30 julho 2005


Dirceu é vítima de campanha "para enxovalhar" seu nome


Brasília - O deputado José Dirceu (PT-SP) divulgou nota na tarde deste sábado para contestar a reportagem de capa da revista Veja, intitulada "O risco Dirceu". O deputado afirma que está sendo vítima de uma campanha "para enxovalhar" o seu nome, justamente na véspera do depoimento que prestará ao Conselho de Ética da Câmara como testemunha no processo contra o deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ). Eis a íntegra da nota:
"Com repúdio e indignação vejo mais uma iniciativa da revista Veja para enxovalhar meu nome, em uma tentativa anti-republicana de construir um clima de pré-julgamento. A edição desta semana desenrola uma série de mentiras com o objetivo nefasto de me desmoralizar perante a opinião pública no momento em que prestarei ao Conselho de Ética da Câmara esclarecimentos, como testemunha, no processo contra o deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), acusado pelo PL de ter faltado com o decoro parlamentar.
A reportagem de capa ("O risco Dirceu") é totalmente improcedente. Repilo absolutamente a afirmação de que estaria mandando "recados ameaçadores" ao governo e contesto taxativamente a suposição de que Roberto Marques, que é meu amigo e não meu assessor, tenha sido autorizado a sacar dinheiro das contas de empresas do senhor Marcos Valério. Desde que foi instalada a CPI dos Correios, o esforço para me envolver nas ilicitudes investigadas tem sido enorme. Da obstinação em quebrar meu sigilo bancário, fiscal e telefônico à persistência em pressionar depoentes com o objetivo de me incriminar. Com tais esforços frustrados, partiram para a plantação de informações falsas que induzissem a imprensa a publicar noticias incorretas para me constranger. Na semana que passou, jornalistas receberam supostas informações vazadas de minhas contas bancárias. Em um dos casos, havia uma série de pequenos créditos lançados desde o início de 2003, somando cerca de R$ 230 mil. A suspeita dos investigadores, trazida a mim pelo jornalista, é que os depósitos teriam sido feitos por 30 empresas e entidades, entre elas o PMDB, a Unafisco Sindical, o Centro Radiológico de Brasília e a Associação Obras Sociais Irmã Dulce. Ao verificar os lançamentos, constatei que se tratava dos créditos referentes à minha remuneração mensal, paga pela Câmara dos Deputados. Com o esclarecimento, o jornalista desistiu da publicação.
Em outra ocasião, solicitaram explicações para quatro lançamentos de crédito totalizando cerca de R$ 300 mil em minhas contas. Em novo levantamento, verifiquei que a conta informada pelo jornalista não estava na relação de todas as contas correntes ativas e inativas que já possuí. Novamente, com a suspeição das informações vazadas, o outro jornalista preferiu não publicar a reportagem. A revista Veja, no entanto, não seguiu o mesmo padrão de comportamento. Mesmo depois de ser informada pelo deputado Carlos Abicalil (PT-MT) de que tinha recebido um documento sob suspeição da CPMI, insistiu na publicação de uma versão distorcida, alinhada com a conveniência dos que querem me transformar em réu de um Tribunal de Exceção, mesmo ao custo de uma armação sórdida. Deputado Federal José Dirceu (PT-SP)".


Petista suspeita de documento de assessor de Dirceu




O deputado federal Carlos Abicalil (PT-MT), integrante da CPI dos Correios, divulgou uma nota neste sábado dizendo que a revista Veja não publicou o "inteiro teor" das explicações dele sobre a ligação de Roberto Marques, assessor do ex-ministro da Casa Civil, com o empresário Marcos Valério.
Segundo o petista, "está sob suspeição" o documento que mostra Roberto Marques como sacador de R$ 50 mil de uma conta do publicitário no banco Rural de Belo Horizonte. Ele indica três motivos para a suspeita de que o documento seja uma fraude: "não guarda nexo com os saques e a movimentação bancária; as assinaturas de autorização não conferem com o padrão das demais autorizações; e não consta entre os papéis outro documento que confirme a condição de sacador pela pessoa supostamente autorizada".
De acordo com ele, a CPI "não considera tal documento como válido para dar suporte às constatações sobre os saques".



Site Revela doadores de campanha eleitorais

  1. O site Às Claras é uma iniciativa da Transparência Brasil que traduz os dados sobre o perfil do financiamento das campanhas eleitorais com base nas informações provenientes das prestações de contas dos candidatos à Justiça Eleitoral.Nele é possível consultar informações sobre o volume e a origem dos recursos arrecadados para as campanhas eleitorais, seja individualmente para cada candidato e cada doador, seja comparando-se valores médios de arrecadação por estado, partido ou tipo de cargo. O usuário tem também acesso a análises a respeito do impacto do financiamento sobre o sucesso eleitoral e quanto à intensidade das relações financeiras entre candidatos e doadores.Além de satisfazer a curiosidade do cidadão que quer exercer o seu direito de saber quem financia quem nas eleições, o uso dos dados apresentados pode ter outros desdobramentos. Dados de prestação de contas podem ser confrontados com outras informações. Um princípio básico é que todas as contribuições, seja em espécie ou em dinheiro, têm de aparecer nos registros. Os gastos não podem ser superiores aos valores arrecadados. Quando há evidências sobre arrecadação proveniente de outras fontes não declaradas, ou de gastos incompatíveis com a arrecadação informada ao TSE, a prestação de contas dos candidatos pode ser contestada.

    Acesse já e confira:

    http://www.asclaras.org.br

**Star Red**

VEJA E PSDB TUDO A VER.


