06 outubro 2006

Articulador de Alckmin defende privatização da Petrobras
O ex-ministro das Comunicações no governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB), o empresário e economista Luiz Carlos Mendonça de Barros, é um dos principais articuladores do programa de governo do candidato à presidência, Geraldo Alckmin (PSDB), e defensor da pritivatização da Petrobras. No programa tucano não consta abertamente a proposta de venda da Petrobras para o capital privado, mas três itens do documento indicam, com outras palavras, que o rumo a ser adotado, no caso de vitória da direita, será mesmo o da privatização de uma das principais estatais brasileiras.
No programa tucano, no capítulo sobre política energética, a proposta de governo de Geraldo Alckmin diz que o tucano irá "estabelecer parcerias com a iniciativa privada para o crescimento do setor (de energia)"; “incentivar a participação da iniciativa privada em companhias de distribuição de gás natural”` e “`incentivar a entrada de novos agentes no mercado de refino e transporte de petróleo e gás natural”.
Apesar de a proposta de novas privatizações estar disfarçada no programa tucano, Mendonça de Barros já deu declarações à imprensa defendendo abertamente a venda de estatais. Em entrevista à revista Exame, já em junho de 2005, Mendonça de Barros defendeu a privatização da maior e mais lucrativa empresa estatal da América Latina.
Questionado sobre o que deveria ser privatizado, ele afirmou: ``Há muita coisa ainda, como os serviços portuários, as estradas de rodagem, o setor elétrico, a Petrobras``. Indagado se a privatização da Petrobras não seria extremamente polêmica, Mendonça de Barros afirmou: ``Sem dúvida. Ainda não tenho opinião formada sobre o assunto, mas se eu estivesse no próximo governo, trabalharia forte na privatização da Petrobras. Esse não é um projeto simples. Tem de ser muito bem estudado, muito bem planejado. Mas acho que deveríamos quebrar esse monopólio que hoje não se justifica. Privatizar ou não é uma questão que tem de ser avaliada de maneira objetiva, não ideológica. Não tenho nada contra a empresa pública, mas quando a empresa pública não tem mais razão de existir, ela precisa ser extinta, e, o negócio, vendido para a iniciativa privada``.
Na avaliação do deputado Carlito Merss (PT-SC), as afirmações de Mendonça de Barros e do PSDB são preocupantes, e a realização de um segundo turno das eleições presidenciais se revelou importante para que a população conheça melhor a estratégia dos candidatos tucanos. “O segundo turno acabou sendo importante porque Mendonça de Barros já se empolgou e agora todos terão a possibilidade de ver o risco de um eventual governo do PSDB”, disse.
Para o deputado Jorge Bittar (PT-RJ), “os tucanos aprofundaram o processo de privatizações de forma escandalosa, tanto pela falta de critérios como pelas suspeições que foram levantadas em torno da atuação de dirigentes do então governo tucano e do BNDES no estabelecimento de valores de venda e no beneficiamento de grupos interessados em adquirir essas empresas”, disse.
A deputada Luci Choinacki (PT-SC) também criticou nesta quarta-feira a posição tucana e citou, em plenário, reportagem que abre o caderno de Economia desta quarta-feira do jornal Correio Braziliense.
A matéria, sob o título de “ Sutis diferenças”, afirma que, apesar de muitos economistas considerarem que, com Lula ou Alckmin no Palácio do Planalto, não haverá mudanças na política econômica, “há sim diferença entre eles”. Segundo o texto, Alckmin “é privatista e certamente colocará na agenda a venda de empresas que ainda permanecem sob o controle do Estado, como as de energia elétrica”. Para Luci Choinacki, “votar em Alckmin é reeleger um projeto de venda do Brasil e um projeto de destruição do patrimônio público”.
Bancos
Não apenas Mendonça de Barro fala em retomar as privatizações. Segundo o Portal Vermelho, o candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, declarou em entrevista concedida ao jornal O Globo, em janeiro deste ano, que pretende retomar a política de privatizações implementada pelo governo FHC. Alckmin citou os bancos estaduais entre suas prioridades. ``A maioria já foi privatizada, mas deveriam ser todos. Tem muita coisa que se pode avançar. Susep, sistema de seguros, tem muita coisa que se pode privatizar``, disse.
Segundo Carlito Merss, Geraldo Alckmin é “um predador de serviços públicos que fez o desmonte da segurança pública e da educação em São Paulo”, disse. “Menos mal que eles mostraram as unhas a tempo. O projeto de retomada de privatizações tucano inclui também o BESC (Banco do Estado de Santa Catarina, federalizado), e o Banrisul ( Banco do Estado do Rio Grande do Sul SA, banco múltiplo público estadual). Temos três semanas para fazer o debate com a população brasileira”, destacou.
Agência Informes (www.informes.org.br) com Portal Vermelho