14 março 2006

14/03/2006 - Brasil quer rede mundial de "Bolsas-Família"

Do site Prima Página

O Brasil e o Peru assinaram um acordo para divulgar em nível internacional, especialmente na América Latina, programas de transferência de renda semelhantes ao Bolsa-Família. Representantes dos dois países se comprometeram a promover “uma rede de programas” que “permita fortalecer a luta contra a pobreza” e capacitar técnicos regionais por meio da difusão de casos bem-sucedidos e troca de experiências.
O documento é resultado de uma série de encontros, promovida pela unidade brasileira e peruana do PNUD, entre uma delegação peruana e representantes do Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome e a Assessoria Especial da Presidência da República do Brasil, entre 6 e 8 de março.
Durante os três dias, os técnicos peruanos discutiram o funcionamento do Bolsa-Família e do Fome Zero e formas de aperfeiçoar o projeto similar que é desenvolvido no Peru desde setembro do ano passado, o Programa Nacional de Apoyo Directo a los Más Pobres, também chamado de Juntos. O projeto peruano beneficia famílias carentes de mais de 1.150 bairros do país, por meio de uma transferência de US$ 30, feita a gestantes e mães de crianças de até 14 anos.
O termo de cooperação, assinado entre os dois países em 8 de março, tem como objetivo estabelecer um plano de trabalho conjunto de combate à fome e à pobreza. O modo como se dará o trabalho ainda está por ser definido, mas ele deve incluir encontros para trocas de experiências, contribuições para a capacitação de pessoas, estágios e a realização de outros eventos e atividades. Para o ministro Patrus Ananias, esse tipo de ação é importante para consolidar a criação de um Mercosul Social, visto que acordos semelhantes já foram assinados pelo Brasil com outros países, como México, Argentina, Chile, Venezuela, Uruguai e Paraguai. "Para nós é uma alegria iniciar este processo de cooperação no sentido de combater a pobreza na América do Sul e dar melhores condições de vida para nossos povos", disse ele em comunicado à imprensa.
A cooperação, na avaliação do governo brasileiro, é um importante passo para ajudar a alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio , uma série de metas que os países da Nações Unidas se comprometeram a atingir até 2015, que inclui a erradicação da extrema pobreza e da fome.