POR FORA BELA VIOLA POR DENTRO PÃO BOLORENTO
Me enviado por e-mail por Julio César
Uma roda de bacanas é altamente competitiva quando cada um quer mostrar como seus gostos, conhecimentos e posses são superiores. Mas fica rapidamente cúmplice quando se trata de malhar seres que consideram, inclusive para se dar um realce, inferiores. Estive numa roda dessas nas vésperas do confronto Lula x Serra. Se sentindo entre "iguais", malharam Lula como se fosse Judas em final de semana santa.
Pé-rapado, vindo do nordeste e do sindicalismo operário, como Lula poderia ser presidente do mesmo Brasil que a classe deles vem dominando há 500 anos? Um cara feio, barbudo, deselegante, falando errado, amigo de sindicalistas da CUT, estudantes da UNE e camponeses do MST? Seria o mesmo que instalar o CAOS, com dólar disparando, ações caindo na bolsa de valores, contratos internacionais rasgados, empresários perseguidos, invasões de propriedades no campo e na cidade, imprensa livre censurada... NÓS, tão bem representados dentro do restaurante caro, ficaríamos na rua da amargura.
Ouvia calado o arrotar de preconceitos de uma classe que tão bem conheço, quando alguém, educadamente, resolveu me inserir no contexto. Felizmente livre de tutelas, resolvi desafinar o coro dos contentes: "Vou votar no Lula justamente por ele ser analfabeto, falar "menas", deixar o dólar subir, as ações cairem, as propriedades serem invadidas, a imprensa calada. É que estou de saco cheio de tantos doutores ilustres que vêm governando há 500 anos e mantendo o Brasil desigual até hoje".
Na mesma época, 2002, assisti a uma reunião da campanha do PSDB com um secretário de governo do Tasso e um empresário beneficiado pelo BNB, então loteado pela dupla FHC/Tasso. Falando a operários, os representantes do tassismo ameaçavam com o que seria a politica petista no longinquo Rio Grande do Sul que estaria fechando fábricas e desempregando todos os gaúchos. Baixarias assim explícitas acabaram elegendo, com escassa diferença, Lúcio Alcântara. Baixarias escondidas transformaram o senador patrocinador e o governador patrocinado em inimigos.
Passada a eleição com a vitória de Lula, com a sempre bem remunerada parcialidade da mídia, as baixarias continuaram. Tudo que havia sido entremostrado ou escamoteado DURANTE 8 ANOS sob as plumas coloridas e os bicos avantajados dos tucanos de FHC, foi exposto aos holofotes. Todos os 500 anos de exploração externa e interna, negociatas, desvios de verbas, superfaturamentos, privatizações danosas ao Brasil, desemprego, dívida externa, salários menos que mínimos, corrupção política etc etc etc foi atribuído inapelavelmente aos poucos anos de governo do sindicalista nordestino.
"Apedeuta" ("indivíduo sem instrução"), "mulla", "caipira", "molusco", "sapo", "jeca", "gangster", "chefe de quadrilha", "feio", a lista de insultos é um espelho dos preconceitos dos atacantes. Isso fica bem claro com a repetição exaustiva de "cachaceiro". A vergonha da pinga aqui produzida deu origem a esse xingamento que não tem correspondente para os que tomam porre do uísque (whisky) orgulhosamente importado.
Em terreno tão semeado de ofensas vicejou uma fartura de ameaças que vão do impedimento do presidente eleito a tapas na cara, surras e destruição. Pelo menos por 30 anos. Não só do eleito como de toda nossa "raça" de eleitores ignorantes.
Como que de encomenda, Geraldo Alckmin representa o modelo que os "bem nascidos" adoram exibir em público. Paulista, casado com uma senhora de 400 vestidos exclusivos, uma filha trabalhando no mais ostensivo templo do consumo de luxo do país, com canudo de doutor-médico, político levado pela poderosa riqueza paulista ao posto mais elevado do estado, seguidor de uma seita com inegáveis serviços prestados aos fascistas espanhóis e à grande mídia reacionária mundial, o cara tem até o physique du rôle, o tipo adequado ao papel. Alto, esquio, nariz afilado, lábios finos, dentadura perfeita, cabelos grudados, óculos de intelectual, ternos bem cortados, camisas brancas e a indefectível gravata que os colonizados se obrigam a usar, mesmo no calor, numa colonizada subserviência a costumes de climas frios. Parece sempre saído do banho, desodorizado com fragrância cítrica e hálito recém refrescado por hortelã.
Protegido pela aparência de "fino", ATÉ AGORA bastou manter o amparo dos poderosos de sempre. Políticos cúmplices trataram de engavetar 59 CPIs sobre possíves escândalos de seu longo mandarinato governamental. A mídia bem vendida e melhor paga cuida do resto que é manter a aura de limpo e jogar quaisquer sujeiras reais ou inventadas nos adversários. Mesmo o PCC, estruturado em seu longo mandato e que ele publicamente considerou superado antes que explodisse no colo do sucessor Lembo que se vingou incluindo-o com muita propriedade na "elite branca perversa". "Sepulcro caiado", na condenação religiosa. No popular: "por fora bela viola, por dentro pão bolorento".
