05 novembro 2005






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05/11/2005 - 09h26


Mídia é pior que a Inquisição, diz Marilena Chaui

RICARDO MELO da Folha de S.Paulo
A filósofa Marilena Chaui, 63, não tem dúvidas: a crise que corrói o governo Lula é encomendada e teve como gatilho o trabalho de um jornalista especializado em vender dossiês. Tudo isso amplificado pela ação da mídia, que chega a ser pior do que a Santa Inquisição [antigo tribunal da igreja que investigava e punia crimes contra a fé católica].Uma das fundadoras do PT e personalidade do mundo acadêmico, Chaui expôs sua visão ontem em debate realizado pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo (SP).Para sustentar seu raciocínio, Chaui se baseia em artigo publicado pela jornalista Marina Amaral na revista-jornal "Caros Amigos", edição especial de setembro. A reportagem fala de um jornalista que ganha a vida atualmente dissolvendo ou criando crises, um gerenciador de crises, no jargão do mercado. "É apavorante, porque eu sabia que a crise era encomendada, eu sabia que tinha sido uma operação de produção da crise, isso todos nós sabemos", disse Chaui para os cerca de 200 metalúrgicos presentes ao evento."Mas eu não pensei que fosse dessa maneira. Digamos que eu pensei que fosse mais sofisticado, mais político. Mas não: o cara vendeu para alguns políticos os dossiês que ele tinha acumulado, alguns verdadeiros, outros ele recheou segundo a fantasia dele, para derrubar o Lula, porque ele não gostou do Lula."A versão conspiratória recebeu aplausos da platéia, que na verdade compareceu ao sindicato não exatamente para ver uma palestra sobre "Ética na Política", como constava da faixa colocada à frente da mesa. O jornal do sindicato, distribuído logo na entrada, já dava o tom do que deveria ser o debate, ao pôr em manchete: "Filósofa responde por que a direita quer criar, a imprensa alimenta e você deve entender a crise".Escalada como alvo, a imprensa, ou a mídia, não foi poupada por Chaui. Ao responder a pergunta de um metalúrgico sobre o poder da mídia em comparação com o poder da Igreja Católica nos tempos inquisitoriais, a filósofa afirmou que a ação dos meios de comunicação é mais nefasta.Para Chaui, a mídia só age com alguma isenção quando os donos dos meios de comunicação se sentem ameaçados por algum governo ou ordem política. Ou quando os interesses econômicos desses mesmos donos podem ser beneficiados por uma mudança de governo. Fora isso, "a ação deles é pior do que a Igreja Católica", pensa Chaui. Na visão dela, o poder da Inquisição era pelo menos mais transparente. "A Igreja católica operava pela produção visível, direta e clara do medo", afirmou. "Já a mídia opera não só por meio da destruição de instituições e da destruição de pessoas. Ela opera pela acusação sem provas."Entre exposição e debate, o evento durou duas horas. Antes da sessão de perguntas, Chaui falou uma hora sobre o conceito de ética e repetiu idéias sobre a necessidade de uma reforma política, já expostas em artigo publicado quando da eclosão do "affair" Waldomiro Diniz.No final do evento, a reportagem da Folha tentou dirigir algumas perguntas a Chaui sobre os desdobramentos da crise do governo Lula. Sem sucesso. Quando percebeu a aproximação do repórter da Folha e de um jornalista do Estado de S. Paulo, a filósofa preferiu interromper uma entrevista para o jornal do sindicato. "Não é nada pessoal, mas não falo", desculpou-se.
03/11/2005 - Abicalil: Precipitação de relator compromete CPI

A divulgação de dados antecipados e sem comprovação, pelo relator da CPI Mista dos Correios, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), compromete a credibilidade dos trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito.
A avaliação foi feita pelo deputado Carlos Abicalil (PT-MT), sub-relator de oitivas da comissão. Ele lamentou as afirmações feitas pelo relator, que, após investigações parciais, apontou o PT como recebedor de dinheiro público.
“Acho temerário que o relator divulgue informações que ainda não são de conhecimento de todos os integrantes da CPI e que cria uma irrealidade”, explicou.
Abicalil desmontou todo o suposto roteiro de desvio de dinheiro apresentado pelo relator. “O documento apresentado por Serraglio não tem o carimbo da CPI, e isso é grave, porque não comprova que faz parte do rol de documentação em poder da comissão”, criticou Abicalil.
O suposto documento encaminhado pelo Banco do Brasil, e apresentado à imprensa pelo relator, aponta uma proposta de aporte financeiro no valor de R$ 23 milhões para publicidade da empresa Visanet, empresa com participação de vários sócios, inclusive da iniciativa privada.
“Mas o documento não diz em momento algum que o recurso não foi aplicado em publicidade”, ponderou o deputado.
Segundo Abicalil, o relator foi imprudente, irresponsabilidade e precipitado. "Inclusive alardeando valores que chegariam a R$ 35 milhões, e que não foram citados no suposto documento que ele diz ter recebido do Banco do Brasil”, ressaltou.
Para Carlos Abicalil, o trabalho da CPMI é investigar com imparcialidade e não responsabilizar apenas um partido ou um empresário por um modelo de financiamento em operação desde 1998, segundo já ficou comprovado pela própria CPI.
BB explica uso de recursos do Fundo de Incentivo Visanet
Agência Informes (www.informes.org.
04/11/2005 - Valerioduto abastecia PSDB, diz revista


Um esquema de desvio de dinheiro público para abastecimento de caixa dois de partidos políticos teria ocorrido entre 1997 e 1998, durante o governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB). É o que informa reportagem da edição desta semana da revista Carta Capital. A denúncia também foi publicada na edição desta sexta-feira do jornal Diário do Grande ABC (clique aqui).
De acordo com a publicação, contrato assinado em 1997 entre a Fundacentro (autarquia vinculada ao ministério do Trabalho) e a agência mineira de publicidade SMP&B, de Marcos Valério, estaria forrado de irregularidades, segundo ações que correm na Justiça.
Sobrariam evidências, de acordo com trecho de ação citada na reportagem, de fraude na licitação, pagamentos indevidos e superfaturamento de preços.
Além da SMP&B, outra empresa de comunicação (a gaúcha Quality) teria se beneficiado do esquema. Ambas negam as denúncias, e dizem ter recebido por serviços efetivamente prestados.
Numa das ações, de acordo com a Carta Capital, calcula-se que R$ 24.905.571,84 (ou R$ 42 milhões em valores atualizados) escoaram do governo para as duas empresas. O maior fluxo se deu justamente no segundo semestre de 1998, período em que a agência de Valério comprovadamente irrigou as contas da campanha do então governador de Minas Gerais, Eduardo Azeredo, à reeleição.
A revista informa ainda que a investigação estaria emperrada desde 2002, quando a Justiça determinou o rastreamento dos recursos que teriam sido desviados.
O Banco Central, porém, não atendeu à solicitação. Pelo menos R$ 5.752.815,81, em valores de 1998, são considerados "desvio direto de recursos".
Humberto Parro, ex-presidente da Fundacentro à época, seria réu em Ação Civil Pública iniciada em abril de 2002. Ele nega as acusações. "Sou completamente inocente. Fui eu que descobri o desvio de recursos", disse ele à Carta Capital.
Parro, ex-prefeito de Osasco entre 183 e 1989, é amigo de Fernando Henrique Cardoso e militante histórico nos quadros do PSDB. Chegou a ser cotado para assumir um cargo na gestão de José Serra à frente da prefeitura de São Paulo.
Leia também:Fundacentro desvia R$ 32 mi na era FHC e Valério recebe a maior parte

04 novembro 2005













EM HOMENAGEM À MARINHA DO BRASIL

VIVA O MESTRE -SALA DOS MARES





O Negro da Chibata

O marinheiro que liderou a primeira revolta da República

O NEGRO DA CHIBATA, de Fernando Granato, narra a trajetória de João Cândido Felisberto, o Almirante Negro, que entrou para a história por liderar, em 1910, o levante armado dos marujos contra o uso de castigos físicos na Marinha brasileira. Herança militar portuguesa, os maus-tratos eram uma regra entre os navais. A Revolta da Chibata, observa o autor, é o resultado de uma consciência política até então desconhecida na classe operária do país.
Filho de ex-escravos, João Cândido entrou para a corporação em 1894, aos 14 anos — época em que as Forças Armadas aceitavam menores e a Marinha, em particular, recrutava-os junto à polícia. Este não foi o caso de João Cândido. Recomendado por um almirante, que se tornara seu protetor, logo desponta como líder e interlocutor dos marujos junto aos oficiais.
Em 1910, uma viagem de instrução à Inglaterra alicerça, entre os marinheiros brasileiros, as bases para o levante conspiratório que poria fim ao uso de castigos físicos na Marinha. Durante a viagem inaugural do Minas Gerais, João Cândido e companheiros tomam ciência do movimento pela melhoria das condições de trabalho levado a cabo pelos marinheiros britânicos entre 1903 e 1906. E, ainda, da insurreição dos russos embarcados no encouraçado Potemkin, em 1905.
De volta ao Brasil, o estalo das chibatas não cessa, e os soldos baixos — contrastando com o status de maior frota náutica do mundo, superior até mesmo à inglesa — acirra o clima de tensão entre os marujos. Até que em 22 de novembro de 1910, a lembrança das 250 chibatadas recebidas por um marinheiro, no dia anterior, deflagra o início da revolta. Durante quatro dias, marinheiros liderados por João Cândido e entrincheirados nos navios São Paulo, Bahia, Minas Gerais e Deodoro — ancorados ao longo da baía da Guanabara — lançam bombas na cidade.
Finda a revolta e traídos pelo Governo, que prometera anistiar todos os revoltosos, João Cândido e companheiros acabam presos. A defesa de Evaristo de Moraes inocenta o grupo. Mas, daí para frente, o Almirante Negro passa a levar, até a morte, a fama de líder subversivo. "Nós queríamos combater os maus-tratos, a má alimentação (...) E acabar com a chibata, o caso era só este" — declarou João Cândido, em 1968, em depoimento ao Museu de Imagem e do Som.
O NEGRO DA CHIBATA ilumina, ainda, um período pouco conhecido da história do Almirante Negro, e que vai da absolvição à morte, no Rio de Janeiro, em 1969, aos 89 anos. Aponta que a fama de "perigoso" não reflete as convicções políticas de João Cândido, muito menos encontra respaldo na vida que passou a levar, após o fim da revolta — época marcada pela perseguição política, pela penúria e pelas tragédias pessoais. De marinheiro a pescador, recluso e doente, teve a polícia vigilante até mesmo em seu enterro.
No começo da década de 70, João Bosco e Aldir Blanc homenagearam João Cândido Felisberto com o samba O Mestre-sala dos mares. A história do Almirante Negro e da Revolta da Chibata ainda fazia eco nos círculos militares e a música acabou vetada pela censura por trazer à tona um assunto proibido pelas Forças Armadas.
Fernando Granato tem 37 anos, é jornalista e já trabalhou nos principais veículos de comunicação do país, entre eles a revista Veja e o Jornal da Tarde e O Estado de S. Paulo. É autor dos livros Esses jovens escritores, Bonequinhas manchadas de sangue, Sociedade de ladrões e Nas Trilhas do Rosa.
História, biografia, memórias
ESQUEMA ACM TERIA DESVIADO R$ 101 MILHÕES DE ESTATAL
04/11/2005 - Esquema de ACM teria desviado R$ 101 milhões de estatal baiana
O deputado Bassuma (PT-BA) defendeu nesta sexta-feira (4) uma investigação profunda das denúncias de irregularidade na aplicação de R$ 101 milhões pela estatal de turismo Bahiatursa, do Estado da Bahia.

