O exemplo de São Paulo
Um dos estados mais auto-referenciados do Brasil é provavelmente São Paulo. Talvez por ter sido tanto tempo capital federal, o Rio reconhece mais sua inserção no Brasil, no mundo. Pelo menos é o que se pode depreender do nome de tradicionais jornais cariocas, como Jornal do Brasil, O Globo, ou da importante avenida Brasil. Mais voltados para si mesmos, os paulistas, oferecem uma Folha e um Estado de São Paulo e a avenida Paulista.
Se bem que pareçam pertencer ao passado fumaças isolacionistas, o rico estado já quis se separar do "resto" do Brasil em 1932. Foi uma revolta sangrenta contra um presidente revolucionário nascido no Rio Grande do Sul. Na ocasião circulavam mapas onde o formato de São Paulo virava a cabeça da deusa da república com um lenço da bandeira estadual. E paulistas se orgulhavam de ostentar anéis baratos informando "dei ouro para São Paulo" para ajudar a tal separação.
São ainda bem conhecidas antigas pretensões como a de não poder parar por ser a locomotiva do Brasil. Mais recentemente o ex-prefeito Serra quis isentar nativos(?!) e atribuir a forasteiros(?!) nordestinos mazelas que afligem todo o mundo moderno e superpovoado.
Nascimentos e mortes, normais até em clãs "tradicionais", talvez tenham diluido um pouco o ostentado orgulho de famílias que queriam fundar suas origens em referências quase tão antigas quanto os neandertais. Gente que reutilizava os nomes dos pais e citava seus pares juntando os 4 ou 5 sobrenomes tidos como de famílias "quatrocentonas".
Famílias teoricamente descendentes dos bandeirantes predadores de riquezas e índios, onde quer que fossem encontrados, e assim construiram as fortunas herdadas pelos seguidores. Esses, agradecidos, erigiram o imponente monumento às expedições saqueadoras.
No estado, enriquecido pela fértil terra roxa e o trabalho dos imigrantes, respeitados europeus ou discriminados nordestinos, até hoje são extremamente bem cotados politicamente os que souberam alavancar poder e/ou fortunas.
Basta vez a espetacular votação que teve Paulo Maluf, confirmando sua aceitação anterior como prefeito, governador, candidato a presidente. E reforçando uma linha política que passa por Adhemar de Barros, Jânio Quadros, Quércia, todos muito queridos pelos paulistas e paulistanos por suas capacidades de acumularem poder e riqueza.
Jânio, cuja espetacular ascenção na política estadual levou-o à Presidência, é um exemplo marcante do peculiar bairrismo do orgulhoso estado. Mesmo depois de renunciar intempestivamente à presidência e precipitar o Brasil na crise institucional que levou ao parlamentarismo imposto e ao golpe ditatorial com cassações, prisões, torturas e assassinatos, foi premiado pelo eleitorado paulistano com a prefeitura da capital.
Agora a maioria de seus eleitores oferece mais uma vez ao Brasil um de seus filhos ilustres. Geraldo Alckmin, baseado numa governança que, entre outros exemplos, pode oferecer privatizações apressadas, 59 CPIs generosamente engavetadas e uma organização criminosa estruturadamente atuante, embora alegadamente desbaratada nos 12 anos em que seu Partido Só De Bicões regeu São Paulo. É muita sacanagem do velho São Paulo do dinheiro e da tradição com o novo Brasil do trabalho e da produção.
Um dos estados mais auto-referenciados do Brasil é provavelmente São Paulo. Talvez por ter sido tanto tempo capital federal, o Rio reconhece mais sua inserção no Brasil, no mundo. Pelo menos é o que se pode depreender do nome de tradicionais jornais cariocas, como Jornal do Brasil, O Globo, ou da importante avenida Brasil. Mais voltados para si mesmos, os paulistas, oferecem uma Folha e um Estado de São Paulo e a avenida Paulista.
Se bem que pareçam pertencer ao passado fumaças isolacionistas, o rico estado já quis se separar do "resto" do Brasil em 1932. Foi uma revolta sangrenta contra um presidente revolucionário nascido no Rio Grande do Sul. Na ocasião circulavam mapas onde o formato de São Paulo virava a cabeça da deusa da república com um lenço da bandeira estadual. E paulistas se orgulhavam de ostentar anéis baratos informando "dei ouro para São Paulo" para ajudar a tal separação.
São ainda bem conhecidas antigas pretensões como a de não poder parar por ser a locomotiva do Brasil. Mais recentemente o ex-prefeito Serra quis isentar nativos(?!) e atribuir a forasteiros(?!) nordestinos mazelas que afligem todo o mundo moderno e superpovoado.
Nascimentos e mortes, normais até em clãs "tradicionais", talvez tenham diluido um pouco o ostentado orgulho de famílias que queriam fundar suas origens em referências quase tão antigas quanto os neandertais. Gente que reutilizava os nomes dos pais e citava seus pares juntando os 4 ou 5 sobrenomes tidos como de famílias "quatrocentonas".
Famílias teoricamente descendentes dos bandeirantes predadores de riquezas e índios, onde quer que fossem encontrados, e assim construiram as fortunas herdadas pelos seguidores. Esses, agradecidos, erigiram o imponente monumento às expedições saqueadoras.
No estado, enriquecido pela fértil terra roxa e o trabalho dos imigrantes, respeitados europeus ou discriminados nordestinos, até hoje são extremamente bem cotados politicamente os que souberam alavancar poder e/ou fortunas.
Basta vez a espetacular votação que teve Paulo Maluf, confirmando sua aceitação anterior como prefeito, governador, candidato a presidente. E reforçando uma linha política que passa por Adhemar de Barros, Jânio Quadros, Quércia, todos muito queridos pelos paulistas e paulistanos por suas capacidades de acumularem poder e riqueza.
Jânio, cuja espetacular ascenção na política estadual levou-o à Presidência, é um exemplo marcante do peculiar bairrismo do orgulhoso estado. Mesmo depois de renunciar intempestivamente à presidência e precipitar o Brasil na crise institucional que levou ao parlamentarismo imposto e ao golpe ditatorial com cassações, prisões, torturas e assassinatos, foi premiado pelo eleitorado paulistano com a prefeitura da capital.
Agora a maioria de seus eleitores oferece mais uma vez ao Brasil um de seus filhos ilustres. Geraldo Alckmin, baseado numa governança que, entre outros exemplos, pode oferecer privatizações apressadas, 59 CPIs generosamente engavetadas e uma organização criminosa estruturadamente atuante, embora alegadamente desbaratada nos 12 anos em que seu Partido Só De Bicões regeu São Paulo. É muita sacanagem do velho São Paulo do dinheiro e da tradição com o novo Brasil do trabalho e da produção.
Enviado pelo amigo Julio César por e-mail