Entidades com representatividade em SP estão divididas quanto à paralisação
SÃO PAULO - Divididas, as entidades de classe das polícias Civil e Militar planejam parar a polícia no Estado de São Paulo. Há quem fale em dar um prazo de 30 dias para o governo dar uma resposta às reivindicações salariais das forças de segurança. Outros querem uma resposta até o dia 30, caso contrário ameaçam parar no dia 5 de junho por 24 horas. Por fim, a direção do Sindicato dos Policiais Civis na Baixada Santista promete parar o trabalho nas delegacias da região na sexta-feira, 18.
A categoria reivindica a incorporação no soldo dos adicionais e gratificações hoje pagos pelo governo - que vão de R$ 226 a R$ 936. Com isso, os pensionistas e aposentados passariam a ganhar como os homens da ativa e, além disso, os policiais não perderiam esses valores quando se aposentam. Os valores das gratificações passariam ainda a incidir nas outras vantagens - como qüinqüênios.
Atualmente, um policial militar no começo de carreira (soldado de 2ª classe) recebe R$ 1.240. “Isso faz o salário de São Paulo ser o 12º maior salário pago no Brasil. Em Brasília, que é o primeiro lugar, o salário inicial é de R$ 2,8 mil”, disse o cabo Wilson de Morais, presidente da Associação de Cabos e Soldados. Com cerca de 30 mil sócios, a associação é a maior entidade dos policiais militares.
Cabo Wilson e sua entidade são contrários à proposta de greve imediata ou no dia 5. “Não podemos falar em paralisação enquanto ainda estamos negociando”, disse. Na quarta-feira, o secretário da Segurança, Ronaldo Marzagão, e o secretário da Gestão Pública, Sidney Beraldo, encontraram-se com os representantes das entidades das duas polícias. Eles apanharam as propostas da entidades e pediram um prazo de 30 dias para apresentar a resposta do governo, que se diz “sensível à valorização dos policiais”.
As demais entidades das polícias Civil e Militar decidiram se encontrar nesta quinta na sede da Associação dos Oficiais da Reserva da PM. Em uma reunião conduzida pelo presidente da associação, coronel Hermes Bittencourt Cruz, ficou acertado pela maioria das entidades que elas darão um prazo até o dia 30 para que o governo responda às reivindicações.
Caso isso não ocorra, pretendem deflagrar uma grave de 24 horas no dia 5 de junho. Antes, porém, algumas das associações da PM pretendem criar um curso “de cidadania participativa para esposas de policiais, filhas, colegas, vizinhas e simpatizantes”. O curso terá 30 horas/aula e as alunas terão as despesas com alimentação e transportes pagas pelas associações.
Mas o que os militares pretendem ensinar às suas mulheres? Segundo o coronel Cruz, entre as disciplinas estarão a organização de passeatas, atos públicos, técnicas de defesa, primeiros socorros, como viver em acampamento, controle de situações de pânico e como conhecer as ações do serviço de inteligência. Um curso de subversão? O coronel responde que não, que trata-se de um curso de defesa, pois as mulheres devem participar de ações para parar avenidas e rodovias.
18 maio 2007
Sindicato da polícia ameaça greve na Baixada na sexta