota que fez transbordar o pote em que guardo minha reserva de paciência? E essa gota foi a inconfidência do ministro da Suprema Corte Ricardo Lewandovski, que, monitorado por um dos braços da Gestapo midiática (a Folha de São Paulo), foi flagrado revelando que aquela Corte aceitou parte das denúncias do procurador-geral da República contra José Dirceu e outros envolvidos no caso do "mensalão" porque a mídia colocou uma "faca no pescoço" dela. Ora, ninguém mentalmente são pode admitir que a Justiça decida qualquer coisa sob pressão de empresas de comunicação. Essa é uma ameaça a todos os brasileiros.
Não conheço José Dirceu, apesar de ter votado nele várias vezes. E, na verdade, não conheço, pessoalmente, ninguém de partido político nenhum, apesar de, no decorrer da vida, ter acompanhado atentamente a política e ter, sempre, assumido opiniões políticas muito bem definidas em meu meio social. Contudo, jamais me aproximei de políticos por não me julgar detentor dos requisitos necessários para militar na política de dentro dela, e por acreditar que é possível a cada cidadão fazer política, sim, mas autonomamente, assumindo posições e defendendo idéias em seu meio social sem precisar se envolver com aqueles que se dispõem a postular cargos eletivos.
Este artigo não é uma defesa de José Dirceu. Até porque, faltam-me elementos para decidir se ele é inocente ou culpado das acusações que lhe foram feitas. Este artigo, no entanto, relata meu levante contra uma situação em que a parte da sociedade que não delegou à mídia a própria capacidade de pensar sabe que não tem elementos para formar opinião sobre as acusações contra o ex-ministro, porque as informações que a mídia fornece sobre o caso dele, entre outros, parecem-me pautadas e distorcidas por razões políticas, ideológicas e até financeiras dos barões da mídia, que, como em tantos outros momentos da história deste país, fizeram uma opção política, eleitoral e ideológica e tentam impor essa opção ao conjunto da sociedade inundando os meios de comunicação com suas versões e impedindo o contraditório.
Apesar de ser eu aquele que, num surto de indignação, propôs aos leitores de seu blog que parássemos de nos lamentar da mídia ruim que temos no Brasil e tomássemos uma atitude na forma de manifestação de nosso inconformismo diante de um grande órgão de imprensa, não escrevo em nome daqueles que, no último dia 15 de setembro, seguiram-me até diante da Folha de São Paulo para lermos um manifesto que escrevi pedindo que a mídia deixe de atuar como partido político, deixe de veicular lixo, deixe de defender interesses do topo da pirâmide social e, como se não bastasse, apresentando tais interesses como se de todos fossem. Escrevo só em meu nome, ainda que tenha certeza de que grande parte dos que me seguem pensam como eu, isto é, que não devo abrir mão de um espaço como este para divulgar minhas idéias só porque a mídia obteve êxito em condenar José Dirceu, em certos estratos sociais, antes de que o julgamento dele esteja concluído.
O que é o Movimento dos Sem-Mídia? É a manifestação de um setor da sociedade que, apesar de pouca gente saber o que esse setor pensa, não suporta mais levar bofetadas da mídia ao constatar, dia após dia, que seus pontos de vista foram por ela censurados por divergirem do que pensam aqueles que chamo de "barões da mídia", ou seja, do que pensam meia dúzia de patriarcas de famílias ditas "tradicionais" que controlam a comunicação no Brasil desde sempre, o que lhes vem (ou vinha) permitindo manipular a sociedade de acordo com seus interesses políticos, ideológicos e, sobretudo, econômicos.
O Movimento dos Sem-Mídia não é um movimento essencialmente político, ainda que seu foco principal, neste momento, esteja na política, pois é por meio dela que os maiores prejuízos ao país estão sendo causados. Vejam esse caso do presidente do Senado, Renan Calheiros: há quantos meses o Congresso está semi-paralisado por conta da queda de braço entre ele e os meios de comunicação? Enquanto isso, projetos de interesse nacional ficam no limbo, cedendo espaço às ambições políticas dos partidos de oposição e de seus prepostos – ou seriam mentores? - midiáticos.