Júlio César Montenegro
Pé-rapado, vindo do nordeste e do sindicalismo operário, como Lula poderia ser presidente do mesmo Brasil que a classe deles vem dominando há 500 anos? Um cara feio, barbudo, deselegante, falando errado, amigo de sindicalistas da CUT, estudantes da UNE e camponeses do MST? Seria o mesmo que instalar o CAOS, com dólar disparando, ações caindo na bolsa de valores, contratos internacionais rasgados, empresários perseguidos, invasões de propriedades no campo e na cidade, imprensa livre censurada... NÓS, tão bem representados dentro do restaurante caro, ficaríamos na rua da amargura.
Ouvia calado o arrotar de preconceitos de uma classe que tão bem conheço, quando alguém, educadamente, resolveu me inserir no contexto. Felizmente livre de tutelas, resolvi desafinar o coro dos contentes: "Vou votar no Lula justamente por ele ser analfabeto, falar "menas", deixar o dólar subir, as ações cairem, as propriedades serem invadidas, a imprensa calada. É que estou de saco cheio de tantos doutores ilustres que vêm governando há 500 anos e mantendo o Brasil desigual até hoje".
Na mesma época, 2002, assisti a uma reunião da campanha do PSDB com um secretário de governo do Tasso e um empresário beneficiado pelo BNB, então loteado pela dupla FHC/Tasso. Falando a operários, os representantes do tassismo ameaçavam com o que seria a politica petista no longinquo Rio Grande do Sul que estaria fechando fábricas e desempregando todos os gaúchos. Baixarias assim explícitas acabaram elegendo, com escassa diferença, Lúcio Alcântara. Baixarias escondidas transformaram o senador patrocinador e o governador patrocinado em inimigos.
Passada a eleição com a vitória de Lula, com a sempre bem remunerada parcialidade da mídia, as baixarias continuaram. Tudo que havia sido entremostrado ou escamoteado DURANTE 8 ANOS sob as plumas coloridas e os bicos avantajados dos tucanos de FHC, foi exposto aos holofotes. Todos os 500 anos de exploração externa e interna, negociatas, desvios de verbas, superfaturamentos, privatizações danosas ao Brasil, desemprego, dívida externa, salários menos que mínimos, corrupção política etc etc etc foi atribuído inapelavelmente aos poucos anos de governo do sindicalista nordestino.
"Apedeuta" ("indivíduo sem instrução"), "mulla", "caipira", "molusco", "sapo", "jeca", "gangster", "chefe de quadrilha", "feio", a lista de insultos é um espelho dos preconceitos dos atacantes. Isso fica bem claro com a repetição exaustiva de "cachaceiro". A vergonha da pinga aqui produzida deu origem a esse xingamento que não tem correspondente para os que tomam porre do uísque (whisky) orgulhosamente importado.
Em terreno tão semeado de ofensas vicejou uma fartura de ameaças que vão do impedimento do presidente eleito a tapas na cara, surras e destruição. Pelo menos por 30 anos. Não só do eleito como de toda nossa "raça" de eleitores ignorantes.
Como que de encomenda, Geraldo Alckmin representa o modelo que os "bem nascidos" adoram exibir em público. Paulista, casado com uma senhora de 400 vestidos exclusivos, uma filha trabalhando no mais ostensivo templo do consumo de luxo do país, com canudo de doutor-médico, político levado pela poderosa riqueza paulista ao posto mais elevado do estado, seguidor de uma seita com inegáveis serviços prestados aos fascistas espanhóis e à grande mídia reacionária mundial, o cara tem até o physique du rôle, o tipo adequado ao papel. Alto, esquio, nariz afilado, lábios finos, dentadura perfeita, cabelos grudados, óculos de intelectual, ternos bem cortados, camisas brancas e a indefectível gravata que os colonizados se obrigam a usar, mesmo no calor, numa colonizada subserviência a costumes de climas frios. Parece sempre saído do banho, desodorizado com fragrância cítrica e hálito recém refrescado por hortelã.
Protegido pela aparência de "fino", ATÉ AGORA bastou manter o amparo dos poderosos de sempre. Políticos cúmplices trataram de engavetar 59 CPIs sobre possíves escândalos de seu longo mandarinato governamental. A mídia bem vendida e melhor paga cuida do resto que é manter a aura de limpo e jogar quaisquer sujeiras reais ou inventadas nos adversários. Mesmo o PCC, estruturado em seu longo mandato e que ele publicamente considerou superado antes que explodisse no colo do sucessor Lembo que se vingou incluindo-o com muita propriedade na "elite branca perversa". "Sepulcro caiado", na condenação religiosa. No popular: "por fora bela viola, por dentro pão bolorento".
Júlio César Montenegro