
Nilda Carvalho Cunha morreu aos 17 anos de idade em conseqüência das torturas a que foi submetida, com sintomas de cegueira e asfixia
Um dos principais dirigentes do Molipo, Carlos Eduardo Pires Fleury foi morto com 12 tiros em dezembro de 71
Direito à Memória e à Verdade
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira, no lançamento do livro-relatório "Direito à Memória e à Verdade", que o governo continuará o trabalho de busca dos restos mortais de desaparecidos políticos na época da ditadura militar, sem que isso signifique qualquer revanchismo às Forças Armadas. "Vamos continuar os trabalhos e daremos uma resposta aos familiares das vítimas. A história do Brasil precisa desta verdade, tal qual ela é", disse o presidente.O livro "Direito à Memória e à Verdade" traz documentos que comprovam casos de tortura na época da ditadura militar no Brasil, entre os anos de 1961-1988. É a primeira vez que o Estado elabora um documento oficial em que culpa integrantes de órgãos da repressão militar por crimes contra membros de oposição ao regime vigente na época.A publicação é o resultado de 11 anos de pesquisa e compilação de dados da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, sob a coordenação do ministro da SEDH (Secretaria Especial de Direitos Humanos) Paulo Vannuchi, que assina a obra com o presidente da comissão de mortos e desaparecidos, Marco Antônio Rodrigues Barbosa. "Querer justiça não significa querer revanche", ressaltou Barbosa em seu discurso.Em 500 páginas, são detalhadas as circunstâncias das mortes de 339 casos analisados pela comissão. Destes, familiares de 221 desaparecidos foram indenizados pelo Estado - 118 casos foram indeferidos. Segundo a SEDH, os valores das indenizações variaram de R$ 100 mil a R$ 152 mil.O levantamento de informações foi feito por familiares e advogados, com base em depoimentos de outros presos, de agentes do Estado, pessoas envolvidas no processo de repressão e em documentos encontrados em arquivos públicos, abertos à consulta. O livro terá tiragem de 5.000 exemplares, que serão distribuídos às famílias das vítimas do regime, bibliotecas e escolas públicas.
