O Ministério Público de São Paulo, sempre tão afoito em vazar denúncias contra o PT para a imprensa, mesmo sem provas, agora quer censurar a imprensa, e com o apoio do Judiciário. A notícia está na Folha de hoje, na matéria “Jornal de SP é proibido pela Justiça de publicar denúncias” (só para assinantes): a Justiça Estadual proibiu o semanal "Folha de Vinhedo", do interior de São Paulo, de publicar uma entrevista que envolveria autoridades do Judiciário e do Executivo municipais e empresários da cidade em supostos casos de corrupção. O primeiro pedido para evitar a publicação foi feito pelos promotores Rogério Sanches Cunha e Osias Daudt e pelo juiz Herivelto Araújo Godoy.Esperamos que a decisão da juíza seja reformada e revogada.
por Zé Dirceu
O Ministério Público volta a atacar
Durma-se com um barulho desses. A Folha de hoje noticia na matéria “Procurador quer processar Lula e FHC por improbidade” (só para assinantes) que o Ministério Público Federal pediu à Justiça que processe, por improbidade administrativa, o presidente Lula, os ministros Guido Mantega e Paulo Bernardo e o ex-ministro Márcio Thomaz Bastos , sob a acusação de que teriam desviado recursos do Fundo Penitenciário Nacional para "fazer caixa para o governo". Pelos mesmos motivos alegados contra o atual governo, o procurador propôs também outra ação de improbidade contra o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e os ex-ministros Pedro Malan, Guilherme Gonçalves Dias, Paulo de Tarso Ramos Ribeiro e Miguel Reale Júnior.É por isso que o Ministro Gilmar Mendes, do STF, tem razão. As ações de improbidade administrativa se transformaram num instrumento político nas mãos do Ministério Público. O exemplo é bem claro. Um absurdo em todos os sentidos. Quem julga políticas públicas de um governo não é a Justiça. É o parlamento, e o povo, nas eleições. É só fazer uma lei proibindo o contingenciamento ou aprovando o orçamento impositivo. Fora disso, é pirotecnia, exibicionismo e falta do que fazer. Ou pior, luta política. E, às vezes, política e partidária.
enviada por Zé Dirceu
Saudades da ditadura
Saudades da ditadura
A Isto É desta semana publica uma inusitada entrevista com o ex-senador e ex-ministro de vários governos do regime militar, coronel reformado do Exército, Jarbas Passarinho. Intitulada “Faria tudo de novo”, a entrevista é uma ode à ditadura. Passarinho reafirma que não se arrepende de ter assinado o AI-5, critica a anistia a Lamarca, diz que não acredita na possibilidade de se encontrar os corpos dos mortos na Guerrilha do Araguaia, condena o uso das Forças Armadas no combate ao crime organizado e no apoio à segurança pública e faz uma revelação que seria bombástica, se fosse verossímel. Ele levanta a hipótese de que cinco guerrilheiros do Araguaia podem estar vivos, com nomes falsos, e diz ter sido o responsável pela troca das suas identidades, a pedido do general Antonio Bandeira, que foi um dos comandantes militares no combate à guerrilha. Passarinho, no entanto, alega que não lembra dos nomes, nem tem certeza se eles eram mesmo guerrilheiros do Araguaia. Enfim, uma verdadeira história da carochinha. É incrível que a imprensa ainda dê espaço para manifestações tão esdrúxulas como essa.