20 agosto 2006

ANTERO ACARCANJO SANGUESSUGA PSDB FHC TUDO A VER

19/08/2006 - 18h02Antero de Barros sabia de todo o esquema das emendas para a Planam
Edilson AlmeidaRedação 24 Horas News

O senador Antero Paes de Barros (PSDB), candidato ao Governo de Mato Grosso, não escapou do escândalo da “Máfia dos Sanguessugas”. O político que mais prega ética e moralidade própria teve explicitado sua situação por Luiz Antônio Trevisan Vedoin, executivo da Planam, empresa que articulava e manipulava verbas federais destinada a aquisição de ambulâncias. Há muito tempo, segundo o empresário, Paes de Barros conhecia todo o esquema das emendas que rendiam propinas. A máfia começou a agir ainda no Governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, de seu partido. “Meu pai conversou pessoalmente com o senador” – contou Vedoin. O fato novo praticamente implode toda a bancada de Mato Grosso na Câmara dos Deputados. Agora, só sobraram três: o deputado Carlos Abicalil (PT) e as deputadas Thelma de Oliveira (PSDB) e Tetê Bezerra (PMDB) . Tetê, no entanto, enfrenta a suspe ita de ter sido beneficiada no relatório da CPMI dos Sanguessugas pelo senador Amir Lando, relator da comissão, considerado amigo pessoal do ex-senador Carlos Bezerra. Quando foi ministro da Previdência de Lula, Lando teve Bezerra no comando do INSS, principal autarquia ministerial. O nome do senador Jonas Pinheiro (PFL) foi vinculado ao da esposa, a deputada Celcita Pinheiro (PFL). Mas, enfim, Antero de Barros é a bola da vez no escândalo das ambulâncias. Na entrevista que concedeu a revista “Veja”, que começa a circular na noite deste sábado em todo o Brasil, Luiz Antônio Vedoin – que se transformou numa espécie de “herói de algemas” – conta que além das emendas individuais, havia as emendas de bancada no caso de Mato Grosso. “Foi aí que entraram outros parlamentares, como o senador Antero (Paes de Barros, PSDB-MT)” – ressaltou Vedoin, ao relatar o entendimento firmado entre o senador tucano de Mato Gross o e o seu pai, Darci Vedoin. Vedoin, o filho executivo, revelou que Antero era o líder da bancada do Estado – daí o entendimento. “O acordo era para a totalidade das emendas da bancada, que somavam 3,8 milhões de reais. Antero apresentou 400.000 reais e tínhamos de dar 40.000 reais de comissão. Ele pediu para passarmos o dinheiro diretamente para o Lino Rossi, que, naquele tempo, era do mesmo partido que ele (PSDB). Todos ali tinham consciência do que estava sendo feito” – disse. Esta, a rigor, não é a primeira vez que o nome de Antero surge no “front” dos sanguessugas. No depoimento que havia prestado à Justiça Federal durante nove dias seguidos, Luiz Antônio chegou a mencionou o senador numa suposta troca de emendas com o deputado federal Lino Rossi, apontado como o mentor intelectual do esquema e um dos principais beneficiados com dinheiro de propina, segundo o próprio Vedoin, o filho. O assunto chegou a ser publicado por 24 Horas News - o que provocou a ira do senador e de toda sua equipe – o que lhe garantiu um direito de resposta concedido pela Justiça Eleitoral. Barros, ao exercer seu direito de resposta, acusou o site de atingir propositadamente a imagem pública de um senador da República reconhecido nacionalmente por sua atuação no combate à corrupção no País.
O esquema da Planam era grandioso dentro do Congresso Nacional e não se limitou à pasta da Saúde: chegou também ao Ministério das Cidades e ao das Comunicações, além do BNDES e da Petrobras. Deveria ir mais além. Vedoin admite que o pegaram antes. A baila do dinheiro era quase grotesca: para pagar propina ele e outros envolvidos levavam o dinheiro no paletó e entregávamos no gabinete, diretamente ao deputado ou a um assessor que ele indicasse. “Eu entrava tranqüila mente, em geral com 60.000 reais nos bolsos do paletó. Também entregávamos no nosso flat, em Brasília, ou em carros, no estacionamento do Congresso”. Sobre a sua relação com os deputados, Luiz Antônio Trevisan Vedoin, na entrevista a revista “Veja”, resumiu: "Era um negócio: toma-lá-dá-cá".