A denúncia foi publicada na edição desta semana da revista Carta Capital. A reportagem baseia-se em auditoria nas contas da estatal realizada pelo TCE (Tribunal de Contas do Estado).

O relatório do TCE aponta uma movimentação, entre 2003 e abril de 2005, de R$ 101 milhões por meio de uma conta bancária não registrada no sistema de controle do erário baiano.

O parlamentar destacou que a Bahia é um dos poucos Estados brasileiros onde os deputados estaduais não possuem acesso às contas do governo.

Segundo Bassuma, o acesso às contas do Estado é uma briga antiga. A dificuldade é imposta, autoritariamente, por lideranças políticas pefelistas ligadas ao senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), aliado ao atual governador do Estado, Paulo Souto.

“Este é um exemplo explícito de caixa preta na atual administração do Estado e precisa ser amplamente investigado”, disse Bassuma. O parlamentar lembrou que as suspeitas de irregularidades são antigas, porém não havia provas contundentes para abrir investigações.

Reformas no Judiciário
O petista destacou ainda que o país precisa criar mecanismos para coibir crimes cometidos contra o bem público. “Precisamos aproveitar esta crise para avançar nas modificações, não só no processo político eleitoral, mas também no judiciário, para evitarmos essas práticas”, disse.

Bassuma classificou como “abuso de prerrogativa parlamentar e mau exemplo para o país” o comportamento do deputado ACM Neto (PFL-BA), que disse, em plenário, que vai “dar uma surra no presidente Lula”, caso alguém mexa com algum membro de sua família. Segundo Bassuma “isso mostra a postura autoritária herdada de seu avô e a falta de costume de ACM com as apurações”.

A auditoria nas contas Bahiatursa, feita por seis técnicos do TCE, afirma que a estatal de turismo gastou os R$ 101 milhões sem nenhuma previsão orçamentária, o que foi classificado como irregular. A previsão orçamentária existe justamente para que os deputados – e também a sociedade – acompanhem a aplicação de recursos públicos.

Segundo o relatório citado pela Carta Capital, o dinheiro foi utilizado para fazer pagamentos irregulares. As despesas não tinham relação com a finalidade expressa dos recursos, de acordo com documento do TCE.

Dos R$ 101 milhões, R$ 48,1 milhões foram depositados nas contas da Rede Interamericana/Propeg, do publicitário Fernando Barros – homem intimamente ligado ao clã dos Magalhães e ao PFL baiano, além de ser um campeão local de licitações, informou a revista. Nos primeiros quatro meses de 2005, 62% de todos os recursos da Bahiatursa foram para a Propeg.

Parlamentares baianos, adversários políticos do governador, Paulo Souto, querem criar uma CPMI para investigar a estatal de turismo.
Agência Informes (www.informes.org.br)
GOVERNO LULA

PF e Receita combatem contrabando no RS e SP

Brasília - A Polícia Federal desencadeou hoje a "Operação Plata", para combater em todo o território nacional o contrabando de artigos eletrônicos, de informática e equipamentos hospitalares. A operação envolve 130 servidores da Receita Federal e 500 policiais federais, no Rio Grande do Sul e em São Paulo. Foram expedidos cerca de 70 mandados de prisão, 99 de busca e apreensão em escritórios, residências e estabelecimentos comerciais e 74 mandados de seqüestro de veículos utilizados pela quadrilha. A quadrilha, segundo a PF, movimentava mensalmente cerca de 55 milhões de reais.
Rosana de Cassia
UM GESTO PATRIÓTICO!


Denúncia

Marcelo Rubens Paiva

"De onde falam?"
"Da redação, boa tarde."
"Queria fazer uma denúncia."
"Contra quem?"
"Não sei exatamente. Com quem que eu falo?"
"É contra o PT?"
"Tô tentando dormir e... Tô chocado."
"Tá todo mundo, companheiro, só se fala nisso."
"Com quem eu posso reclamar? É que aqui em cima..."
"Mas é contra o PT?"
"Não sei, é?"
"Vou te passar pro repórter que tá cobrindo. Um minutinho."
"Alô, alô?"
Pausa.
"Oi, quem é?"
"Eu queria fazer uma denúncia."
"Contra o PT, né? A telefonista me avisou."
"Não sei se é contra o PT."
"Pode abrir, cara, tá todo mundo falando o que sabe."
"Olha, não durmo direito."
"Tá difícil, a maior decepção. Não adianta falar do baixo clero, porque daí os caras dizem que só estavam cumprindo ordens, temos que ir direto à cúpula, temos de chegar em quem manda, em cima."
"Concordo, totalmente. Que bom que estamos nos entendendo. E quem é que manda?"
"Boa pergunta. Ninguém sabe ao certo. Achávamos que era o Zé Dirceu, mas ele nega. Tem o Delúbio, o Silvio Pereira... O presidente tá blindado. Por enquanto. Mas é contra eles a denúncia?"
"Não."
"É como chutar cachorro morto, certo? A gente tá precisando de algo novo."
"Contra quem?"
"Contra o Palocci."
"Coitado."
"Pois é, o senhor vê, até ele... Se não, meu amigo, passar bem. Um Abraço."
"Não desliga, não! Eu preciso de ajuda!"
"É contra o Palocci? Por que você não disse antes?"
"Você não está entendendo."
"Agora, estou. Fique tranqüilo, que é política da editoria não divulgar as fontes que não queiram se identificar, Uruguaio."
"Uruguaio?"
"Vamos chamá-lo assim."
""Quem?"
"Você."
"Mas, por quê?"
"Porque precisamos de um codinome, Deep Throat, Mister X... Vamos lá, Uruguaio, qual a denúncia?"
"Não curti esse codinome."
"Um minutinho, que vou ligar o gravador."
"Gravador?"
"Alô, testando. Um-dois, um-dois... Vamos lá, entrevista com Uruguaio, fonte do caso do mensalão, denúncia contra Palocci. Uruguaio, vírgula, que não gosta de ser chamado por este apelido, vírgula, afirma que até o ministro Palocci está envolvido no esquema de arrecadação ilegal de dinheiro para o financiamento das campanha do PT, ponto. Um minuto, o senhor falou com alguém antes?"
"Com este barulho? Tem uma obra aqui em cima."
"Não falou com outro órgão da imprensa, jornal, revista, rádio, TV?"
"Só com o senhor."
"Um minutinho. Deixa eu escrever na fita. EXCLUSIVO. Como é a denúncia?"
"Não sei. Eu tento dormir, minha mulher sugeriu ligar pra..."
"Deve ter se encontrado com alguém."
"Minha mulher?"
"O Palocci."
"O Palocci?"
"Se encontrou com alguém, era pra falar de caixa 2, certo?"
"Será?"
"Mas com quem?"
"Boa pergunta."
"Astral! Vamos chamá-lo de Astral. Palocci encontrou com Astral onde? Não pode ter sido no ministério, claro. Num shopping, tá batido. Num estacionamento, lobby de hotel... Ajuda aí, meu."
"Numa padoca?"
"Boa, para evitar câmeras de circuito interno. Numa padaria de Ribeirão Preto, vírgula, o ministro da Fazenda, vírgula, Antonio Palocci, vírgula, encontrava-se com Astral, vírgula, segundo denúncia de Uruguaio, vírgula, que não gosta deste codinome, vírgula, para negociar financiamento ilegal via caixa 2 da campanha do PT à presidência, ponto. O dinheiro era entregue... Como? Numa mala? Não. Numa baguete, isso. Preciso da voz de Astral, você sabe onde posso encontrá-lo?"
"Mas quem é Astral, afinal?"
"Um publicitário."
"Sério?"
"Deve ser. Não é você?"
"Eu?"
"Vai, pode falar, você liga assim, de uma hora pra outra, só pra fazer uma denúncia, você está metido nessa."
"Mas eu liguei porque tem uma obra aqui em cima."
"Tá, entendi, é dinheiro de empreiteira. O senhor quer dinheiro? A política da editoria garante o sigilo, mas não pagamos pelas informações. Quem paga é a..."
"Péra! Calma lá. O que você quer?"
"Confirme que você não é o Astral?"
"Mas não sou o Uruguaio?"
"Eu sabia! Preciso de uma voz, afirmando que testemunhou a entrega do dinheiro ao Palocci numa baguete, para podermos colocar no site e divulgarmos pelas TVs. Hoje em dia, sem voz, não dá."
"Tá, liga aí, eu falo."
"Já está ligado."
"Confirmo que o senhor ministro Palocci se encontrou com Astral numa padoca..."
"O senhor é de que planeta?! Tem de falar em código, se não, ninguém acredita. Pegou? Fala assim: A mosca pousou no pão francês, depositou a larva. Do bigode."
"A mosca pousou no pão francês, depositou a larva."
"E o do bigode?"
"Do bigode."
"Agora ri, porque corrupto ri de nervoso."
"Rá-rá-rá."
"Boa."
"Mas isso aconteceu, mesmo?"
"Como o Lula foi eleito, diz? E a grana do Duda? E o Zezé de Camargo, Luciano, coisa e tal, quem pagava, a militância? Conseguiram aquela grana vendendo estrelinha?"
"Você acha?"
"Este País é uma vergonha, os políticos estão sempre tramando. São 500 anos, amigão, 500 anos de exploração. E o povo faz o quê? Nada, só reclama. Mas você, não, é um herói! Resolveu dizer o que sabe. Precisamos pegar esses caras, dar um basta, não acha?"
"E alguém vai acreditar nisso?"
"Você não está arrependido, está? Seu gesto foi patriótico. Tem muita gente do nosso lado. Parabéns. E obrigado. Uruguaio."
E desliga. Sua mulher se aproxima e pergunta:
"Reclamou da obra aqui em cima?"
"Olha, faz as malas e vamos pra casa da sua mãe, porque sujô."
"Você bebeu?"
"Não sei o que deu em mim. Agora, estou envolvido até o talo."
Manifestantes se preparam para queimar bandeira americana e boneco que simboliza Bush
12:11

