05/07/2006 - 16:46
Filippi esclarece quitação de dívida e corrige informação do MP
O prefeito licenciado de Diadema, José de Filippi Júnior, recém-empossado tesoureiro da campanha Lula, esclareceu nesta quarta-feira (5), em uma longa conversa com jornalistas, informações equivocadas publicadas na imprensa sobre um inquérito aberto pelo Ministério Público de São Paulo referente a uma dívida judicial.
Ao contrário do publicado, o prefeito não foi multado por ter bancado, em 1995, com recursos públicos, outdoors para promoção da CUT. O processo, cuja íntegra está disponível no Supremo Tribunal de Justiça, refere-se a um questionamento em relação a um logotipo utilizado pela Prefeitura de Diadema, que continha três estrelinhas no rodapé.
O Ministério Público entendeu, naquela época, que as estrelas eram uma referência ao PT, o que, segundo esse entendimento, configuraria um eventual promoção pessoal. Filippi nega que as estrelas tenham relação com o PT. O processo está hoje em análise no STF (Supremo Tribunal Federal).
Por que então a CUT entrou nessa história? Segundo Filippi, no inquérito aberto em 1995, além da questão da logomarca, o promotor também sugeria que a prefeitura teria financiado outdoors e shows promovidos pela CUT no dia 1º de Maio de 1995.
Como a própria CUT comprovou, já naquela época, ter custeado todas as suas despesas com shows e outdoors em comemoração ao Dia do Trabalho, esta questão foi totalmente retirada do processo.
Bloqueio
Quando Filippi perdeu a ação sobre a logomarca no Tribunal de Justiça, em segunda instância, foi estipulada uma multa de R$ 183 mil, referente aos gastos que a prefeitura teve com materiais produzidos com a logomarca questionada.
Como o prefeito não tinha recursos para sanar essa dívida, sugeriu fazer depósitos em juízo de parcelas mensais até que o processo fosse transitado em julgado, o que não foi aceito. A Justiça, então, bloqueou seus bens.
“Convivi um ano e meio com meus bens bloqueados, e então decidi recorrer ao apoio dos amigos para pagar essa dívida até que o processo transite em julgado e eu seja inocentado”, explicou.
Com empréstimos ou doações devidamente documentadas, Filippi pagou a dívida e teve seus bens de volta. O prefeito recorreu primeiro a um tio de sua mulher, Mário Moreira. Comerciante em Diadema e fazendeiro, Moreira prontamente atendeu ao pedido e fez um cheque de R$ 150 mil, retirado de sua poupança, que pagou a maior parte da dívida judicial de Filippi.
Outros R$ 10 mil foram fornecidos por seu amigo Mário Reali, deputado estadual pelo PT
Filippi apresentou aos jornalistas os números dos cheques e os recibos de pagamentos. Toda essa explicação foi necessária porque os jornais chegaram a noticiar que o promotor do Ministério Público iria investigar a possibilidade de o dinheiro utilizado para o pagamento dessa dívida seria do “valerioduto”.
O presidente Ricardo Berzoini considerou esta afirmação uma ilação. “Com as explicações dadas pelo prefeito, fica claro que trata-se de uma polêmica sobre uma marca da prefeitura. Não se trata de corrupção ou desvio de dinheiro público. É preciso tomar cuidado, porque a imagem do prefeito fica prejudicada”, afirmou.
Tanto Filippi quanto Berzoini consideraram estranho o fato de a notícia sobre o inquérito, iniciado há 11 anos, ter surgido justamente agora, três dias depois de noticiado a nova função de Filippi como tesoureiro do PT.
Berzoini reiterou a plena confiança do PT no seu novo tesoureiro e na lisura que permeou toda sua vida pública.