PF usa 100 agentes na caçada ao PCC
Eles desembarcaram em SP para a segunda fase da Operação Facção Toupeira; número de presos chega a 42
Marcelo Godoy
Depois de estragar a festa do Primeiro Comando da Capital em Porto Alegre, a Polícia Federal voltou-se para São Paulo, deslocando homens e helicópteros para caçar bandidos do PCC. Quase uma centena de agentes desembarcou ontem no Estado para iniciar a segunda fase da Operação Facção Toupeira: a busca pelo patrimônio, documentos, armas e drogas do crime organizado.Em Peruíbe, os agentes federais encontraram cerca de R$ 450 mil em notas de R$ 50,00 furtadas do Banco Central de Fortaleza. O dinheiro faz parte dos R$ 164 milhões levados em 2005 por meio de um túnel, e estava em uma casa de praia de Geovan Laurindo, irmão de Lucivaldo Laurindo, o Torturado ou Tatuzão, mentor do furto milionário do Ceará.A polícia verificará se a casa foi comprada com dinheiro do crime para pedir o seu seqüestro à Justiça. Outros imóveis podem ter o mesmo destino. Além de São Paulo, os federais expandiram a operação para mais três Estados: Paraná, Mato Grosso e Tocantins. Neste, uma pessoa foi presa e seis, detidas ontem. Anteontem, os agentes haviam cumprido mandados de prisão e feito buscas em outros cinco Estados. Até agora, pelo menos 42 pessoas foram presas pela PF. Outras seis estão foragidas.Em São Paulo, os federais iniciaram às 7 horas as buscas na capital e na região metropolitana. Um dia antes, haviam detido sete pessoas, apreendido revólveres e uma pequena quantidade de dinheiro. As equipes chefiadas pelo delegado Marcelo Sabadin Salazar, da Delegacia de Crimes Contra o Patrimônio, revistaram dez endereços, entre eles, a casa em Peruíbe. O material apreendido foi ensacado e enviado a Brasília. Os imóveis revistados são de integrantes do grupo e seus parentes. As investigações indicam que a maior parte do dinheiro furtado do BC por ladrões e traficantes ligados ao PCC foi usada para compra de imóveis e drogas. A PF tenta ainda prender dois líderes da facção.A operação de ontem complementa a de sexta-feira, que representou a maior vitória da PF no combate ao crime organizado. Os bandidos detidos planejavam o furto simultâneo de milhões guardados nos cofres do Banrisul e da Caixa Econômica Federal no centro de Porto Alegre. Para isso, compraram por R$ 1,2 milhão um prédio a partir do qual estavam construindo um túnel para entrar nos bancos. O trabalho deveria ser concluído em 7 de setembro, programado para ser o Dia D do PCC na guerra que iniciou em maio contra as autoridades paulistas.Além de desbaratar a quadrilha, agentes prenderam dois líderes do grupo: Lucivaldo e Carlos Antônio da Silva, o Balengo ou BL. Este é suspeito ainda de seqüestrar o jornalista Guilherme Portanova e o assistente Alexandre Calado, da TV Globo.CATANDUVASOntem, a PF revelou que entre os 26 bandidos presos em Porto Alegre estava Marcelo Ventola, de 27 anos, um dos maiores ladrões de condomínio de São Paulo. Integrante do grupo liderado por Alexandre Pires Ferreira, o ET, ele havia participado em 2005 de outra tentativa de atacar o Banrisul em Porto Alegre - a tática escolhida na época foi o seqüestro da família de um gerente, em vez do túnel.Ventola é acusado ainda do ataque ao ABN-Amro Bank, no Paraguai. Ele, Balengo, Lucivaldo, Geovan e Jean Ricardo Galean, o Jean Gordo - que também participou do furto no Ceará - devem ser mandados para a penitenciária federal de Catanduvas, no Paraná.
Fonte Estadão