Benedito MendonçaRepórter da Agência BrasilBrasília – Cerca de mil pessoas, ao som de muito rock, seguem um trio elétrico que comanda a manifestação de repúdio à presença de George W. Bush no Brasil. Os manifestantes estão na frente da embaixada americana, onde preparam a queima de um boneco de Tio Sam (símbolo dos Estados Unidos), com o rosto de Bush e da bandeira americana.Um forte esquema de segurança, inclusive com a participação da cavalaria da Polícia Militar, cerca a embaixada para evitar confrontos. O presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Gustavo Petta, afirmou há pouco que a segurança não vai impedir que a juventude e o povo brasileiro deixem clara sua reprovação à política "sanguinária e belicosa de Bush e à tentativa dele de dominação dos países da América Latina, com a implantação da Alca (Área de Livre Comércio das Américas)".Para o líder estudantil, assim como na Argentina e em outros países, existe hoje um grande sentimento de reprovação à política norte-americana. "Isso vai ficar claro para o presidente Bush. Ele vai ter no Brasil, assim como na Argentina, a recepção que realmente merece: com protestos, manifestações e com a indignação do povo".
04/11/2005
04/11/2005 - 10h09
BNDES libera financiamento para computador popular na próxima semana

Da RedaçãoEm São Paulo

A partir da próxima semana, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) deve começar a liberar o financiamento para venda de computadores populares. A informação é da Agência Brasil, órgão oficial de divulgação do governo federal. O finaciamento deve ser retirado pela rede varejista junto a bancos credenciados.Segundo Eduardo Ichikava, administrador do Departamento de Financiamento de Máquinas e Equipamentos(Demaq) do BNDES, a formação da nova linha de crédito do banco para aquisição de computadores populares ainda está sendo concluída.O programa de financiamento do BNDES a computadores populares tem dotação de R$ 300 milhões até o dia 31 de dezembro de 2006. Ichikava disse que, se houver demanda, o programa poderá ser renovado e o limite de recursos ampliado.Ainda neste mês, será iniciada uma ampla campanha de marketing e divulgação do programa em cadeia nacional, informou o administrador do Demaq.Eduardo Ichikava afirmou que a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil estão habilitados a operar o programa. As duas instituições estão provendo crédito oriundo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) diretamente para o consumidor. No caso do BNDES, o objetivo é prover financiamento para os varejistas. Isso significa que o comerciante, e não o fabricante de computadores, é que vai utilizar o crédito do Banco.Ichikava declarou que os varejistas terão, entretanto, de estar enquadrados na Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE), que determina um conjunto específico de varejistas, pertencentes ao grupo G52, que pode operar a linha do BNDES.Esse grupo diz respeito ao comércio varejista não especializado com predominância de produtos alimentícios, englobando hipermercados e supermercados; o comércio varejista não especializado sem predominância de produtos alimentícios; e o comércio varejista de máquinas e equipamentos de uso doméstico e pessoal.As condições financeiras, tanto para as operações diretas como indiretas, envolvem Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), cobrada pelo banco em seus financiamentos, mais remuneração da instituição, que pode ser de 1% a 4,5% ao ano.Ichikava esclareceu que, no caso dos 4,5%, "o varejista está se comprometendo a financiar os seus consumidores em até 3% ao mês. Se ele se comprometer a financiar os consumidores a, no máximo, 2% ao mês, ele recebe uma taxa de juros cobrada pelo BNDES de 1%". Isso significa que, quanto menos ele cobra dos consumidores finais, menos também ele paga ao banco, confirmou.Com informações da Agência Brasil
UM ENGODO CHAMADO CPI
Foram 5 meses de uma maciça campanha da oposição contra o presidente Lula, contra o governo Lula. E nem assim o presidente Lula deixa de ser imbatível em 2006.
Esses deputados e senadores da oposição, que fazem parte da CPI não fizeram nada este ano para o bem do povo brasileiro e do país . Eles não apresentaram nenhum projeto, não se empenharam em nada para melhorar a vida das pessoas, apenas criticaram o governo Lula, o presidente Lula, simplesmente porque em 2006 tem eleição, eles querem voltar ao poder, eles querem destruir o país como fizeram durante os 08 anos que foram poder. O que vimos nas CPIs foi baixarias, violências, ameaças, troca de socos e tapas. A oposição raivosa e virulenta, babando, destilando todo o seu veneno contra o presidente Lula e o PT. Como disse um amigo, não terminou em pizza, terminou em "biscoito" fazendo referencia ao deputado Mabel que escapou da cassação. Até o Ibrahim Abi Ackel que recebeu dinheiro do valérioduto, consta na lista do Valério, é relator da CPI dos Bingos. Essa CPI do dos Bingos investigou tudo menos os Bingos. Tivemos um verdadeiro espetáculo, de muito mal gosto, digno de fazer parte do rol das "baixarias da TV". Quanto custou essas CPIs ao erário publico? Quanto dinheiro foi literalmente jogado fora? Mas o espetáculo não para ai, agora tem os que se fazem de vitima para desviar a atenção, que dizem que estão sendo grampeados, investigados e o que é pior acusam sem nenhum fundamento o governo de estar por trás dos supostos grampos, mas isso é porque que ficou comprovado que faz parte da lista do Valério o Azeredo PSDB, estava chegando perto demais FHC e da compra de votos para a reeleição, porque ficou comprovado que esse esquema de arrecadação nasceu no PSDB em 1995. O valérioduto é criação e produto do PSDB. Porque não aceitam e não investigam a fundo o empréstimo do Rural e do BMG, que comprovadamente foi feito, por Valério e Delúbio? Porque não são bancos estatais, não é dinheiro publico, isso não interessa para a oposição. Chamaram para depor nas CPIs gente sem nenhuma credibilidade,sem nenhuma moral, gente que está presa por vários crimes,como o juiz Rocha Mattos, o Toninho da Barcelona, eles foram presos no governo Lula, que combate a corrupção como nunca se combateu neste país, foram presos pela PF, é mais do que óbvio que eles iriam contar mentiras e mais mentiras para incriminar o governo que os mandou para a cadeia. Mas não chamaram para depor o Azeredo do PSDB que tem muito para explicar sobre caixa 2 e o esquema do valérioduto.
Por suposições, e ilações, sem nenhuma prova concreta, eles vão cassar o deputado ex ministro Dirceu, que nunca sacou um tostão do velériduto,que não há um só documento que envolva o nome ou a assinatura dele, os diretores e gerentes dos bancos Rural e BMG afirmaram em depoimentos que nunca trataram com ex ministro Dirceu a questão do empréstimo dos bancos para o PT, estão fazendo um verdadeiro linchamento político contra o ex ministro Dirceu.
O ano está terminando, três CPIs foram instaladas, e hoje após 5 meses de investigações, o resultado que temos é esse descrito abaixo, uma teia construída pela oposição, que propositalmente não esclarece nada, porque a oposição para esclarecer vai ter que cortar na própria carne, e isso eles não querem fazer como fez o PT.

O relator da CPI dos Correios, Osmar Serraglio (PMDB-PR), afirmou nesta quinta-feira ter encontrado a primeira fonte dos recursos que abasteceram o chamado "valerioduto". Serraglio disse que o Banco do Brasil desviou R$ 10 milhões para o PT por meio de verbas de publicidade da Visanet, empresa que tem participação acionária do BB.

Me enganei não foi dinheiro de estatal do BB, foi do Visanet, 1/3 é de estatal.

Pensando bem foi do BB e do Visanat.

Foi do Rural

Foi do BMG

Foi dos Correios

Foi dinheiro de contas do exterior

Foi dinheiro de doleiros,de paraísos fiscais

Foi dinheiro de empresários de Santo André

Foi dinheiros de empresários de Ribeirão Preto

Foi dinheiro dos Fundos de Pensão

Foi doaçõa da FARC

Foi doação de Cuba

Jussara

03 novembro 2005

ACMINHO GRAMPINHO E O DINHEIRO DE ESTATAIS

Esquema na Bahia teria movimentado quase o dobro do Valerioduto
Um esquema na Bahia semelhante ao Valerioduto foi descoberto e denunciado por um conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-BA). É o que traz a matéria de capa da revista Carta Capital desta semana. Segundo a reportagem, um relatório produzido pelo conselheiro Pedro Lino identificou uma movimentação irregular de R$ 101 milhões em uma conta fantasma da Bahiatursa, empresa estatal de turismo, entre 2003 e abril deste ano. Esta quantia significa quase o dobro do que movimentou o esquema das empresas de Marcos Valério, R$ 55 milhões. O relatório aponta tratar-se de investimentos para aumento de capital da estatal. Conforme afima a reportagem, o dinheiro vinha dos cofres estaduais e não tinha nenhuma relação com a finalidade expressa dos recursos, o que caracteriza irregularidade. O caminho do dinheiro configuraria um esquema clássico de caixa 2, em que a Bahiatursa recebia dinheiro do tesouro e o repassava para pagamentos de despesas e tranferências para empresas privadas por meio de convênios "pouco ou nada confiáveis". Segundo a matéria, estariam envolvidas no desvio de dinheiro a empresa de publicidade Rede Interamericana/Propeg, de Fernando Barros - que seria intimamente ligado à família Magalhães e ao PFL Baiano -, a Organização Não Governamental (ONG) Oficina das Artes, cuja diretoria seria composta basicamente de funcionários da Secretaria de Cultura e Turismo da Bahia e Sociedade Cultural Auguste Rodin. O relatório ainda será submetido ao plenário do tribunal, no entanto, diz a reportagem, as contas do PFL nunca foram reprovadas na Bahia.
Fonte: DM OnlineMarília Silva
03/11/2005 - Luz para Todos chega aos municípios gaúchos de Hulha Negra e Candiota


Serão inauguradas hoje (3) as obras de eletrificação rural de 176 domicílios dos municípios de Hulha Negra e Candiota, no Rio Grande do Sul. Os projetos de eletrificação tiveram investimento de R$ 802,8 mil e beneficiarão mais de 800 pessoas. Em Hulha Negra, a solenidade será realizada às 13 horas no centro comunitário do assentamento Capivara, onde 113 famílias passam a ter energia elétrica.

