25 setembro 2006

25/09/2006 - 15:13 Sanguessugas: PF investiga atuação de empresário ligado a tucanos
O empresário paulista Abel Pereira, acusado de ser o suposto operador dos tucanos na máfia das ambulâncias, é o mais novo personagem envolvido no episódio da compra de documentos que ligam o ex-ministro José Serra à máfia das ambulâncias.
De acordo com matéria publicada este fim de semana pela revista IstoÉ, Abel Pereira, segundo informações da Polícia Federal, manteve contato com os donos da Planam, empresa responsável pela compra superfaturada de ambulâncias com dinheiro público, mesmo depois de reveladas as falcatruas.
O empresário, que até a semana passada não havia tido seu nome envolvido no esquema, ganhou notoriedade com a entrevista concedida à IstoÉ pelos donos da Planam.
Na ocasião, Abel foi apontado como operador dos tucanos na máfia das ambulâncias. Mesmo tendo seu nome citado somente na semana passada, segundo a revista, os passos do empresário já estavam sendo monitorados pela PF há pelo menos quatro meses, desde que foi descoberto o esquema dos sanguessugas.
Darci e Luiz Antônio Vedoin, tidos como os chefes da quadrilha, estavam com os telefones monitorados e, a partir de suas conversas, a Polícia Federal descobriu que mesmo depois de reveladas as falcatruas Abel e os donos da Planam continuaram a manter contato.
“Essa relação, de acordo com agentes da PF envolvidos no caso, pode explicar duas coisas. A primeira é por que os Vedoin pouparam, tanto nos depoimentos prestados ao Ministério Público em Mato Grosso quanto na CPI, políticos ligados ao PSDB, inclusive os ex-ministros da Saúde, José Serra e Barjas Negri. A segunda é a relativa facilidade com que caíram nas garras da polícia os petistas envolvidos com a compra de um fajuto dossiê que envolveria José Serra com os sanguessugas”, diz a revista.
Para o deputado Fernando Ferro (PT-PE), todas essas informações reforçam ainda mais a necessidade de se investigar, não só a compra do dossiê, mas também o seu conteúdo.
Segundo o petista, a imprensa brasileira está fechando os olhos para o principal assunto e dando visibilidade somente à compra do documento que envolve petistas.
“A imprensa brasileira precisa dar a mesma prioridade que está sendo dada para a compra do dossiê ao seu conteúdo. Todas essas informações só reforçam a necessidade de se investigar ao fundo o conteúdo deste dossiê”, disse.
Segundo a revista, a informação que circula entre os policiais é a de que Abel Pereira estaria oferecendo mais de R$ 4 milhões para que os Vedoin não entregassem os documentos e permanecessem em silêncio com relação aos tucanos.
Os empresários, por sua vez, estariam reticentes em aceitar a oferta, pois temiam que a CPI chegasse rapidamente aos cheques entregues a Abel e com isso eles perderiam os benefícios da delação premiada.
“Essa postura teria levado o até então misterioso Abel a protagonizar um outro jogo. Já que não conseguiria manter os Vedoin calados, poderia minimizar, temporariamente, os efeitos de suas denúncias caso os Vedoin pudessem levar aos petistas um dossiê absolutamente frágil em relação aos tucanos. Assim, a divulgação das informações pouco consistentes poderia abafar a repercussão sobre a documentação efetivamente entregue à Justiça e ao Ministério Público”, diz a matéria do jornalista Mário Simas Filho.
Na última quinzena de agosto, segundo a revista, Abel esteve pelo menos duas vezes em Cuiabá. Na primeira, se hospedou no Hotel Taiamã, a poucos metros da sede da Polícia Federal, onde ocupou o apartamento 417. Do próprio hotel, enviou diversos recados a Luiz Antônio Vedoin. Da outra vez, ficou em uma fazenda e também manteve contatos. Os registros constam das gravações feitas pelo grampo autorizado judicialmente. “Temos a convicção de que os Vedoin fizeram um verdadeiro leilão com as informações que têm”, afirma um dos agentes da PF que monitoraram os passos de Abel em Cuiabá.
Ainda distante dos holofotes, Abel tem afirmado que manteve dois ou três encontros com os Vedoin e que trataram de negócios ligados a fazendas de gado no interior de Mato Grosso. As gravações feitas pela Polícia Federal e o trânsito de dinheiro entre ele e os Vedoin indicam uma outra história. Nesta semana, o Ministério Público deverá convocá-lo para depor.
Agência Informes