17 novembro 2006

Resposta ao jurista Celso Panza, por um comentário sobre o texto " O LEITOR ELEITOR EXIGE ALTERAÇÃO NA LEI DE IMPRENSA" feito no site Vote Brasil


Caro Celso Panza

Fico contente por saber que visitas meu blog com freqüência. Em verdade, não tenho formação jurídica. Como os criminalistas, porém, convivi profissionalmente com a dor humana na condição de profissional da área da saúde. Daí o ardor partidário que me move e comove. Sou partidária dos ofendidos, dos humilhados, dos caluniados, das vítimas do poder desmedido da imprensa. Fico espantada e triste ao verificar que suas visitas a meu blog não o convenceram da necessidade de defender os oprimidos e os injustiçados. Tida e havida como Quarto Poder – de caráter medieval, pois é exercido por empresários, pode ser herdado e comprado – dada sua influência e importância, a imprensa carece das peias que cerceiam e ajustam os demais poderes. A Lei da Imprensa, fruto ainda do regime autoritário dos generais, não tem eficácia suficiente para coibir as práticas ignominiosas que recentemente foram rejeitadas nas urnas pela imensa maioria dos brasileiros. Muitos outros brasileiros, porém, deixaram de juntar-se a esta maioria por terem sido enganados, mistificados e iludidos pela manipulação dos fatos e das informações. Discordo de sua posição confortável, de que as vítimas deixaram de lutar por seus direitos, e reafirmo que esses direitos não estavam adequadamente resguardados. Na verdade, a Lei da Imprensa em seu formato atual é praticamente inócua, pois sua eventual aplicação ao longo dos anos não desestimulou a prática continuada de crime, ao contrário. Por isso advogo mais critério na tipificação do crime e mais rigor na aplicação da pena.
Atenciosamente
Jussara Seixas