No município de Candiota, a luz chega para 63 residências dos assentamentos Pátria Livre, Sepé Tiaraju e Roça Nova. A cerimônia de inauguração das obras nessas localidades será às 18 horas no centro comunitário do assentamento Roça Nova. Os moradores beneficiados vivem da produção de leite e da agricultura familiar, com o plantio de milho, feijão e batata. Também produzem sementes de cebola. As informações são da Agência Brasil.

DESEPERO DA OPOSIÇÃO
Deputada Ângela Guadagnin é ameaçada de seqüestro18h58 - 2/11/2005

Taubaté - A deputada federal pelo PT de São Paulo, Ângela Guadagnin, principal defensora do ex-ministro José Dirceu no processo de cassação, foi alvo de uma ameaça de seqüestro na última terça-feira. Um telefonema anônimo ao escritório político da deputada, em São José dos Campos, no Vale do Paraíba, informava que Guadagnin tinha sido seqüestrada e que horas mais tarde a quadrilha ligaria para negociar o resgate. "Daí foi meia hora de muito sufoco para meus assessores e minha família, até que eles conseguissem me localizar na Câmara", contou a deputada. O impasse só foi desfeito depois que a família falou com a deputada por telefone. "Aí sim eles se tranqüilizaram". O autor da ligação não fazia referência alguma à crise política. "Disseram que ligariam mais tarde para negociar o resgate". Diante do trote, Guadagnin não teve dúvidas. Registrou o fato na Polícia Federal e reforçou os cuidados com a segurança pessoal e da família. "Por cautela a gente toma mais cuidado, não anda sozinha". Como hoje é feriado, a deputada está no Vale do Paraíba, de onde falou sobre a possível cassação de José Dirceu. "Não sei se será cassado porque não conversei com os 512 deputados, mas muitos disseram que votarão contra. A gente não pode condenar sem ter certeza. O Sandro Mabel (PL-GO), por exemplo, e outros três deputados foram absolvidos porque não foi comprovada culpa". Sobre as vistas que pediu para o relatório, que viraram característica peculiar de sua atuação no processo, Guadagnin se defende. "Foram necessárias porque senão o processo seria nulo. Fica parecendo que eu estou prorrogando as coisas e não é verdade. Temos que cumprir o regimento". Para Guadagnin, não há condenações comprovadas contra Dirceu. "Não há provas testemunhais nem documentais. Quem condena sem provas também é antiético". A deputada não acredita que esta postura seja prejudicial a sua própria carreira política. "Tenho recebido apoio de muita gente e críticas também, mas estou firme com meus princípios, com minha ética e maneira de atuar". Simone Menocchi
ARNALDO JABOR E O DINHEIRO EM PARAÍSOS FISCAIS.


Arnaldo Jabor, o dinheiro que está em paraísos fiscais, é seu e não declarado ao IR ou é dinheiro da Embrafilme ? Está explicado porque você odeia o governo Lula, a corrupção está sendo combatida e vai chegar em você, alias já chegou você está sendo investigado na PF,por lavagem de dinheiro, sonegação fiscal .


Por.Sebastião Nery, 7/3/2005, na Tribuna da Imprensa
Aquele Arnaldo Jabor, que algum tempo atrás estava numa lista da revista "Isto É" entre os que mandaram dinheiro para o exterior pelas contas CC-5, através de Foz do Iguaçu (uns poucos legalmente, a grande maioria ilegalmente) é esse mesmo comentarista da TV Globo?- É o mesmo, sim.- Mas a lista da revista dizia que o dinheiro dele foi para Nova York. Ontem, na TV, ele estava furioso, histérico, com o Kirchner, porque renegociou os 100 bilhões de dólares da dívida argentina pagando entre 25 e 30 centavos por cada dólar. Parece que ele mandou o dinheiro dele foi para Buenos Aires, especulando com os títulos e juros fajutos do governo Menen.- E não foi pouco não. A revista dizia que eram US$700 mil dele.

02 novembro 2005

A VEJA ESCONDE, A GENTE MOSTRA

O que a Veja quer esconder

Como a matriz intelectual da elite bufona transformou Fidel em pára-raios dos ACMs

Escondendo AzeredoSerra e o "alto Tucanato" não sabem mais o que fazer para esconder o ex-presidente do PSDB pego tomando "água" no "Valerioduto".
Por Renato Rovai, da revista Fórum
A melhor maneira para esconder uma forte notícia é produzir outra que cause maior impacto. Não à toa que o panfleto semanal dos Civita traz na capa desta semana um Fidel de olhos arregalados substituindo Benjamin Franklin no verso de uma nota de cem dólares. Franklin é reconhecido pelo papel que desempenhou na independência norte-americana, principalmente por ter construído o tratado de paz assinado em 1783. Mas também foi o inventor do pára-raios. Como se sabe, o distinto invento serve para atrair as danosas descargas elétricas oriundas dos céus. A revista Veja bem sabia que nesta semana cairiam raios sobre líderes da oposição. Para neutralizá-los, nada mais fulminante do que atrair Fidel para o centro do esquema petista de captação de recursos ilegais.
Mas o que Veja quer esconder? Em primeiro lugar, busca tirar de cena o caso do senador mineiro Eduardo Azeredo, revelado na semana passada (21/10) pela concorrente Isto É. A revista provou que Marcos Valério pagou o silêncio do ex-tesoureiro da campanha de Azeredo, Marcos Mourão, com um cheque de 700 mil. A denúncia da Isto É, que derrubou o senador da cadeira de presidente nacional do PSDB, ainda trazia revelações que ficaram sem explicações.
A ver: “Embora os caciques do PSDB argumentem que o dinheiro que abasteceu o caixa 2 de Azeredo não tinha origem em corrupção nem em verbas públicas, as provas indicam o contrário: boa parte dos recursos da campanha mineira teve origem em empresas estatais, como as Centrais Elétricas de Minas Gerais (Cemig).
Em 21 de outubro de 1998, por exemplo, saiu R$ 1,6 milhão dos cofres da Cemig como pagamento à SMP&B, uma das agências de Marcos Valério. O pretexto para o pagamento era a produção de uma campanha publicitária da estatal para convencer os mineiros a gastar menos energia. Segundo a investigação do MP, o dinheiro teve outro destino. No dia seguinte, R$ 1,2 milhão foi parar nas contas de políticos aliados de Azeredo.”
Jornalismo "inconveniente"ACMinho e a ACMão se incomodam com
Carta Capital. O reinado dos "neo moralistas" cada dia mais perto do chão. Sem pudores para retornar ao poder.
Mas não era só aos amigos tucanos que a capa com Fidel na nota de cem dólares interessava. Desde o fim de semana passado comentava-se em Salvador que a revista Carta Capital desta semana (28/10) traria fortes revelações sobre o esquema da Bahiatursa, estatal de turismo local subordinada a Secretaria de Cultura e Turismo do governo do Estado. E trouxe. Mas a operação pára-raios de Veja parece ter dado resultado. O midiático poder ignorou a descarga elétrica que, se bem investigada, pode aniquilar com o esquema de ACM.
A denúncia publicada por Carta Capital tem origem em um relatório do Tribunal de Contas do Estado (TCE) assinado pelo conselheiro Pedro Lino. São 200 páginas que revelam como funciona um caixa 2 operado a partir de contratos do governo do Estado com a agência de publicidade Propeg e ONGs formadas por funcionários públicos do esquema carlista. O relatório de Pedro Lino fala de uma movimentação, entre janeiro de 2003 a abril de 2005, de R$ 101 milhões em uma conta bancária não registrada no sistema de controle do caixa oficial do Estado. Para se ter uma idéia da grandeza dos números é praticamente o dobro dos R$ 55 milhões movimentados pelo PT via Marcos Valério. Os 55 milhões que, segundo o deputado federal ACM Neto, um dos mais escandalosos acusadores, produziu o maior escândalo da história da República.
ACMinho sabia que a matéria seria capa de Carta Capital. Seu painho-avô também. E tudo indica que já tinham trabalhado para que a denúncia deixasse de circular em semanas anteriores. Carta Capital mostra que a revista Época trouxe destaque no índice para o caso por duas vezes. Na edição do dia 10/10, apontava que a denúncia contra o esquema carlista circularia na página 43. Nenhuma linha. Na edição de 17/10, a página anunciada era a 37. Outra vez, nada. O leitor que achar um caso como esse na história do jornalismo deve enviá-lo para redação da revista Fórum. Uma matéria por duas vezes anunciada em um índice e que ficou sem publicação. Com a Carta Capital, os carlistas sabiam que seria diferente. A matéria sairia. E dessa conclusão pode ter nascido a solução Fidel.
Se não fosse isso, Veja poderia apurar melhor o material coletado. A própria reportagem se justifica dizendo que há contradições nos números apresentados pelas duas testemunhas vivas e que a única pessoa que teria conhecimento total do caso está morta.
Mas não pense, leitor, que Veja faz isso tudo só porque não gosta da barba quase branca do presidente Lula.
Os laços entre os Civita e a família tucano-pefelê são sanguíneos e os interesses comerciais comuns. O atual vice-presidente de Finanças do grupo Abril foi presidente da Caixa Econômica Federal durante o governo FHC. Emílio Carrazai ficou na CEF até 2002. De lá saiu para ajudar a Abril a enfrentar a campanha presidencial vindoura. Deixou a presidência de um banco público, para dirigir o caixa de uma revista de banca.
Há outros irmãos de sangue tucano-pefelê na turma dos Civita. Claudia Costin, secretária de Cultura do governo Alckmin até maio deste ano, é a vice-presidente da Fundação Victor Civita. Costin foi também ministra de Administração Federal e Reforma do Estado nos tempos FHC. Lembram-se da reforma de Estado na era FHC?
O sorriso do criadorEnsina a cartilha que o ódio e o rancor não podem mover um publish. A criatura Veja se desmoralizou e virou símbolo de tudo que é atraso, manipulação e interesses "não jornalísticos". Mais uma obra do Governo Lula.
Em Veja nada é por acaso. A revista é a matriz intelectual da elite bufona. Seus petardos têm objetivo claro, criminalizar a esquerda. E defender seus interesses políticos e econômicos. Agora, Lula e o PT que se expliquem. É assim que funciona. A revista sabe que para ela é difícil comprovar a veracidade da história. Para os acusados é tão ou mais difícil desmenti-la. Imaginem Palloci reconstituindo um caso de recebimento de garrafas de uísque ou de rum. Sendo assim, a reportagem ficará sempre ali, a postos, para ser tratada como algo sem explicação. O jornalismo de Veja é isso, covarde. E a elite brasileira, nojenta. Pena que Lula e o hoje chantageado Palloci tenham sido tão dóceis com esses escroques.




