A imprensa – Veja, Época, Estadão, Globo e Folha – noticiou, neste final de semana, o envolvimento de outro senador em supostas irregularidades. Segundo as notícias, conversas gravadas em 13 de março último, com autorização judicial, registraram o senador e ex-governador do Distrito Federal Joaquim Roriz (PMDB) supostamente combinando a partilha de dinheiro com o ex-presidente do BRB, Tarcísio Franklin de Moura, preso recentemente na chamada Operação Aquarela, do MP e da Polícia Civil do DF.Em uma das conversas, Moura avisa a Roriz que já está com o dinheiro, pergunta para onde levar o montante e sugere entregar o dinheiro na casa de Roriz. O senador diz: "O dinheiro é de muita gente". Moura afirma: "Ahã. Pois é. O problema é que tinha de centralizar em um lugar e fazer. Porque depósito mesmo é só um, de 200 e poucos mil. E como é que entrega os outros? Não tem jeito. Tinha que entregar num lugar, pra naquele lugar dividir. Eu imaginei que podia levar para lá [casa de Roriz]." O senador rejeita a sugestão: "Não convém, não."Em outro diálogo, eles aparentemente acertam fazer a partilha no escritório do empresário Constantino de Oliveira, conhecido como Nenê, presidente do conselho de administração da companhia aérea Gol. Moura indaga: "Por que a gente não leva lá para o escritório do Nenê?" Roriz responde: "É pra isso mesmo". Moura prossegue: "E, de lá, sai cada um com o seu". Roriz afirma: "An, então "tá" ótimo. Nós pensamos a mesma coisa".No mesmo dia, segundo relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras, houve um saque de R$ 2,231 milhões em uma agência do BRB em nome de Constantino, que afirma não possuir conta nesse banco. Contrariando normas bancárias, segundo a apuração, Moura teria autorizado a compensação do cheque, de uma agência do Banco do Brasil em Taguatinga (DF), emitido pela Agrícola Xingu.Por meio de assessores, Roriz confirmou ter recebido R$ 300 mil do empresário, como empréstimo pessoal para pagar uma compra de gado nelore que havia negociado com a Universidade de Marília (SP). No final da tarde de ontem, a Gol divulgou nota em que confirma a entrega do cheque de Constantino para Roriz. O texto explica que os R$ 2,2 milhões se referiam à venda de uma fazenda do empresário e, feita a compensação do cheque, Roriz devolveu R$ 1,9 milhão. A diferença de R$ 300 mil seria o empréstimo ao senador.A matéria "Gravações colocam Roriz sob suspeita" da Folha de hoje (só para assinantes)informa que o procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, vai decidir se requisita ao Supremo Tribunal Federal a abertura de inquérito criminal contra Roriz.Um detalhe curioso nessa história é que a edição do Globo de ontem, que circulou nas bancas de Brasília, não tinha a matéria sobre Roriz, publicada na página 14, da edição que circulou no Rio de Janeiro e na internet. Como o Globo faz duas edições com horários diferentes para agilizar a distribuição do jornal, pode ter sido apenas uma coincidência. Mas que ficou esquisito, ficou.
enviada por Zé Dirceu