26 setembro 2006







26/09/2006 - 10:02 Porto Alegre faz festa de 30 mil pessoas para Lula


Há muito tempo Porto Alegre não via uma festa como a da noite de ontem (25) no centro da cidade. Cerca de 30 mil pessoas, boa parte delas carregando bandeiras, lotaram a praça Montevidéu para ouvir o presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursar. Emocionado diante do entusiasmo do público, que interrompeu várias vezes o discurso para cantar o refrão “olê, olê, olá, Lula”, o presidente encerrou seu discurso declamando o poema “O outro Brasil que vem por aí”, do antropólogo e escritor pernambucano Gilberto Freyre.
“Eu ouço as vozes / eu vejo as cores /eu sinto os passos /de outro Brasil que vem aí” começou declamando o presidente, enquanto as bandeiras dos candidatos da coligação A Força do Povo se agitavam na praça. “Qualquer brasileiro poderá governar esse Brasil/ lenhador /lavrador /pescador /vaqueiro /marinheiro /funileiro /carpinteiro /contanto que seja digno do governo do Brasil”, diz um outro trecho do poema (veja a íntegra abaixo).
Antes do poema, o presidente destacou os problemas que seu governo e a campanha da reeleição vêm sofrendo justamente por causa do preconceito das elites. “Hoje tenho noção do preconceito contra mim e o meu partido. No último comício eu levei um catador de papel até o palanque. Um sem teto me visitou no Palácio. Isso eles não admitem, que eu seja chamado de Lula. Querem que eu seja chamado de Vossa Excelência. Mas o meu nome é Lula”, afirmou ele, antes de ser interrompido pelos gritos de “Lula” vindos da platéia.
Citando o recente caso do dossiê sobre a participação do ex-ministro da Saúde, José Serra, na Máfia das Sanguessugas, Lula reafirmou seu desejo de ver tudo apurado pela Polícia Federal. “Nós queremos saber quem foi o responsável, de onde veio o dinheiro, mas também queremos saber o que tem no dossiê. Queremos apuração total. Tem companheiros que erraram e temos que punir todos que erraram”, afirmou.
Mas o presidente também reclamou do tratamento diferenciado que a mídia e a oposição dão ao PT e a seu governo: “Quando um companheiro do PT erra, parece que caiu uma bomba atômica. Quando eles erram, a notícia entra no jornal num dia e sai no outro. A nossa fica meses e meses”. “Prefiro sofrer com a verdade do que dormir tranqüilo com a mentira. Agora, eles têm que elevar o nível do debate. Eles não querem discutir política econômica porque nós damos um banho neles, não querem discutir política social porque nós damos um banho neles, não querem discutir educação porque nós damos um banho neles”, disse o presidente.
Lula voltou a dizer que há plenas condições para que a reeleição seja confirmada no primeiro turno e que a vitória vai garantir “um segundo mandato melhor, com uma melhor equipe, pois aprendemos com os erros e acertos do primeiro mandato”.
Ao fazer um balanço do seu governo, o presidente anunciou que o Brasil investiu muito mais na geração de energia que os outros governos. “Em 3 anos e meio fizemos 22% do que foi feito em 22 anos”, disse ele, para depois anunciar o investimento de R$ 950 milhões na Usina de Candiota, no Rio Grande do Sul, junto com a China, para gerar 370 novos MW.“Duvido que houve um presidente que fez em 45 meses o tanto de investimento que eu fiz no Rio Grande”, afirmou, citando em seguida as políticas sociais, o financiamento de R$ 1 bilhão para auxiliar a indústria de calçados em crise e de R$ 600 milhões para os agricultores familiares, para minimizar os efeitos da seca de 2005.
Antes do presidente, discursaram o vice-presidente José de Alencar, os candidatos da coligação ao governo do Rio Grande do Sul, Olívio Dutra, e ao senado, Miguel Rossetto.