11 setembro 2006

DESESPERO DO INFELIZ FHC

08/09/2006 - 18:41 Berzoini: carta visa a recolocar FHC na campanha, contra decisão do PSDB
O presidente nacional do PT, deputado federal Ricardo Berzoini (SP), lamentou, nesta sexta-feira, a “ansiedade” do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em querer se recolocar na política. Em carta ao PSDB, FHC faz autocrítica e ataca o PT e o presidente Lula.

“Deve ser muito deprimente você presidir o Brasil por oito anos e amargar uma rejeição da população e de seu próprio partido. É um nível de rejeição que atrapalha o próprio candidato do PSDB, por isso o partido não dá espaço para que ele defenda seus oito anos de governo no programa eleitoral do seu candidato”, analisou o dirigente petista.

Para Berzoini, esta carta tem o sentido de revelar o desejo do ex-presidente participar da campanha e influenciar nas decisões. “Parece-me que, no PSDB, há um movimento para tirá-lo da campanha. Mas, isso é um assunto do PSDB e o PT não vai se imiscuir nas decisões deles”, enfatizou.

Incompatível
Berzoini não atribui “grande importância” à carta. Para ele, o ex-presidente está desempenhando um papel aquém daquilo que se esperava dele. “Se fosse um político qualquer, tudo bem, mas em se tratando de um presidente da República, deveria cuidar mais da interlocução. São considerações pejorativas sobre o PT, de uma pessoa que amarga a triste sensação de, depois de oito anos como presidente, ser amplamente rejeitado pela população”, ponderou o petista.

Na opinião do presidente do PT, há uma certa ansiedade de FHC, que acaba por manifestar opiniões “absolutamente incompatíveis” com o que aconteceu em seu governo. Berzoini citou o fato do ex-presidente ter usado de “todos os expedientes” para impedir CPIs, retirar a autonomia do Ministério Público e calar qualquer tipo de investigação da Polícia Federal.

“É surpreendente que o presidente FHC venha, agora, criticar quem equipou a Polícia Federal, criou mecanismos novos de investigação, estruturou a Controladoria Geral da União e deu total liberdade para o Ministério Público investigar”, pontuou. Berzoini ainda lembrou que Lula sofreu três CPIs que buscaram “centralmente” atacar seu governo e “não conseguiram obter provas de nenhum tipo prova de corrupção sistêmica”.

Berzoini rememorou o fato do ex-presidente FHC ter sido flagrado, por meio de uma gravação ilegal, articulando um consórcio de empresas para participar das privatizações das teles. “Uma pessoa que esteve envolto nessas circunstâncias, evidentemente, tem que pensar duas vezes antes de fazer qualquer tipo de ataque. No nosso governo tudo é apurado e investigado”, acrescentou.

Obsessão
Para Berzoini, há uma obsessão na campanha adversária em discutir o tema da ética que, embora seja importante, “não é o único tema de uma eleição”. De qualquer forma, Berzoini concorda que a autocrítica seja cabível. “Eles trataram esse assunto com dois pesos e duas medidas. Esta autocrítica demonstra que nós tínhamos razão, há alguns meses atrás. Porque eles estavam tratando de maneira desigual situações de caixa dois em partidos diferentes”.

Berzoini lamentou que a campanha do PSDB seja “só isso”. “Eles não têm programa para o país e ficam tentando o tempo todo caracterizar nossos partidos como anti-éticos. Eles sabem que esse discurso está fadado ao fracasso. Quem não tem proposta não pode disputar eleição com chance de ganhar”.

Gangsterismo
Berzoini também comentou declarações da senadora Heloisa Helena, candidata à Presidência pelo Psol, de que Lula seria um gangster capaz de matar e roubar. Ele disse que não se surpreende com o “linguajar e verborragia” da senadora. “Ela foi expulsa do partido por desrespeitar, permanentemente, as pessoas”, lembrou ele.

Em sua opinião, ninguém leva a sério esse tipo de posicionamento eleitoral. Uma prova disso seria a queda consecutiva da candidata nas pesquisas de intenção de voto. “A população não quer ouvir essas ofensas de baixa qualificação. Eu tenho dito que ela tem dado consultoria à oposição. Esse tom não agrada ao povo. Se esse tom agradasse, o Alckmin teria subido na campanha”, falou.

Berzoini não considera prioritário entrar na Justiça por conta das ofensas da senadora, mas o PT vai avaliar esta possibilidade. “Quando as pessoas ferem a honra de outrem é sempre cabível uma ação judicial”, afirmou.

Alto nível
Berzoini reiterou a afirmação do candidato Lula de que não vai atacar os adversários. Ele disse que a campanha não vai baixar o nível nem apostar no “quanto pior, melhor”. “Não vamos entrar nesse bate-boca. Nossa posição é essa, há muito tempo. Em meio à crise e tantos ataques e agressões ao partido, nós não usamos o mesmo tom para responder”.

O tom da campanha, segundo seu coordenador, será de continuar dialogando com a opinião pública sobre o atual governo e as comparações com o governo anterior e perspectivas para o futuro.

Para ele, acirrar o clima da campanha não é bom para a democracia. “Depois das eleições, a vida continua, não importa quem ganhe. Não adianta achar que a eleição é um fim de mundo, um apocalipse. Não adianta transformar a eleição num ajuste de contas entre adversários”.

Ele lembrou que o governo vai ter que convocar o Congresso Nacional, ainda este ano, para votar e negociar temas importantes. Lembrou também que, provavelmente, ninguém terá maioria parlamentar e vai ter que negociar votos.

Debates
Berzoini discorda que os debates na televisão sejam uma oportunidade para responder aos ataques. “Neste ambiente, com as pessoas falando qualquer coisa, em qualquer tom, para instabilizar o presidente da República, sem qualquer responsabilidade com a verdade?”, questionou Berzoini.

Ele disse que a posição da coordenação de campanha sobre os debates é avaliar caso a caso. Não há um posicionamento genérico sobre isso. “Se avaliarmos que é um momento adequado para o presidente participar de um debate, ele participará. O presidente não pode brincar com a institucionalidade de seu cargo”, explicou.

O dirigente petista rebateu afirmações de que Lula estaria com medo dos debates. “A eleição não é momento para exercer auto-afirmação, mas de dialogar com a população sobre o que é melhor para o país. O debate é apenas um meio para isso, não é o único”, concluiu.

Primeiro turno
A vitória no primeiro turno é uma contingência, não um objetivo. Esta é a definição do dirigente petista sobre as pesquisas de intenção de voto que indicariam vitória de Lula já em 1º. de outubro. Ele disse que o objetivo é vencer a eleição, mas que a coligação está preparada para disputar os dois turnos. “Se houver o acidente do primeiro turno, nós vamos comemorar, mas não é o nosso objetivo”, ressaltou.

Berzoini ressaltou a transparência dada ao ritmo da campanha: “mobilização, contato com o povo, ocupação de espaços públicos com a militância, busca de novas adesões que possam somar nessa reta final”.
Cezar Xavier, do Portal do PT