Deputado federal Nilson Mourão rasga edição da revista Veja no plenário

O deputado Nilson Mourão (PT-AC) rasgou uma edição da revista Veja no plenário da Câmara. Em pronunciamento nesta terça-feira, o petista classificou a publicação de "panfleto da pior qualidade". Em matéria publicada esta semana, a revista afirma que campanha de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República em 2002 teria recebido dinheiro de Cuba. "A revista Veja se transformou em um partido político e está determinada a derrubar o presidente Lula e cassar o registro do Partido dos Trabalhadores. Ela é hoje um panfleto da pior qualidade e expressa o pensamento do PSDB", disse.
Nilson Mourão lembrou que o presidente nacional do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), vai processar a revista Veja. "O destino desse panfleto deve ser a lata do lixo, porque ele não vale absolutamente mais nada: não informa o povo brasileiro e não tem condições de provar as denúncias contra o PT. Que a Veja vá para o seu devido lugar: a lata do lixo!", afirmou.





Programa Roda Viva entrevista Lula na próxima segunda-feira


Depois de mais de seis meses de negociação, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aceitou convite para ser o entrevistado do Roda Viva, da TV Cultura, na próxima segunda-feira (7), quando irá ao ar a milésima edição do programa. A informação é do presidente da Fundação Padre Anchieta, mantenedora da Cultura, Marcos Mendonça.A negociação foi fechada nesta segunda-feira, segundo Paulo Markun, âncora do Roda Viva. "Estive com ele em Brasília e fechamos", disse Markun.De acordo com Markun, Lula não impôs nenhuma condição para dar entrevista. "A única coisa que ele disse é que não quer só falar de crise, mas também de economia. Não foi uma condição, mas uma observação. Disse que não se furtará a responder nenhuma pergunta", afirmou Markun.A entrevista será feita no Palácio do Planalto na segunda-feira, horas antes de ir ao ar. Os entrevistadores serão Markun e antigos âncoras do Roda Viva, como Augusto Nunes e Rodolfo Konder.Será a nona entrevista de Lula ao programa, mas a primeira dele como presidente da República.
CUBA, FIDEL,CHE

Engenheiro Químico, 76 anos, mas aparentando menos, muito menos. Pesquisador bem posicionado na Procter & Gamble em Cuba, à época da Revolução, achava que a política era para os políticos e pelo grupo de Fidel não nutria qualquer emoção além de uma contida simpatia. Ainda em 1959 recebeu boa proposta para trabalhar na matriz em Cincinnati, Ohio.
Nada surpreendente, pois a orientação dos EUA era mesmo estimular a fuga de cérebros (dos seis mil médicos ficaram apenas três mil; de dois mil e setecentos engenheiros restaram setecentos). Tendendo a aceitar, foi até a embaixada dos EUA para uma entrevista com um dos vice-cônsules. Tinha na manga uma carta do vice-presidente da Procter & Gamble, mas antes de usá-la deparou-se com a arrogância do funcionário: “Você tem que provar que tem formação universitária”. Prontamente exibiu seu anel de formatura, mas o funcionário recusou, sem nem olhar em seus olhos. Diante do descaso, mandou-o à merda e decidiu ficar em Cuba. Estamos falando de Tirso Saenz, vice-ministro de Che Guevara no Ministério da Indústria e Comércio e um de seus colaboradores mais próximos. No convívio com o líder, Tirso percebeu que fazer a revolução é mais do que discutir Lênin ou Marx, e sim trabalhar cotidianamente para resolver os problemas do povo mesmo diante das dificuldades impostas pelo embargo econômico.
Entrevistadores: Marcelo Salles, Mariana Vidal e Bruno Zornitta. Fotos: Bruno Zornitta.
Marcelo Salles - Tirso, gostaria de começar com você contando um pouquinho da sua infância, suas primeiras lembranças.Eu venho de uma família muito humilde, de músicos. Meu pai era baterista de uma banda, mas queria que eu fosse um profissional. Ele me proibiu de ser músico, queria que fosse médico, advogado, engenheiro,... E finalmente eu ganhei uma bolsa para estudar engenharia química nos Estados Unidos. Fui lá, me formei como engenheiro químico e voltei para Cuba contratado pela Procter & Gamble. Não sei se vocês conhecem a Procter & Gamble, umas grandes transnacionais de produtos de bens de consumo. E estava muito bem, meu salário aumentava a cada ano,... e quando triunfou a revolução eles me propuseram sair para os Estados Unidos para trabalhar em Ohio. E eu não tinha nada contra a revolução, gostava de Fidel, mas achava que a política era para os políticos e que meu futuro técnico e familiar estava na Procter & Gamble. Eu tinha uma carta do vice-presidente da Procter & Gamble em Cuba e, para entrar na embaixada americana eu não tive que fazer uma longa fila de pessoas que estavam solicitando visto, mas tive que esperar várias horas para ser entrevistado por um vice-cônsul, que era o cara mais arrogante, mais nojento que conheci em minha vida. O cara me falou que eu tinha que demonstrar - foi então que notei a promoção da fuga de cérebros - que era universitário. Para provar mostrei o anel que recebi na universidade, nos Estados Unidos, e ele disse que não era suficiente: "Se você não me der uma prova de que é universitário eu não dou o visto para você". E eu tinha uma carta, era só mostrar a carta onde Mr.Garba, vice-presidente da Procter & Gamble, pedia para que me concedessem o visto, isso era mais que o suficiente. Mas fiquei tão zangado, tão magoado com esse cara arrogante que me olhava com desprezo, que o mandei à merda. Voltei para casa, minha esposa estava me esperando e perguntou: "O que aconteceu?" E eu disse: "Vamos ficar aqui para ver o que acontece". E ficamos. O que aconteceu é que um grande número de técnicos e especialistas da Procter & Gamble saíram e eu tive que tomar conta de uns cinco ou seis cargos ao mesmo tempo. E naquele momento já começava o bloqueio americano: falta de matérias-primas, materiais, falta de tudo. E eu tinha que trabalhar para resolver como produzir sabonete, detergente, shampoo, pasta de dente, cosméticos etc. Sem matéria-prima, sem nada. Isso foi um desafio no ramo técnico que eu tinha que enfrentar. E isso me entusiasmou! Esse tipo de trabalho me fez refletir sobre algo que, para mim, era muito importante. Agora estou trabalhando para o povo de Cuba, tratando de resolver problemas de como produzir produtos importantes para a higiene pessoal das pessoas, mas não com interesse comercial, de lucro de uma empresa, mas sim para resolver problemas vinculados à necessidade do povo. Isso me dava uma dimensão diferente da amplitude do meu trabalho, comecei a me sentir útil para um povo.
Marcelo Salles - E como você começou a perceber isso?
Trabalhando, buscando soluções: qual modificações temos que fazer nas fórmulas com as matérias-primas que temos ...

Marcelo Salles - Antes você já não fazia isso?
Mas com interesse comercial. Como fazer um bom sabonete com o melhor perfume. Agora não, com o bloqueio era diferente: como fazer um sabonete com as matérias-primas disponíveis. Era diferente. Eu falei uma vez na reunião da Federação de Mulheres Cubanas: "Vocês lembram nos primeiros anos da revolução que, quando vocês lavavam as roupas, tinham uma irritação nas mãos?" E elas: "Sim". Eu disse: "Sou o responsável". Porque era produzir com essa matérias-primas, mesmo sabendo que eram irritantes, ou não produzir. Um problema higiênico muito sério! Você imagina um povo não ter com o quê lavar uma roupa, não ter com o quê tomar banho. E esse tipo de trabalho, o de buscar soluções e ajudar as pessoas, me entusiasmou. Então foi necessário buscar um vice-diretor de refinação, ou seja, para a refinaria de petróleo do Instituto Cubano do Petróleo. A indústria do petróleo é muito complicada. Marcelo Salles - Isso já no começo? Isso foi em 1960. A indústria do petróleo tem características diferentes. Primeiro eu não conhecia nada de indústria de petróleo, conhecia, e era bom, em sabonetes, detergentes... Para mim, como refinar petróleo era algo desconhecido. Outra coisa: uma indústria de sabonete pode parar um mês, as pessoas vão cheirar mal, a roupa vai ficar suja, mas o país pode avançar. Mas você parar uma semana a indústria do petróleo, o país pára: transportes, fábricas, energia, tudo. Era um trabalho de uma responsabilidade grande. Com o bloqueio, estávamos importando petróleo soviético diferente do petróleo que importávamos anteriormente, os problemas com a indústria eram tremendos, faltavam peças de reposição, 75% dos técnicos da indústria do petróleo foram embora. Então, enfrentar tudo isso era outro desafio, mas foi interessante. E eu fui convocado para esse cargo quatro meses depois que estive na embaixada norte-americana, porque já nesse momento eu era considerado um técnico revolucionário. Não porque eu era comunista, mas por que trabalhava muito e resolvia problemas. E isso é fazer a revolução! Fazer a revolução não é só falar muito da revolução, de Marx, de Engels, de Lênin, é fazer coisas. E de repente, me vejo sendo convocado a ser vice-diretor da indústria da refinação porque eu era um técnico revolucionário, que não só tinha que enfrentar problemas técnicos, mas também tratar de trabalhar politicamente com os engenheiros que estavam na refinaria de petróleo para que eles ficassem, que compreendessem a revolução, que não fossem embora. E isso me preocupou, então pedi uma entrevista com Che Guevara, a primeira entrevista que tive com ele. Marcelo Salles - Foi a primeira vez que você o viu pessoalmente? Eu o conhecia, sabia que ele era o grande chefe de todos os negócios, que o petróleo era parte da questão, mas pedi para falar com ele por que eu não queria que considerassem que eu era um oportunista, que estive há quatro meses na embaixada, prestes a abandonar o país num momento tão complicado. Então pedi ao chefe de gabinete para falar com ele. "Ok, o Che vai te receber às duas horas". "Ok, amanhã eu vou estar aqui às duas horas da tarde". "Não, será às duas horas da madrugada". É que isso era normal para Che, trabalhar na madrugada. Bom, ele me recebeu, eu contei essa história para ele e ele me falou: "Você vai embora?". "Não, vou ficar aqui". "Você quer trabalhar conosco?". "É, quero. Vou trabalhar". "Acho que você é uma pessoa honesta. Então, vamos trabalhar". O interessante é que depois, durante anos, o Che nunca falou nessa questão, de que pensei em deixar o país ... Ao contrário, isso foi nos anos 60, o ano de 61 eu estive todo na indústria do petróleo e em 62 ele me nomeou vice-ministro. Ele me deu toda a confiança para trabalhar e assim foi como eu conheci o Che.

