04 outubro 2006

Temos projeto, argumentos e força para vencer
Não houve empate. Perdemos. Não alcançamos mais da metade de votos para vencer no primeiro turno. Sempre fomos os maiores defensores da eleição em dois turnos e estávamos certos. Agora, o país e nosso povo terão mais quatro semanas para decidir seu futuro, o rumo que queremos dar ao Brasil nos próximos quatro anos. Isto é democracia. Vamos respeitá-la e exigir que nossos adversários a respeitem. Mas, se Lula tivesse ganho com 0,1%, sabemos que estariam contestando a legitimidade das eleições e ameaçando o país com golpes e ingovernabilidade. Ou não é verdade?O país não está dividido em vermelho e azul por regiões. Lula venceu em Minas Gerais, no Rio de Janeiro e no Espírito Santo, na região Sudeste e pode avançar e muito no Sul, onde perdeu, e mesmo no Centro-Oeste, onde também perdeu. No Sul e no Centro Oeste, contou mais a incapacidade do governo Lula e de sua equipe econômica de combinar a necessária austeridade fiscal com soluções rápidas e eficazes para problemas como a seca e o câmbio valorizado. Ou seja, para as principais causas da insatisfação nessas regiões do país, onde o agronegócio é determinante e a própria indústria depende dele ou da exportação. Fora o fiasco da política fitossanitária do governo e o erro político de não apoiar o ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues em suas demandas, mais do que justas e razoáveis.O país não está dividido em classes, a popular com Lula e a média e alta com Alckmin. Isso também não é verdade. Lula tem apoio em amplos setores do empresariado e da classe média. O que não tem é maioria, como a que tem entre as classes populares. O país está dividido, em grande parte, sobre seu futuro, sobre qual governo quer e sobre a questão ética – na qual, até hoje, a oposição não provou em nada qualquer responsabilidade do presidente e mesmo do governo nas denúncias investigadas à exaustão por CPIs, Polícia Federal e Ministério Público. Empenho como nunca se viu no governo de FHC e nem nos governos estaduais e municipais do PSDB, como acabamos de ver no Estado de São Paulo e na cidade de Piracicaba (SP), onde todas as investigações são literalmente enterradas pelo tucanos.Toda a histeria denuncista da oposição, apoiada e ampliada pela mídia, visa esconder o verdadeiro debate e busca derrotar Lula e o PT. Para comprovar, temos o caso das fotos, onde o ilícito vale (o delegado pode e deve violar a lei, já que serve aos propósitos da oposição). Já no caso do caseiro, bastou a suspeição de quebra de seu sigilo bancário para que a mídia toda se levantasse contra o governo e o ex-ministro Palocci. A verdade é que Lula obteve mais de 48% de votos e pode vencer, deve e precisa vencer, para continuar o melhor governo dos últimos 20 anos e para avançar nas reformas política e administrativa que podem eliminar da vida política brasileira a corrupção. E garantir, ao mesmo tempo, nosso desenvolvimento com distribuição de renda.Ouso dizer que o presidente devia se licenciar e percorrer o país; devia ele mesmo dirigir a campanha e as negociações de alianças nos Estados em que teremos eleições em segundo turno. São dez Estados, dos quais três do Sul e um do Centro Oeste, onde ele precisa crescer muito, e temos quatro Estados do Nordeste, onde ele crescerá ainda mais. No Norte, temos o Pará, e no Sudeste, o Rio – Estados em que Lula venceu e pode crescer. Temos que cuidar de Minas Gerais, pois Lula venceu lá e pode decidir a eleição no segundo turno. E temos que diminuir a diferença para Alckmin em São Paulo. E isso é possível.Precisamos e queremos os debates no programa eleitoral e na mídia, para discutir e comparar o governo tucano de oito anos com o de Lula, e comparar o Brasil que herdamos com o Brasil de hoje. E para apresentarmos o que fizemos e o que faremos nos próximos quatro anos. Temos que nos apoiar nos quatro governadores eleitos e com eles dirigir a campanha no segundo turno; buscar a experiência dos prefeitos reeleitos em 2004 e das novas lideranças eleitas nos Estados, ontem, para o Parlamento. Só com a liderança de Lula é que podemos vencer. O PT demonstrou, mais uma vez, que tem raízes profundas no Brasil e saiu vencedor, elegendo 83 deputados federais, fortes bancadas estaduais, dois senadores e quatro governadores. Obteve ainda significativa votação para o Senado em vários Estados e, certamente, crescerá nas eleições de 2008. Para o eleitorado progressista, particularmente para os que votaram em Heloísa Helena e Cristovam Buarque – que estão diante da alternativa de derrotar a direita ou serem cúmplices de um novo ciclo conservador no país.Nossa expectativa é que os movimentos sociais progressistas se alinhem ainda mais a candidatura Lula no segundo turno. Até hoje o candidato tucano não disse ao país a que veio; pelo contrário, sua campanha foi uma dissimulação sobre os principais problemas do Brasil. Agora, com o tempo na TV e os debates, poderemos confrontar o seu programa com o de Lula e compararmos o governo de FHC com o nosso.Não temos o que temer, é a hora da verdade. Temos que ocupar as ruas, enfrentar aqueles que nos querem intimidar e nos expulsar da vida política brasileira. Não nos faltam exemplos de que vale a pena votar em Lula para governar o Brasil mais quatro anos. Fonte: blog do Zé Dirceu.