O lobista Nilton Monteiro entregou para a Polícia Federal contratos e outros documentos que comprovam que a construtora JP Engenharia, propriedade de Reinaldo Conrado, pagou R$ 700 mil reais para o ex-diretor de Furnas, Dimas Toledo, para garantir seus contratos com a estatal. A PF está tentando intimar o empresário, cujo paradeiro é desconhecido. Especula-se que ele pode estar no exterior justamente para tentar protelar seu depoimento. Até agora ele não atendeu nem os pedidos feitos pela PF, através de familiares e advogados, para que se apresente.
Os documentos fornecidos por Monteiro estão sendo considerados pela Polícia Federal como a primeira prova de que Dimas Toledo cumpria o papel de arrecadador financeiro para campanhas políticas dos aliados do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Toledo é acusado de ser o autor da lista de Furnas, documento que relaciona 156 políticos, a maioria do PSDB e do PFL, que teriam se beneficiado de cerca de R$ 40 milhões arrecadados de empresas que tinham contratos com a estatal para irrigar o caixa 2 de suas campanhas.
Segundo o Monteiro, que foi contratado por Reinaldo Conrado para intermediar a negociação dos contratos da JP Engenharia com Toledo, o pagamento de propina foi efetuado através de um contrato de fachada com empresas de consultoria que tinham ligações com os filhos do ex-diretor da estatal. Esta era, segundo apura a Polícia Federal, uma das formas utilizadas por Dimas para arrecadar o dinheiro e depois repassá-lo aos tucanos.
As investigações da Polícia Federal estão em estágio avançado e ganharam um reforço na última semana com a quebra dos sigilos fiscal e telefônico de Dimas Toledo, autorizado pela Justiça Federal do Rio de Janeiro. Os dados obtidos com a quebra dos sigilos já estão sendo analisados pelos delegados que conduzem as investigações.
Na última terça-feira, o deputado estadual de Minas Gerais, Rogério Correia (PT), anunciou que iria entregar para a Polícia Federal um levantamento de diversos contratos que teriam sido efetuados sem licitação ou aditados antes das eleições de 2002 entre as empresas que constam como financiadoras da lista de Furnas e a estatal.