Marcelo - Eu tenho a curiosidade de saber o que mudou, principalmente, na vida do homem comum de Cuba, após a revolução. Bom, eu diria várias coisas. Acho que foi a dignidade de sentir-se cubano, ou seja, deixar de ser cidadão de um país dominado pelos americanos e ser agora cidadão de um país independente que manada à merda os Estados Unidos. Um país soberano. Acho que esse sentido de dignidade nacional foi fundamental, sentir-se parte de uma revolução. E outra coisa importante: tenho oferecido muitas palestras e uma vez uma pessoa falou "você pode falar essas coisas porque você foi vice-ministro, foi vice-presidente da Academia de Ciências, ..." Eu falei não, você pode chamar um simples operário e perguntar quais suas experiências com a revolução cubana e muitos falarão que combateram na Baía dos Porcos, combateram na luta dos Cambraios, combateram em Angola, que construíram fábricas, que construíram policlínicas, que ajudaram a construir escolas, ou seja, é um povo que está sendo ator de um processo”. Ou seja, não é uma elite que está construindo um governo ou qualquer coisa assim, é a incorporação de todo um povo, todo um povo a resolver os problemas de diferentes formas. Estou seguro de que, se você falar com qualquer cubano, ele tem histórias para contar. Eu tenho minhas histórias, que são boas, mas há histórias tão boas como as das pessoas que combateram em Angola, pessoas que foram à colheita da cana, ou seja, um povo que não só se sente soberano, mas também ator de um processo. Isso, para mim, é uma mudança fundamental. E sinto um grande respeito por Fidel, porque ter um líder com uma dimensão universal como ele é algo tremendo, eu diria que é uma das mudanças mais importantes que experimentou o povo cubano. Bruno - Aqui no Brasil, com o oligopólio da mídia, a gente sempre tem a imagem de Cuba mostrada no Jornal Nacional, o telejornal da noite, ou a imagem mostrada pela revista Veja, a revista mais vendida, literalmente, aqui no nosso país. É a imagem associada a uma ditadura onde as pessoas não têm liberdade. Como é que você vê essa questão da liberdade? Olha, eu fico muito zangado quando vejo a propaganda sobre Cuba. Eu diria que a melhor forma de constatar é... Você tem que ir a Cuba! Tratar de ir a Cuba e falar com as pessoas. Você não vai ter um policial ou um cara de segurança vigiando você; você fala. Tem eleições, aqui não se fala disso. Fala-se que não existem eleições. Eu conheço isso pessoalmente, que meu filho foi deputado municiapl e provincial quatro vezes e foi eleito pelo voto, e foi proposto na comunidade como candidato. Um país onde o voto não é obrigatório, ou seja, as pessoas vão votar por que querem votar, ninguém está vigiando se você foi votar ou não. Quando você vê que 95%, 96% da população vota, e é um voto não obrigatório, você tem um indicador de quantas pessoas estariam de acordo com a revolução. Uma pessoa pode não ter ido votar porque estava doente, mas vamos achar que todos que não foram votar estão contra? Votos brancos, votos nulos, isso dá 10% a 12% do total. Então você vê que 88% da população está a favor. Quantos governos têm 88% das pessoas a favor? Poucos. Liberdade. Eu diria: onde existe realmente liberdade de imprensa? Com essa mídia que você está mencionando. Os pobres, a classe oprimida, realmente têm poder na mídia para poder fazer algo? Não têm. Agora, em Cuba temos uma pressão dos americanos enorme. Em Cuba não existe embaixada dos Estados Unidos, existe o que se chama Escritório de Interesses. Esses Escritórios financiam abertamente, sem segredos, um programa que dá recursos a grupos dissidentes em Cuba. Ele não trabalham, vivem do dinheiro fornecido pelo Escritório de Interesse norte-americano para derrubar o governo de Castro, ou seja, esse cara é inimigo da revolução e, por isso, uma imprensa a favor dessa pessoa não é permitida. E não é! Que isso não é inteira liberdade de imprensa, eu concordo, mas tem que ser assim. É uma luta em que o povo de Cuba está arriscando sua existência, seu futuro. Não pode estar em mãos de uma mídia que esteja propiciando a divisão, a luta contra o governo. Um fator importante para manter o processo revolucionário é a unidade, para poder enfrentar tanta dificuldade que o povo cubano está enfrentando. São situações difíceis, o problema do bloqueio... Nosso comércio natural é com os Estados Unidos, a distância entre nós é de 140KM. O mercado natural seria comerciar com os Estados Unidos e o nosso mercado natural, devido ao bloqueio, tem sido com a Europa, a milhas de distância. O custo do transporte... Um barco que entra em Cuba com mercadorias não pode entrar nos Estados Unidos até seis meses depois e, por isso, cobram 40% de custo adicional. Ou seja, é uma luta muito complicada em que a liberdade de imprensa não é grande porque não pode, é uma questão de sobrevivência. Então, fale com o povo cubano. Cuba tem onze milhõe s de habitantes e você vai encontrar onze milhões de sugestões diferentes sobre como resolver um problema. O cubano discute tudo de 85% a 88% desse povo está a favor da revolução cubana e é por isso que a revolução cubana está sobrevivendo a tantos problemas depois de quarenta e seis anos.

Bruno Zornitta - Uns dias atrás a gente viu um filme chamado Surplus e, nesse filme, uma das cenas que mais me chamou a atenção foi o momento em que a câmera filmava um outdoor em Cuba escrito "consuma somente o necessário". E aquilo me impressionou muito porque é uma propaganda totalmente contrária a tudo o que a gente está acostumado a ver. E, pensando na questão de que os produtos lá são mais funcionais, sem aquela necessidade de vender, eu queria saber: como é a propaganda em Cuba?
Não se trata de uma sociedade consumista, mas de uma sociedade que consome o que é necessário. Por exemplo, numa campanha muito forte para reduzir o consumo de energia mobilizaram as crianças, chamadas Patrulhas Click – de fazer um click no interruptor. Para que as crianaças, nas casas, tenham a consciência de que têm que poupar energia. É despertar uma consciência nas crianças, desde que são crianças, para a questão do consumo, ou seja, uma sociedade consumista é uma sociedade que, para nós, seria muito complicado. Para qualquer país subdesenvolvido. Ou seja, devem consumir somente o que é necessário, não ter grandes diferenças sociais, pessoas que ganham muito dinheiro e pessoas que ganham muito pouco. Não é igualitarismo, mas uma sociedade mais justa, de melhor distribuição de recursos, fazendo um esforço pessoal.
Mariana Vidal - Você falou agora há pouco, do grande líder que é o Fidel e da continuidade da revolução cubana. Em janeiro estive no Fórum Social Mundal, conversei com o pessoal da Prensa Latina e discutiu-se muito isso, a questão da continuidade da revolução. E eles deixaram bem claro: "Fidel não é a revolução, a revolução está no povo cubano, Fidel é só um líder". Na sua opinião, se Fidel viesse hoje a falecer, como é que ficaria a revolução cubana, teria realmente continuidade? Sem dúvida Fidel tem um carisma extraordinário. Poucas pessoas na história da humanidade têm o carisma de Fidel. Muitas pessoas se surpreendem: "Fidel falou quatro horas"! Quatro horas é muito, seis é demais, mas você tem que escutar Fidel, quatro, seis horas falando; você está entendendo a mensagem que ele está transmitindo. E quando falta Fidel vai faltar o carisma de Fidel. E não é fácil conseguir outra pessoa com esse mesmo carisma. Agora, o que vai ficar, ainda Fidel não existindo, é o ensino de Fidel, a ética que Fidel ensinou ao povo, isso não vai faltar. Cuba tem pessoas que poderiam ser magníficos presidentes de qualquer país da América Latina, eu poderia mencionar cinco ou seis pessoas que, para mim, pderiam ser presidentes de qualquer país da América Latina. Ou seja, substituto capaz politicamente, administrativamente, socialmente para dirigir o país, isso existe, mas vai faltar o carisma de Fidel. E Fidel falou uam vez: "a revolução é maior que nós", ou seja, a revolução é muito maior que o próprio Fidel, porque tem-se um povo capaz de avançar sem ele.
Bruno Zornitta - A imagem de Che Guevara tem sido muito utilizada pela sociedade de consumo e eu queria saber como você vê essa apropriação da imagem de Che Guevara por um sistema contra o qual ele lutava. Isso me deixa muito zangado. As camisetas, os cartazes do Che... Mas você tem que separar duas coisas: tem pessoas que usam cartazes e camisetas por um respeito ao Che, não por uma necessidade de consumo. Não é o Brad Pitt que está aqui, não é um artista que eu quero mostrar, é o Che Guevara que eu admiro. E você tem que ter cuidado, porque você precisa produzir cartazes, camisetas e coisas do Che precisamente para pessoas que admiram o Che, e isso não seria comercializar porque o primeiro que estaria contra isso é o Che, porque não gostaria disso.

