18 setembro 2006


Manifesto: Empresários apóiam Lula por um país mais justo e democrático
Empresários de diversos ramos da atividade econômica divulgaram nesta sexta-feira (15), em São Paulo, um manifesto em apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Ao tornar pública nossa posição, reafirmamos que um país justo e democrático é construído com participação de todos, sem preconceitos. A caminhada deve prosseguir porque o Brasil mudou e vai continuar mudando”, diz o documento, que já conta com 80 assinaturas e está aberto a novas adesões.

Entre os apoiadores estão representantes dos setores de construção civil, têxtil, imobiliário, educação, saúde, agronegócio, telecomunicações, transportes, comércio e serviços, além de profissionais liberais.

No lançamento do manifesto, Lawrence Pih, um dos coordenadores do Comitê de Empresários Lula Presidente, destacou que o apoio à reeleição vai além da questão circunstancial.

“Como empresários, temos uma responsabilidade social. Nossa tarefa e desafio não é apenas acumular riqueza e aumentar nossas empresas. Temos uma função social efetiva. E, por esse motivo, a sintonia ideológica com o Partido dos Trabalhadores e com o governo Lula”, disse Pih, enfatizando que não há crescimento econômico sem justiça social.

Ele lembrou que o momento atual é muito melhor do que em 2003, primeiro ano do governo Lula. “Havia uma situação de insegurança econômica no país. Agora, a situação é totalmente diferente. Temos números macroeconômicos muito sólidos”.

Lawrence Pih citou os esforços do governo Lula para praticamente zerar a dívida externa do setor público, avanço acompanhado da redução da dívida interna em relação ao PIB (Produto Interno Bruto), que caiu de 58% para perto de 50%.

Também falou do controle da inflação, da auto-suficiência em petróleo e dos seguidos recordes do superávit comercial, ações que contribuíram para o equilíbrio das contas externas. “O nosso risco no passado sempre foi a nossa vulnerabilidade externa. Hoje isso não existe mais”, disse.

O empresário rebateu as críticas aos índices de crescimento econômico. Afirmou que o país só não está crescendo a taxas de 5% ou 6% ao ano porque a economia do país passava por constrangimentos históricos.

“Era preciso primeiro arrumar a casa. E foi isso o que o governo Lula fez, porque encontrou a casa totalmente desarrumada”, destacou. Ele lembrou ainda da crise do apagão no governo FHC, que levou ao racionamento de energia, à queda na produção e à conseqüente redução do PIB.

“Os outros governos foram incompetentes em muitas coisas e nós fomos competentes em muitas coisas, haja visto o quadro macroeconômico”, analisou.

Segundo Pih, outra crítica comum, relativa à taxa de juros, esconde o fato de que a Selic vêm caindo seguidamente desde setembro de 2005 e que essa queda acumulada já proporciona uma economia ao país da ordem de R$ 60 bilhões por ano.

Ele também falou da importância da reforma política, para que a discussão sobre outras reformas seja aprofundada e debatida com seriedade. “E nós, empresários, estamos nessa empreitada para apoiar o presidente em seu segundo mandato, para que possamos crescer em níveis que o Brasil merece e precisa”, finalizou.


Presente ao lançamento do manifesto, Ricardo Berzoini, presidente nacional do PT e coordenador-geral da campanha Lula, saudou a iniciativa de mobilização dos empresários e também fez considerações a respeito o estado atual da economia.

“Estamos num momento positivo. Em 2002, muita gente dizia que não ia votar no presidente Lula porque acreditava que aquela coligação não dispunha de instrumentos e quadros para gerenciar a crise econômica”, lembrou Berzoini.

Ele ressaltou que, ao contrário do que imaginava, o governo Lula conseguiu, em três anos e meio, fazer as mudanças de que o país necessitava, citando a geração de 4,5 milhões de empregos formais, o saldo da balança comercial, o controle da inflação e a queda contínua dos juros.

“Nós temos algo ainda melhor para o próximo período, porque o segundo mandato, se o povo brasileiro confirmar o que dizem as pesquisas de opinião, já partirá do patamar da casa arrumada. Temos hoje a condição de partir já em velocidade de cruzeiro”, concluiu.

Berzoini ressaltou que, embora o quadro econômico seja bom, não é apenas essa a preocupação do governo Lula. “Nós temos um grande desafio, que é a superação das desigualdades”, disse, afirmando que para esse, o principal instrumento será a recuperação da qualidade do ensino fundamental.

“Essa meta vai ser trabalhada com obstinação pelo presidente Lula e todo o seu ministério, porque nós podemos, a partir daí, de fato requalificar nossa presença no mundo e a nossa condição social interna”, encerrou.

Leia abaixo a íntegra do manifesto de empresários em apoio à reeleição do presidente Lula:


MANIFESTO

Nós, cidadãos e cidadãs abaixo-assinados, que atuamos no segmento empresarial, considerando:

1) que é direito de todo cidadão participar da vida política do país;
2) que é direito de todo cidadão, ao assumir uma posição política, expressá-la de forma transparente e pública;
3) que o Brasil combina atualmente, no plano macroeconômico, diversas medidas de estímulo ao crescimento;
4) que é necessário continuar, ampliar e aprofundar o processo de mudanças e reformas que o Brasil vem realizando na busca de maior desenvolvimento econômico com justiça social,

Manifestamos:

1) Nosso apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do vice-presidente José Alencar, candidatos da coligação “A Força do Povo” à Presidência da República;
2) Nosso compromisso de ampliar esse apoio entre colegas empresários;
3) Nossa disposição em manter toda a colaboração necessária às iniciativas que visem:
a) maior geração de renda e trabalho;
b) a promoção da dignidade do povo brasileiro por meio de políticas de combate à desigualdade social;
c) a ampliação da cidadania;
d) e o desenvolvimento sustentável.

Ao tornar pública nossa posição, reafirmamos que um país justo e democrático é construído com a participação de todos, sem preconceitos. A caminhada deve prosseguir porque o Brasil mudou e vai continuar mudando.

São Paulo, 15 de setembro de 2006.