
Medalhistas brasileiros criticaram duramente o comportamento da platéia que hostilizou o presidente no Rio de Janeiro. Alguns chegaram a dizer que o público "perdeu a esportiva" ao agredir o mandatário."Aquilo foi ridículo. Ele tinha mesmo é de ser aplaudido. O Lula não colocou só um dedo no PAN, ele colocou as duas mãos. Se não fosse ele, esses Jogos não teriam se realizado", disse Franck Caldeira, maratonista ganhador do ouro.A última sexta-feira 13 foi carregada para o presidente. No estádio Maracanã, ele foi vaiado por seis vezes e acabou não cumprindo o tradicional protocolo: declarar abertos os Jogos."As pessoas que estavam lá não eram esportistas. Lula fez muito pelo esporte. Muitos atletas vieram de projetos sociais do governo. O povo brasileiro ainda não está acostumado com a festa do esporte. Aquelas vaias deveriam ser retribuídas com aplausos", afirmou Rebecca Gusmão, ganhadora de duas medalhas de ouro.Fã incondicional de esportes, o presidente ficou abalado com a recepção e não voltou mais ao local das competições, na capital carioca. Somente o prefeito da cidade, Cesar Maia (DEM), recebeu aplausos naquela ocasião.Lula acabou se empolgando com as declarações dos esportistas: atacou os críticos que reclamaram dos altos investimentos do governo federal no Pan e prometeu que, nas próximas décadas, o país se transformará numa "potência olímpica".Prometeu também que trabalhará como um caixeiro-viajante convencendo outros países a apoiarem o nome do Brasil para sediar a Olimpíada de 2016.À vontade com a platéia, o presidente elogiou o uniforme da delegação brasileira, posou para as câmeras com os jogadores e fotografou com uma medalha de ouro que um dos atletas pendurou em seu pescoço.E ainda fez piada com seus problemas físicos, arrancando risos do público, quando elogiava o nadador Thiago Pereira, que conquistou 6 medalhas de ouro nessa edição do Pan: "Não consigo dar cinco braçadas na piscina por causa da minha bursite."
AE