Bruno Zornitta - É que acontece uma banalização também, por exemplo, eu estava pesquisando na internet sobre o tema e encontrei um site chamado The Che history - for all your revolutionary needs, para todas as suas necesssidades revolucionárias, com vários artigos do Che... É... Eu não conheço esse site, mas tem muitos. Tem muitos livros... Tem livros que são uma bosta completa. Acho que os motivos para eu escrever esse livro foram dois: primeiro, vi os livros que saíram publicados aqui, que eram de autores norte americanos e mexicanos. Um livro grande, com a biografia do Che. Eu conheci antes um, em Cuba, e era uma bosta. Tem outro que é um horror, a biografia de Castajeda, mexicano. Outro, que foi melhor, de Inácio Taigo, também mexicano, mas fraco. E sempre eu sentia que faltava... Que nesses livros a ênfase era sempre o Che na guerrilha, o Che na Sierra Maestra e faltava esse Che cotidiano, esse Che ministro, que dava uma lição diferente de um Che guerrilheiro. O Che da guerrilha se converteu num cone, uma espécie de santo, irrepetível, que já não vai acontecer mais, morreu e acabou. Mas esse Che ministro, austero, honesto, com visão estratégica, exigente, com sentido da importância da ciência e da tecnologia para o desenvolvimento, com sensibilidade humana, esse é o Che irrepetível, o Che necessário. É necessário hoje, nós necessitamos muito de ministros como o Che. Hoje! Não é algo de história, é algo de presente e de futuro. Isso foi o que me decidiu a escrever esse livro, mostrar um Che que não é um ícone histórico, mas um exemplo de presente.
Marcelo Salles - Você acha que o Che, por ter sido ministro e ter toda essa visão estratégica que você descreve no livro, teria se precipitado ao abandonar o posto dele e ter ido para a guerra? Como você analisa essa decisão dele? Nesse momento, nesses anos 60, eram ditaduras em toda a América Latina. Acho que exceto México, Costa Rica... Então Che falou com Fidel que sentia que tomando a experiência da revolução cubana, poderia impulsionar as guerrilhas como forma de libertação do povo da América Latina. Ele se sentia comprometido com isso e firmou um compromisso com Fidel nesse sentido. Como você vê no livro, uma característica do Che era ser exemplo pessoal. Ele era o primeiro que chegava no ministério e o último que saía. Ele promovia que todo mundo estudasse, mas ele era o primeiro que estudava, ele foi nosso professor de computação. Ou seja, esse Che que era exemplo pessoal se sentiria muito mal havendo ações de libertação na Argentina, Bolívia, Guatemala e ele de ministro em Cuba, num escritório com ar-condicionado. Nesse compromisso com Fidel ele disse: "Agora que ministério das indústrias já está caminhando, eu tenho que ir à luta". Inclusive com condições físicas muito difíceis. Não sei se vocês viram o filme de Walter Salles, os ataques de asma do Che eram horríveis. Ele sabia que seus ataques de asma iriam ser terríveis, e ele foi! Sabia que as possibilidades de morrer eram grandes, e ele foi! Ele era um exemplo, e parte desse exemplo era ser parte da guerrilha que ele estava promovendo.
Mariana Vidal - Quando Lula chegou no poder, esperava-se uma aproximação maior entre Fidel, Lula e Chávez. Hoje você vê Fidel e Chávez fazendo tratados e o Lula meio à parte. Ficou alguma decepção, por parte dos cubanos, do rumo que o governo Lula levou?
Eu não gostaria, como cubano, de opinar sobre o governo Lula.
Marcelo Salles - E o acordo energético de Caracas, em 2000? Furou o Bloqueio. Isso foi uma boa coisa.
A Alba... Marcelo - A Petrosul, a Telesur... Isso são medidas concretas. Até agora a Alca é retórica. A questão da Petro Caribe, dando petróleo barato aos países do Caribe, negócios com Cuba, promovendo acordos comerciais, Cuba dando assistência médica à Venezuela. Isso são medidas econômicas concretas, muito favoráveis. Eu acho que a Alba é uma alternativa diferente à Alca, e que está começando. Marcelo Salles - Na Casa Branca foi criado, há cerca de um ano, um departamento para negociar o que eles estão chamando de reabertura de Cuba ou redemocratização de Cuba. Queria saber como você está vendo esse recrudescimento da pressão dos Estados Unidos sobre Cuba. Isso mostra a prepotência dos Estados Unidos no mundo monopolar. Os Estados Unidos não tem direito nenhum de intervir na questão de Cuba, isso é um problema dos cubanos. E eles estão financiando agressões contra Cuba, dissidências contra Cuba, financiando estações de televisão e de rádio contra Cuba, aumentando cada vez mais o bloqueio. Isso é injusto, eles não têm o direito de fazer isso. Eles estão financiando grupos dissidentes dentro de Cuba e defendendo terroristas dentro dos Estados Unidos. Tenho uma história pessoal nessa questão do terrorismo. A primeira vez em que estive no Brasil, ano 1974, eu era presidente da Comissão de Energia Atômica em Cuba e o Brasil estava desenvolvendo o programa nuclear com a Alemanha. Estive aqui para essa reunião da Organização Internacional da Energia Atômica e, estando aqui, os mexicanos nos pediram para ir ao México assinar um protocolo de colaboração e trocamos nossas passagens para voltar a Cuba. Era Rio-Caracas-Barbados-Havana. O avião em Barbados explodiu com uma bomba. O autor dessa explosão está em Miami, foi depois quem tentou fazer o atentado terrorista contra Fidel no Panamá. Quando estive na refinaria de petróleo, explodiram uma bomba junto à refinaria. Um barco pirata ancorou junto à refinaria e foi resgatado por um submarino norte-americano. Isso não é terrorismo? Que moral têm os americanos para fazer essas coisas? Deixem os cubanos organizar suas vidas, os americanos não têm por que entrar nessa questão. Cuba não tem as eleições como os americanos gostariam, a Arábia Saudita tem porque apoiaram Pinochet todo esse tempo, porque apoiaram Batista quando era ditador em Cuba, porque apoiaram todas essa ditaduras na América Latina durante todo esse tempo. Por que tem que chamar a Fidel Castro de ditador? Simplesmente porque não é um regime que está a favor deles. Simplesmente porque manteve-se firme comandando um país soberano. Ou seja, isso é uma imoralidade. Marcelo Salles - Eu estava conversando com uma amiga e ela dizia que a pressão de um país que tem a tecnologia nuclear sobre outro é definitiva. Mas, se fosse assim, os Estados Unidos já teriam invadido Cuba. Eu queria saber o que tem em Cuba que impede os Estados Unidos, a maior potência do mundo, de retomá-la num primeiro momento, nem na tentativa de invasão à Baía dos Portos e nem depois. O que tem em Cuba que eles não conseguem entrar? A moral do povo. Acho que é isso o mais importante: demonstrar que o povo todo resistiu a esse grande poderio e ainda sustenta-se por mais de quarenta e cinco, quarenta e seis anos. Acho que é de suma importância o exemplo do povo cubano. Porque Cuba não tem grandes riquezas, Cuba não é uma potência militar, ainda que os cubanos saibam combater. Se o apartheid foi eliminado no cone sul da África, se a África do Sul tem uma situação diferente, se a mídia está diferente, se a antiga Grécia conseguiu a liderança, foi graças ao sangue dos cubanos que foram lutar lá. Eu não estou dizendo que Cuba é um a potência militar, mas o cubanos sabem combater e uma agressão direta a Cuba não é tão fácil.
Marcelo Salles - Cuba hoje continua preparada para resistir?
Totalmente. Cuba nunca deixou de estar preparada para combater, mas para defender-se, não para atacar. Bruno Zornitta - Quais são as melhores lembranças que você tem do Che Guevara? Tem que ler o livro! Lembro de muitas coisas: a sensibilidade humana, amizade, exigência. Como ele ficava muito bravo quando acontecia alguma negligência, uma irresponsabilidade, mas esse humor e sentido de amizade... Ele era um chefe e um amigo. Muito exigente, muito trabalhador e um exemplo pessoal, aprendi muito com ele.
CAROS AMIGOS
SENADOR DE 5º CATEGORIA, O ESTADO DO AMAZONAS NÃO MERECE!
Que cena deprimente fez o Arthur Virgilio na tribuna do senado.Que coisa lamentável, que falta de ética e decoro parlamentar. Eles estão em desespero total com a boa atuação do governo Lula, eles estão em desespero porque o presidente Lula apesar de todas as maracutaias, mentiras, armações que eles fizeram contra o presidente, Lula é imbatível em 2006. Os projetos e as ações do governo são um grande sucesso, a popularidade do presidente Lula está em alta. O povo do Amazonas não merece ter como representante do estado um sujeito desvairado, despreparado, emocionalmente perturbado como Arthur Virgilio. Ele perdeu totalmente o senso de noção do ridículo, ele é político deveria fazer um enfrentamento político de idéias. Mas o povo do Amazonas vai saber dar respostas nas urnas nas próximas eleições, alias já seu, o filho dele concorreu as eleições em 2004 e perdeu e seguindo o exemplo do pai truculento e sem noção saiu mostrando a bunda para a população, foi parar na delegacia, aonde foi registrado um BO por atentado ao pudor. Arthur Virgilio está desesperado ele foi governo por 08 longos anos, e agora não é nada, não manda nada, não pode destruir o país como fez nesses longos 08 anos ao lado de FHC. Ele pensa que é a ultima Coca Cola do deserto, pensa que é a ultima pelanca do cirurgião plástico. Sujeitinho digno de pena!

01 novembro 2005


AO VLADO COM CARINHO
SUA MORTE NÃO FOI EM VÃO,E NEM DEIXAREMOS CAIR NO ESQUECIMETO.

Hoje tive o privilégio de assistir trechos do filme Vlado 30 anos, de João Batista de Andrade. Confesso que me emocionei ao ouvir as declarações daqueles que estiveram no horror dos porões da ditadura militar.O que houve lá dentro, tem pessoas que nem imaginam o que foi, que nem imaginam que possa ter ocorrido tamanha barbárie, com total consentimento, aprovação, conivência dos governantes militares e muitos civis daquela época, a barbárie era oficial. Estive nas dependências da OBAN -SP, lá no quartel do II Exército, fiquei na sala de espera com a minha amiga, aguardando o meu pai Capitão da PM que tinha ido obter noticias do marido dela que se encontrava preso. De onde eu estava eu ouvia os choros e os gritos de dor, e ao passar por nós uma equipe de agentes eles em alto e bom tom, olhando para nós disse o que o outro tinha feito com "mina", se referindo a alguma presa que tinha sido torturada e uma forma de nos intimidar, nos constranger, nos humilhar. Na saída de meu pai, dois agentes o acompanharam, e nos cumprimentaram, me lembro deles e dos codinomes, Bismark e Ubiratan. Ubiratan é delegado Aparecido Calandra, especialista em interrogatórios, que hoje está no governo Alckmin.É muito importante divulgar esses fatos para os jovens de hoje, é importante recordarmos desse período negro do nosso país, é importante estarmos atentos para que isso nunca mais aconteça. Muitos dos que deram sustentação, muitos que atuaram no regime militar estão agora posando de democratas, falam em estado de direito, em liberdade. Mas são filhotes da ditadura, ACM, MALUF, RICARDO IZAR, BOLSONARO, BORNHAUSEN, ALELUIA e outros da casta. Hoje eles são beneficiados pela anistia que foi ampla, e irrestrita, mas o que eles defendem, gostam, sonham, é o pensamento deles é a volta desse horror que foi a ditadura militar, aonde poucos ficaram muito ricos, tinham muito poder, e aonde muitos ficaram muito pobres e humilhados.Essa mentira da revista Veja, me leva a recordar o passado ,era assim naquela época para justificar as prisãoes, as mortes, eles mentiam, e faziam acusações sem provas, sem testemunahas, para dar uma satisfação a sociedade. O caso da bomba do Riocentro em 1º de maio 1981, é o exemplo mais concreto e real, deu errado e a bomba explodiu antes no carro no colo do sargento e do capitão do exército, no local haviam 20 mil pessoas a maioria jovens, assistindo um show não foram atingidos. A operação seria finalizada com ampla divulgação em toda a imprensa, atribuindo o atentado aos guerrilheiros de esquerda. Na realidade o atentado marcou o início e o declínio do terrorismo de direita contra a abertura.

