BRASIL SEM ARMAS
Conselho Nacional de Juventude divulga moção a favor do desarmamento
Na primeira reunião do Conselho Nacional de Juventude, ocorrida no último dia 4 de agosto, em Brasília, além de discutir o regimento interno e as formas de funcionamento do Conselho, aprovou-se uma importante moção, que reuniu o amplo apoio dos conselheiros, afirmando a posição pelo SIM no referendo de desarmamento que acontecerá em 23 de outubro.
O Conselho constituiu um Grupo de Trabalho para acompanhar o tema e já está previsto o agendamento de uma reunião com o Senador Renan Calheiros, que preside a Frente Parlamentar por um Brasil Sem Armas. O grupo é composto pela Ubes, que é representada no conselho por seu presidente, Marcelo Gavião, pela UNE, também representada por seu presidente, pela ANPG - Associação Nacional dos Pós-Graduandos, UEB - União dos Escoteiros do Brasil, Instituto Sou da Paz, Organização Brasileira de Juventude – OBJ, UNE - União Nacional dos Estudantes, PJ - Pastoral da Juventude, Frente Brasileira de Hip-Hop, Ubes - União Bras. dos Estud.Secundarista, Escola de Gente - Comunicação e Inclusão Rede Nacional de Juventude, Nação Hip-Hop Brasil, Deputado Claúdio Vignatti, Estudantes Indígenas, Subsecretaria de Direitos Humanos – SDH, Secretaria Nacional de Juventude - SNJ.
Para o presidente da Ubes, Marcelo Gavião, a entidade dos secundaristas e a UNE têm uma grande tradição em defesa do desarmamento. Foram essas entidades que há alguns anos lançaram a campanha Sou da Paz e que se desdobrou numa série de iniciativas. "Temos que fazer uma ampla campanha na sociedade para aprovar o SIM, mas precisamos ir além. O desarmamento é um passo importante para diminuir a violência, mas isoladamente não irá resolver o problema. Particularmente, no que diz respeito à violência entre a juventude, é necessário investimento público nas áreas sociais de educação, saúde, uma campanha incisiva contra o trafico de drogas, políticas de geração de emprego e renda que possam dar uma perspectiva de vida para a nossa juventude".
A reunião do Conselho Nacional de Juventude elegeu a conselheira Regina Novaes para presidir o Conselho. Com grande trajetória na área de Políticas Públicas para a Juventude, Novaes é antropóloga e participou do desenvolvimento do Projeto de Juventude, do Instituto de Cidadania.
Jovens são maiores vítimas de homicídio Entre 1980 e 2002, a taxa global de mortalidade no Brasil caiu de 633 óbitos a cada 100 mil habitantes para 573 mortes a cada 100 mil, uma redução de 10,5%. Porém, no mesmo período, a taxa de mortalidade entre jovens de 15 a 24 anos aumentou 7%, passando de 128 para 137 mortes a cada 100 mil. As maiores causas dos óbitos entre jovens são as mortes violentas, principalmente os homicídios causados por armas de fogo e os acidentes de trânsito. Os dados foram revelados pela pesquisa “Mapa da violência IV: os jovens do Brasil”, da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), em parceria com a Secretaria Especial de Direitos Humanos e o Instituto Ayrton Senna. De acordo com o estudo, se comparado aos 67 países pesquisados, o Brasil é o quinto país do mundo onde morrem mais jovens, ficando atrás apenas da Colômbia (caracterizada por uma “síndrome de violência endêmica”), Ilhas Virgens, El Salvador e Venezuela. As taxas chegam a ser 100 vezes superiores a países como Áustria, França e Luxemburgo, na Europa e Japão e Bahrein, na Ásia. Enquanto o índice de homicídios na população em geral aumentou 62,3% entre 1993 e 2002, no mesmo período o número de jovens vítimas de homicídios subiu 88,6%. Os jovens do sexo masculinos totalizam o maior número de ocorrência, correspondendo a 93,8% do número de mortes. Apenas 6,2% do número de obtidos é de jovens do sexo feminino. A tendência é confirmada pelo Sistema de Informações de Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde. A maior parte dos homicídios acontece nos finais de semana e é causada por armas de fogo. Em 1998, as mortes por esse tipo de arma correspondiam a 66,1% dos homicídios entre jovens. Em 2002, o número saltou para 75,3%, sendo que o índice se manteve acima dos 74% em quase todas as regiões do Brasil, exceto no norte. Alerta do relator
O relator do Estatuto do Desarmamento e deputado federal pelo PT de São Paulo, Luiz Eduardo Greenhalgh, alerta: "Temos que acabar com a arma de fogo no país antes que ela acabe por desestruturar totalmente a sociedade brasileira".
O deputado conta por quê a população deve optar pelo fim do comércio de armas. "Porque o Estado brasileiro perdeu o controle sobre o uso de armas de fogo. Porque a sociedade brasileira perde 50 mil vítimas por arma de fogo por ano, quase um Vietnã por ano. Por que quem morre hoje no Brasil vítima de armas de fogo é o pobre, é o negro, é a pessoa da periferia, é o excluído socialmente, sobretudo os jovens".
Atualmente, o Brasil tem 3% da população mundial, mas contribui com 11% dos homicídios por arma de fogo no mundo. Luiz Eduardo Greenhalgh afirma que, além de diminuir esse índice, se a proibição à venda de armas for aprovada será aberto o caminho para a construção de uma sociedade baseada na cultura da paz.
"É a possibilidade da gente reconstruir a nossa sociedade com outros valores. É a defesa da vida, contra a indústria da morte".
Segundo o deputado, o que está em jogo no referendo é o interesse da indústria de armas, que não quer diminuir seus lucros. E para apoiá-la foi criada a "Frente Pela Legítima Defesa", da qual fazem parte parlamentares a favor do "não" no referendo.
Leia, abaixo, a Moção aprovada pelo CNJ
MOÇÃO DE APOIO AO "SIM" NO REFENDO DO DESARMAMENTO
Reafirmando seus compromissos com a democracia e o direito à vida segura e sem violência, o CONSELHO NACIONAL DE JUVENTUDE, vem a público manifestar sua posição favorável ao "SIM" no referendo do desarmamento participando, desta forma, da luta pela proibição da venda das armas de fogo e munição no Brasil.
As armas têm enorme poder de destruição, no campo e na cidade, e o acesso a elas torna o combate à violência um desafio de dificílima solução. Temos claro que a arma não é a causa da violência, mas sim, seu vetor mais perigoso, oferecendo grande letalidade a qualquer tipo de conflito em que ela é usada, causando sofrimento e dor à população brasileira.
A juventude desponta como o segmento da população mais atingido pelo fenômeno da violência, em especial aquela já intensamente vitimada pela flagrante desigualdade social verificada no Brasil. Esta situação colabora para limitar o direito a participação da juventude que em função da violência armada adquire algum tipo de deficiência.
Com o intuito de ampliar e proteger as condições de vida dos(as) jovens, justificamos nossa decisão de votar "SIM" no referendo de outubro de 2005.
Para assegurar a plena participação social, reiteramos a importância do referendo como instrumento positivo da democracia direta, desse modo, os signatários deste documento se comprometem a difundir a campanha em seus estados, através de suas redes, ampliando a discussão e a mobilização da sociedade em geral, mas em particular das juventudes, por uma efetiva cultura de paz.
Apostar na juventude é garantir um Brasil sem armas.
Conselho Nacional de Juventude
Fonte: Estudantenet