Se fosse só isso, já seria muito. Mas não são "só" esses motivos que me levaram a exortar aqueles que pensam como eu a abandonarem as queixas e choramingos para tomarem uma atitude, para denunciarem nas ruas a ditadura midiática que chegou ao ponto não só de tentar fazer prevalecer seus desígnios políticos por meio da censura e da intimidação de jornalistas independentes - que são colocados na "geladeira" quando discordam dos patrões -, mas que também tem conseguido atrapalhar seriamente a governabilidade do país transformando o Congresso Nacional numa grande inquisição que jamais chega a lugar nenhum em suas investigações espalhafatosas, montadas para gerar benefícios políticos para a corrente política "amiga" dos barões da mídia.
E o pior, é que a tragicomédia midiática não se resume às questões político-ideológicas. Esses mesmos barões da mídia inundam os lares de todos os brasileiros com lixo televisivo e radiofônico. A tevê brasileira é uma das piores do mundo. Quem se recusa a chafurdar na idiotia dominical dos Faustões e dos Gugus, por exemplo, não tem outra alternativa além da de pagar por serviços de tevê a cabo nos quais predominam filmes repetidos à exaustão e programas que podem fazer muito sentido à cultura norte-americana, mas que, para os brasileiros, pouca validade têm.
Há, também, a defesa incondicional, pela mídia, de modelos econômicos que servem aos grandes capitais nacionais e transnacionais, mas que estão longe de permitir à maioria pobre e miserável da sociedade brasileira um futuro menos triste, menos opressor, menos injusto. Assim, o governo federal, "com a faca no pescoço", em busca do mal menor, tem que se limitar a contornar o pensamento único midiático, quando possível, e ainda tem que agüentar o escárnio dos meios de comunicação, que acusam esse governo de fazer exatamente o que os grandes interesses constituídos, donos da mídia, querem que faça.
Por tudo isso, convoquei e continuo convocando os brasileiros que não delegaram à mídia o controle remoto de seus cérebros que se unam ao Movimento dos Sem-Mídia. Começo a ver quão difícil é lutar por um ideal sem ter como financiar os meios de mobilização necessários. Como organizar um Movimento que pretende conscientizar a sociedade sem ter como divulgar por meio de publicidade, por exemplo, nossas propostas, sem ter como financiar um processo de conscientização da sociedade num mundo em que tudo custa dinheiro? Por isso a mídia faz o que quer, porque tem muito dinheiro. E quem não tem, é obrigado a assistir impotente a esse circo de horrores.
É justamente aí que a mídia nada de braçadas. Por estar aliada ao grande capital - ou por ser detentora dele -, ela tem como esmagar divergências simplesmente ignorando quem a ela se opõe. Não precisa fazer nada além de nos ignorar. Se pudéssemos ir à tevê, que é uma concessão pública, para explicar à sociedade nossos pontos de vista, nossas razões, estou certo de que muitos se dariam conta de que os meios de comunicação estão muito longe de ser as instituições benemerentes que tentam mostrar que são. Se pessoas como eu pudessem se manifestar nos meios de comunicação de massa, conseguiriam, certamente, fazer com que a sociedade se perguntasse se é verossímil a versão de que o noticiário político, por exemplo, é livre de interesses privados muito, muito bem definidos.
É por isso que estou lutando por meio de um blog, de um mísero blog, para mobilizar o pequeno universo de pessoas que consigo atingir com meus pontos de vista, pedindo que colaborem, inclusive com a ajuda financeira que for possível a cada um, para constituirmos uma ONG, o Movimento dos Sem-Mídia, a fim de termos como dar publicidade às nossas idéias, anseios e queixas. É por isso que, sem ter como entrar no mérito das acusações contra José Dirceu, aceitei sua oferta para me manifestar em seu site, porque me manifestarei em qualquer espaço que me seja oferecido sem discriminar nenhum, ainda mais se as razões para eventuais discriminações não estiverem claras para mim.
Convoco, assim, quem vier a ler estas palavras para que se junte aos Sem-Mídia visitando meu blog, postando comentário pedindo filiação ao MSM e, obviamente, se dispondo a colaborar com qualquer doação que possa fazer, bem como se propondo a divulgar nosso Movimento para que possamos amealhar meios de expor à sociedade brasileira um processo que a tem mantido impregnada de injustiça social, de preconceitos e de imobilismo.
Quem se dispuser a se unir a nós e a nos ajudar, pode fazer contato comigo através do meu blog
Do blog do Dirceu