No próximo dia 25 de outubro teremos o 30º aniversário do assassinato sob tortura de Vladimir Herzog. O líder dos estudantes técnico-industriais, José Montenegro de Lima, o coronel PM José Maximiano de Andrade Neto, o tenente PM José Ferreira de Almeida e o operário Manoel Fiel Filho também foram mortos no mesmo período. Antes, e também sob tortura, os ex-deputados David Capistrano da Costa e João Massena de Melo, o operário Itair José Veloso, o professor universitário e ex-prefeito de Natal Luiz Ignácio Maranhão, os jornalistas Jaime Miranda e Orlando Bonfim, o ator Iram Pereira, Elson Costa e muitos outros.
O Sindicato dos Jornalistas de São Paulo (juntamente com dezenas de outras instituições) pretende fazer de outubro um mês de atividades em defesa da democracia, pelo respeito aos direitos humanos e pela paz. Serão várias ações em homenagem ao Vlado e a outras vítimas da ditadura, bem como aos homens, mulheres e instituições que lutaram pela anistia, contra as prisões por motivos políticos, contra a tortura.
Entre as atividades já programadas: leitura de texto nos espetáculos teatrais de São Paulo; ciclo de cinema; palestras e debates nas faculdades de jornalismo; exposição sobre arte e direitos humanos, com trabalhos de artistas (desenho, pintura, escultura, charge, fotografia, etc.) especialmente criados para o evento; especial da TV Cultura; sessões solenes de homenagem na Câmara dos Vereadores e na Assembléia Legislativa; concerto com a orquestra sinfônica do estado; lançamento de livros; lançamento do filme Vlado 30 anos do cineasta João Batista de Andrade; culto inter-religioso na Sé; cerimônia de entrega do 27º Prêmio Vladimir Herzog no Parlatino; lançamento de carta aberta em defesa dos direitos humanos no dia internacional da anistia (4 de outubro). No Rio de Janeiro o governo do Estado editou cartilha sobre Vlado e os direitos humanos para discussão em escolas públicas do segundo grau, no mês de outubro.
Em resumo: não há um "calendário único". Existem algumas iniciativas organizadas pelo Sindicato dos Jornalistas em parceria com outras instituições. O objetivo é aproveitar a data para defender a paz, a democracia e o respeito aos direitos humanos, inclusive por ocasião do plebiscito sobre o desarmamento. Melhor se as iniciativas se multiplicarem por todos os cantos do nosso país, no qual mais de 60% da população têm menos de 30 anos e muitas vezes desconhecem a brutalidade dos crimes cometidos pela ditadura. Daí o esforço em estimular que outras pessoas e instituições (sindicatos, associações, câmaras municipais, etc.), em todo o Brasil, adotem iniciativas semelhantes.
O ouro de Moscou


A última diabrite da Veja confirma a imoralidade de parcela da mídia nacional. O afã de derrubar Lula tem levado Veja, Estadão, Primeira Leitura, Folha e O Globo, às raias do absurdo. A reportagem da Veja é baseada no vago depoimento de dois sujeitos, que por sua vez ouviram a história de uma outra testemunha, já falecida. Um dos sujeitos é Rogério Buratti, aquele desafeto do Palocci que não merece a mínima credibilidade; o outro já negou a história. Sem nenhuma prova, da mesma forma que acusou o PT de receber dinheiro das Farcs, a revista afirma categoricamente que houve tal absurda operação. Ô revistinha! O trenzinho da direita, naturalmente, foi todo atrás: as já citadas mídias logo reproduziram a denúncia de Veja, com os devidos acréscimos editoriais.

O lado positivo é que o PT, com uma diretoria novinha em folha, está recuperando sua capacidade de luta, seu espírito de combate, sempre necessário na política. O PCdo B, recém-saído de um Congresso em que confirmou sua diretoria, também está fortalecido. As CPIs não encontraram, até agora, nenhuma prova de "maior corrupção de todos os tempos como diz a oposição- (E nem vai ainda não foi investigado fhc e sua trupe)". Com a queda de Eduardo Azeredo, presidente do PSDB, em função de seu envolvimento com o esquema de Marcos Valério, com participação do mesmo Duda Mendonça, o tucanato entrou em parafuso. Isso sem falar na matéria da Carta Capital desta semana, denunciando a corrupção pefelista na Bahia.

Está cada vez mais explícito que setores reacionários estão patrocinando uma guerra sem lei, escrúpulos ou limites contra o presidente eleito com 53 milhões votos. É o desespero. Mas a história não é burra. A reportagem serviu para a Embaixada de Cuba, negando veementente qualquer interferência no processo eleitoral brasileiro, manifestasse apoio à Lula e repúdio às forças reacionárias que operam ao longo de toda América Latina, visando desestabilizar governos não-alinhados à política direitista de Washington.







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ENTREVISTA COM O PROF. EMIR SADER.
Emir Sader: "Veja é a pior revista do Brasil" "Veja é a pior revista do Brasil. Ela se esmera na arte da vulgaridade, da mentira, do sensacionalismo, no clima de 'guerra fria' com que defende as cores do bushismo no Brasil". A afirmação é de Emir Sader, coordenador do Laboratório de Políticas Públicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e professor da Universidade de São Paulo (USP). Em artigo publicado na revista Carta Maior, afirma que a Veja "mente desesperadamente" porque "representa o que de pior o capitalismo brasileiro já produziu". Em entrevista ao Informes, Emir Sader comenta uma matéria publicada pela revista esta semana. A publicação afirma que campanha de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República, em 2002, teria recebido dinheiro de Cuba. Confira a íntegra da entrevista:

Informes - Por que o senhor afirma que a Veja mente?

Emir Sader - Mente porque tenta passar teses totalmente falsas. Para dar fundamento a isso, ela só pode apelar para mentiras: ou a mentira do silêncio ou a mentira do engano. Se ela tivesse que provar as mentiras que tem dito ao longo do tempo, já seria uma revista fechada. Não têm nenhuma credibilidade as coisas que ela diz. Eles têm um monopólio: algumas poucas famílias brasileiras têm o monopólio da formação de opinião pública através da grande mídia privada. Na verdade, há impunidade para se contar mentiras, para se deturpar e para se denegrir o nome das pessoas.

Informes - Há algum paralelo entre o que a Veja faz e o que a imprensa venezuelana fez, na tentativa de golpe para derrubar o presidente Hugo Chávez?

Sader - Vocês podem retomar a capa da Veja, festejando a queda de Hugo Chávez. Foi até uma "barriga" de imprensa (informação falsa). Hugo Chaves já tinha retomado o poder, levado pelo povo venezuelano, e eles continuavam gozando na primeira página. Isso dá idéia não só da similaridade quanto da empatia e identificação e de um projeto que eles têm, que, aliás, é de toda a imprensa brasileira. Toda ela foi aliada e solidária com o golpe na Venezuela.

Informes - A sociedade brasileira percebe esse tipo de jornalismo?

Sader - Não percebe. Não percebe porque há poucos jornais independentes - tipo Brasil de Fato, Carta Capital, Carta Maior e Caros Amigos. A política do governo em relação a isso foi desastrosa. Foi uma política de continuar com o mesmo tipo de apoio a esse tipo de imprensa mercantilizada, monopólica e golpista, que evidentemente tem seus queridinhos, que não são o governo atual. É uma imprensa que tem seus queridinhos em Tasso Jereissati (senador [PSDB-CE]) , José Serra (prefeito de São Paulo [PSDB]), Fernando Henrique Cardoso (ex-presidente da República [PSDB]), Jorge Bornhausen (senador [PFL-SC]). O governo foi totalmente equivocado. Ainda há tempo para contornar isso, mas hoje eu diria que não: não há um sentimento crítico suficiente. Tanto assim, que houve essa manipulação que triunfou no referendo (sobre a proibição do comércio de armas no país).

Informes - O senhor vê algum vínculo com os anti-castristas que têm interesse na Venezuela?

Sader - Pode haver vínculo direto ou não. Mas o que os vincula é a mesma ideologia e o mesmo gozo do monopólio privado de formação de opinião pública. Na verdade, o partido da grande burguesia brasileira é a grande mídia privada.

Informes - O presidente George W. Bush chega ao Brasil esta semana. O senhor acha apenas uma coincidência a Veja publicar esta matéria sobre a suposta remessa de dinheiro de Cuba? Ou a revista estaria tentando dificultar o relacionamento entre Brasil e Estados Unidos com uma matéria como essa?

Sader - A Veja é a representante oficial do bushismo no Brasil, do fundamentalismo republicano de direita. Não seria estranho. Mas as teses que ela defende - com seus vários colunistas, editoriais e, sobretudo, as reportagens editorializadas - já correspondem ao bushismo. Apesar de eles mentirem que a política externa brasileira é um fracasso, a política externa brasileira é um sucesso. É isso o que os chateia muito. Essa é que seria a grande mudança no Brasil, caso voltassem os tucanos e pefelistas. A política externa brasileira afirmou uma linha de solidariedade internacional e de integração. Isso os importuna muito.

Informes - Como conciliar democracia, como temos no Brasil, e jornalismo como esse da Veja?

Sader - O jornalismo da Veja poderia existir. O que é incompatível com a democracia é o monopólio privado da formação de opinião pública. Não teremos democracia no Brasil enquanto não tiver uma grande mídia plural, democrática, crítica e independente. Há necessidade de fortalecer essa mídia alternativa, crítica e independente. Da existência e do fortalecimento desses canais vai depender o resultado da campanha eleitoral do ano que vem.