06/03/2006 - Vendas de imóveis disparam em 2006
As vendas de imóveis em janeiro e fevereiro subiram significantemente, em comparação com igual período de 2005. E no comparativo mês a mês, fevereiro apresentou forte crescimento ante ao mês janeiro. "Estamos começando o ano com o volume de vendas refletindo este maior dinamismo do mercado", afirma o vice-presidente do Secovi-SP, Ricardo Yazbek.
Apesar da onda de otimismo que envolve o setor, que foi recentemente agraciado com medidas de incentivo governamental e passou a ter empresas com ações negociadas em bolsa, Yazbek afirma que não se pode falar em "boom imobiliário". Mas as expectativas do setor é que 2006 seja o melhor ano da indústria nos últimos dez anos. Confira a entrevista de Yasbek concedida ao InvestNews:
InvestNews - Ao que se deve esta onda de otimismo e crescimento do mercado imobiliário, com crescente oferta de crédito e a ajustes regulatórios?
Ricardo Yazbek - Podemos resumir na seguinte parceria: vontade política do governo juntamente do diálogo com o setor. Este parceria vem propiciando a criação de um processo que já começou há alguns anos e se acentuou a partir de 2002, sendo turbinado na atual gestão do ministro da Fazenda, Antonio Palocci. O que nós estamos assistindo é uma desobstrução de todos os canais que levavam à contenção do crédito imobiliário.
Em 2003, foram disponibilizados e financiados com os recursos da caderneta de poupança - o chamado Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo - R$ 2 bilhões. Em 2004, isso já foi para R$ 3 bilhões, em 2005 para R$ 4,5 bilhões e em 2006 este número irá para R$ 6,7 bilhões, mais R$ 2 bilhões da Caixa Economia Federal, o que equivale a R$ 8,7 bilhões. Isso representa um aumento de mais de quatro vezes no volume de crédito oriundo das cadernetas de poupança em três anos. É um extraordinário avanço na geração de recursos para produção e aquisição de imóveis.
Com esta maior disponibilidade de crédito instaurou-se um círculo virtuoso, uma saudável competição entre os agentes financeiros, fazendo com que as taxas de juros para o financiamento imobiliário comecem a diminuir e os prazos de financiamento a aumentar. A burocracia começa a diminuir também, propiciando melhores condições para o tomador de empréstimos.
Alguns agentes financeiros também estão acreditando no Brasil, motivados por esta condução da política econômica e o cenário macroeconômico brasileiro, com taxas de juros decrescentes com nível de risco baixo e balança de pagamentos favoráveis. Tanto que a partir do segundo semestre do ano passado alguns bancos passaram a oferecer financiamento imobiliário fixo, sem correção monetária, o que é um rompimento de um paradigma na cabeça de todos nós. Isso mostra que os bancos estão acreditando no Brasil, em um cenário de longo prazo.
IN - Como as mudanças no marco regulatório estão estimulando o setor?
Yazbek - A instituição do patrimônio de afetação, o aprimoramento da alienação fiduciária e a questão do incontroverso são medidas que ajudam a melhorar a segurança jurídica do crédito imobiliário, o que possibilita também uma redução nos juros.
Outra legislação que também deu um estimulo, foi a MP do Bem 2, que trouxe mais alguns itens que vínhamos pedindo há bastante tempo, como isenção total do Imposto de Renda sobre o ganho de capital com a venda de imóvel residencial, se todo o produto da venda for aplicado na compra de um novo imóvel dentro de 180 dias. Recentemente tivemos a redução do IPI sobre o material de construção, ou seja, várias medidas estão sendo tomadas, em um processo que vem desde o governo FHC, passando agora por uma turbinada, que vem tentando trazer para o setor imobiliário melhores condições de atuação para que ele possa representar mais geração de emprego, mais desenvolvimento e mais impostos.
IN - Então estamos no caminho certo?
Yazbek - Dentro desse maior aprimoramento dos marcos regulatórios, maior disponibilidade de recursos para crédito imobiliário, toda esta saudável situação tem criado condições para um cenário positivo de crescimento, para a produção e a aquisição imobiliária no Brasil.
O caminho está correto, é um processo, mas não podemos falar em boom imobiliário, porque isso é exagero. Não é um boom, mas estamos acreditando que 2006 deverá ser o melhor ano dos últimos dez anos, embora também esperamos que 2007 seja melhor que este ano e assim sucessivamente.
Quando comparamos o volume de crédito imobiliário brasileiro com o de outros países, o Brasil ainda está em um patamar muito ínfimo. Por exemplo, no Brasil o crédito imobiliário é de cerca de 2% do PIB, contra 50% do PIB na Espanha, e 60% do PIB nos EUA. Evidentemente as taxas de juros nesses países são mais baixas, mas estamos caminhando para isso, paulatinamente.
Todo o pano de fundo que o Brasil está vivendo é exatamente o cenário de estabilidade conquistado após o plano real e com muita responsabilidade gerido pelo atual governo. Isto vem trazendo ao Brasil respeito, diminuição do risco-Brasil. Com esta sucessão de governos responsáveis estamos tendo a possibilidade de atração de capitais, haja vista que o mundo vive hoje uma liquidez muito grande.
As informações são da Gazeta Mercantil.