Jornalista assassinado
O jornalista Luiz Carlos Barbom Filho, que denunciou um esquema de aliciamento de menores em Porto Ferreira, no interior de São Paulo, foi morto a tiros ontem à noite.
Veja aqui matéria da Globo News.
21/04/2004 - Correio BrasziliensePorto Ferreira: Políticos e empresários punidos
Dos 12 acusados de aliciamento de menores em Porto Ferreira, cidade no interior de São Paulo, dez foram condenados pela Justiça. A sentença, divulgada ontem, foi dada no dia 19 pela juíza Sueli Juarez Alonso. O julgamento do caso em que vereadores e empresários da cidade aliciavam meninas e adolescentes para prostituição em festas durou oito meses.
Outros dois envolvidos já tinham sido condenados no começo do ano. O garçom e suplente de vereador Walter de Oliveira Mafra (PTB) foi condenado a 67 anos de prisão, mas teve redução da pena pela metade por colaborar com a Justiça. Além de Mafra, que cumpre pena na penitenciária de Itaí, o empresário Carlos Alberto Rossi havia recebido sua condenação em janeiro. Ele terá que prestar serviços à comunidade durante quatro anos.
Dos outros dez condenados, a maior pena foi do ex-presidente da Câmara Luís César Lanzoni (PTB) — 45 anos de prisão. Outros seis acusados foram condenados a mais de 40 anos de prisão. O Ministério Público Estadual e a defesa vão recorrer.
Para o promotor Cassio Roberto Conserino, que apresentou as denúncias contra os políticos e empresários da cidade, a decisão da juíza foi bem aceita. Mas ele diz que irá recorrer dela, pois pediu a condenação de todos os acusados e dois foram absolvidos.
Os outros que tiveram condenações acima de 40 anos foram o empresário Nelson da Silva (41 anos de prisão) e os vereadores Gérson João Pellegrini (PV, a 41 anos), Edivaldo Biffi (PL, a 43 anos) e Luiz Gonzaga Mantovani Borceda (PSDB, a 43 anos) e João Lázaro Batista (PSDB, a 43 anos).
Todos foram condenados por corrupção de menores, favorecimento à prostituição e formação de quadrilha ou bando. O vereador Laerte Storti (PSDB) foi sentenciado a 43 anos pelos mesmos crimes, acrescido ainda por manter uma casa de prostituição.
O empresário Luiz Dozzi Tezza, o último dos acusados a ser preso, foi condenado a seis anos de prisão, em regime fechado, por crime hediondo (estupro). O funcionário público Paulo César da Silva, irmão de Nelson da Silva, pegou cinco anos em regime semi-aberto. João Batista Pellegrini, tio de Gérson e também empresário, terá de cumprir quatro anos, em liberdade, prestando serviços à comunidade. Os únicos absolvidos foram os empresários Roberto Dias Pinto e Ivo Capioglio, que nem chegaram a ser presos.
UM PAI FEZ A DENÚNCIA
O esquema de prostituição infantil em Porto Ferreira foi descoberto em 2002, a partir da denúncia de um pai que soube que a filha havia sido aliciada para participar das orgias. O caso teve repercussão nacional.Parlamentares da CPI da Exploração Sexual foram a Porto Ferreira e determinaram que fossem apuradas as denúncias envolvendo 13 homens, entre eles seis vereadores. As integrantes da comissão ouviram os acusados e as vítimas e deflagraram um processo em defesa da punição para os culpados.