12 agosto 2007


CUIDADO: NÃO SE DEIXE ENGANAR PELOS QUE QUEREM ACABAR COM A CPMF

Vocês já refletiram sobre os interesses envolvidos contra a CPMF? Por que será que os movimentos que pedem sua extinção não reivindicam o fim de impostos com grande potencial de sonegação, como o ICMS e o Imposto de Renda?

Veja o que pensa o jornalista Guilherme Cardoso neste artigo, publicado no no Globo Online, sobre o que estaria por trás do movimento contra a CPMF. É uma importante contribuição à reflexão sobre o tema.
A QUEM NÃO INTERESSA A CPMF?

Guilherme Cardoso - Jornalista e coordenador do Movimento pela CPMF como Imposto Único em BH.

Só pode ser quem não quer transparência, justiça tributária, simplificação, eficiência, impossibilidade de sonegação. Alguém, algum Grupo, organizado ou não, que se enriquece na marginalidade, usando a rede bancária para negócios escusos, como caixa-dois, tráfico, lavagem de dinheiro e transações sem Notas Fiscais. Podem ser Bancos, instituições financeiras, micro, pequenas e grandes empresas, pessoas físicas, bandidos, traficantes, corruptos e corruptores do setor público e privado. Todos que levam vantagem com o complexo Sistema Tributário Brasileiro.

Esse Movimento encabeçado pela FIESP contra a CPMF está fora de hora. Vem na contramão da lógica, do bom senso e da luta contra a sonegação. Dizer que a CPMF é imposto cascata, cumulativo, que aumenta os custos, onera os preços e impede o crescimento e a competitividade das empresas é um exagero e uma injustiça. Outros impostos como o ICMS, ISS, PIS, COFINS têm os mesmos defeitos e não se fala em acabar com eles.

Como está agora, como mais um tributo, a CPMF desagrada e com razão. Nenhum trabalhador ou empresário gosta de pagar qualquer imposto, ainda mais quando julga ser apenas mais um, e indevido. Mas não se podem negar as qualidades, vantagens e benefícios da CPMF. E o mais importante é que ela tributa a todos, indistintamente, e não permite sonegação.

A CPMF é um imposto justo. A sua base de cobrança é ampla. Por ser um tributo eletrônico, ela atinge a todos que movimentam dinheiro em Bancos, desde o aposentado, o cidadão que trabalha na informalidade, quem está empregado, micros, pequenas, médias e grandes empresas. É mais tributado quem movimenta mais, quem mais negócios faz na rede bancária. Sejam transações legais ou ilegais. A alíquota da CPMF atinge inclusive as grandes movimentações financeiras de traficantes, a lavagem de dinheiro e o caixa-dois da maioria das empresas.

Não se justifica um Movimento desses para acabar com a CPMF. O que a FIESP- Federação das Indústrias de São Paulo e os demais empresários do país deveriam fazer neste momento é apoiar o Governo para que essa cobrança seja mantida, agora como imposto, sugerir que se aumente a sua alíquota gradualmente, e negociar que na mesma proporção sejam extintos outros impostos. Afinal, não é a simplificação e a redução da carga tributária e o fim da sonegação que a classe empresarial vem pedindo há tanto tempo?

Participando de movimentos como um tal “Xô CPMF” e esse agora, encabeçado pela FIESP, a impressão que os empresários deixam para os demais cidadãos brasileiros é que não querem reforma tributária alguma. A imagem que fica para a população é que querem acabar com a CPMF simplesmente porque ela é justa e transparente demais, porque tributa sem perdão todo o tipo de transações financeiras, legais e ilegais, e que se ela continuar vai atrapalhar os bilhões de reais que transitam impunemente pela rede bancária sem pagar qualquer imposto.

http://oglobo.globo.com/opiniao/