Estão tendo grande repercussão nos meios políticos e espalhando-se rapidamente pela internet as denúncias de que Editora Abril S/A, proprietária da revista semanal "Veja", doou, nas eleições de 2002, R$ 50,7 mil a candidatos do PSDB. A informação foi obtida junto ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) pelo gabinete do deputado federal Dr. Rosinha (PT-PR).
Um político do PPS também foi beneficiado pelas doações. Segundo a assessoria do deputado petista, a campanha do atual líder da bancada do PSDB na Câmara dos Deputados, Alberto Goldman (PSDB-SP), recebeu doações de R$ 34,9 mil da editora em 2002. Durante o governo FHC, Alberto Goldman foi relator da Lei Geral de Telecomunicações, que regulamentou a participação do capital estrangeiro no setor.
Outro beneficiado com doações foi o deputado federal licenciado Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP). Ex-ministro da Justiça durante o governo FHC, Aloysio exerce hoje o cargo de secretário de governo do prefeito tucano José Serra, em São Paulo. A campanha de Nunes recebeu R$ 15,8 mil da Editora Abril.
Uma terceira doação foi feita ao então candidato a deputado federal, Emerson Kapaz (PPS-SP), no valor de R$ 30 mil. Kapaz, que já exerceu mandatos pelo PSDB - antes de trocá-lo pelo PPS - não foi eleito em 2002.
Segundo a assessoria do deputado Dr. Rosinha, essas foram as únicas doações feitas a políticos pela Editora Abril em 2002. Nas eleições de 2004, a editora não doou recursos.
Relação
"Essas doações a dois caciques tucanos, feitas pela editora-proprietária da "Veja", revelam uma relação íntima mantida entre revista e o PSDB", afirmou Dr. Rosinha.
"Agora, começamos a entender a motivação dos ataques da revista ao governo Lula e ao PT, boa parte deles inconsistentes", disse.
Dr. Rosinha já havia apontado uma série de ligações entre o instituto de pesquisa Ipsos-Opinion (multinacional com sede na França) e o PSDB. De acordo com o deputado, a revista "Veja" fez uso de dados do instituto para publicar capas ofensivas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O parlamentar federal petista ainda afirmou que o Ipsos trabalha para o PSDB desde o início de sua atuação no Brasil, em 2001. Além de ter relatado a Lei Geral de Telecomunicações durante o governo FHC, Alberto Goldman também presidiu a comissão que tratou da flexibilização do monopólio do petróleo. O principal beneficiado pelas doações da Editora Abril foi ainda ministro dos Transportes, quando deu início ao processo de privatização das rodovias e portos brasileiros.
"O perfil de Goldman é tão neoliberal quando à linha editorial da revista "Veja", avaliou Dr. Rosinha.DívidasUma das maiores editoras do Brasil, a Abril possuía um endividamento líquido, em 2002, de R$ 699,5 milhões. Em julho de 2004, fundos de investimento em empresas de capital privado da Capital International Inc. associaram-se ao grupo Abril, beneficiando-se da Lei Geral de Telecomunicações, relatada por Goldman.A negociação permitiu um aumento de capital de R$ 150 milhões - parte do valor foi utilizada no abatimento da dívida. O negócio corresponde a 13,8% do capital da Abril. A dívida atual da editora chega a R$ 485,9 milhões.
"Como se vê, mesmo endividada, a empresa não deixou de contribuir com campanhas tucanas", observou Dr. Rosinha. "Onde fica o princípio de imparcialidade e a independência jornalística dos veículos ligados à editora?", questionou o parlamentar petista.
Coincidência?
Além de suas relações umbilicais com o tucanato, a revista Veja dá mostras de profunda indigência jornalística ao utilizar as capas de suas edições de 13 anos atrás para tentar criar um paralelo entre a crise que culminou com o impeachment de Collor e a atual crise política.
Nem mesmo o mais imbecil dos leitores de Veja pode achar que são coincidências as reproduções ao lado. Elas buscam, descaradamente, comparar o esquema Collor-PC Farias com as denúncias de corrupção envolvendo partidos da base aliada do governo Lula.
As capas (do lado direito) são dos meses de junho e julho de 1992. Nas edições de agosto daquele ano Veja priorizou capas que retratavam as mobilizações de rua pelo Fora Collor. Não será surpresa se a edição que chega às bancas nas próximas semanas deitar e rolar encima das imagens de minguados manifestantes histéricos do PSTU e do PSOL protestando contra o presidente Lula.
Em artigo publicado no Observatório da Imprensa, o jornalista Luciano Martins Costa sintetiza a tática de Veja e de outros veículos de comunicação na cobertura da atual crise política ao dizer que "a imprensa trabalha para desconstruir Lula, para deixá-lo só, sem uma base partidária e sem condições de consolidar uma aliança que lhe desse a possibilidade de lutar pela reeleição. Quer lhe ensinar uma lição de História: lugar de operário é ao pé da máquina. Quer fazê-lo ver que a eleição de 2006, mesmo que ele chegue lá com a popularidade preservada, será um massacre, porque a massa vai votar naquele que ficar bem na TV. E ninguém fica bonito tendo ao fundo um mar de lama."
Mais suspeitas
Poucas personalidades políticas do país tiveram a coragem que o deputado Dr. Rosinha está tendo de desvendar as relações suspeitas que envolvem a poderosa Editora Abril com o que há de mais atrasado na política brasileira e quiçá estrangeira.
E para ajudar o parlamentar nas suas investigações, relacionamos aqui algumas informações intrigantes que podem revelar sujeira debaixo do tapete. São apenas indícios de relações promíscuas, mas como a própria Veja é a primeira a tratar indícios como fatos consumados, certamente ela não irá se incomodar se estes indícios forem investigados.
Um deles é a participação de Emílio Carazzai como vice-presidente de Finanças e Controle da Editora Abril. Carazzai foi presidente da Caixa Econômica Federal de janeiro de 1999 até abril de 2002, últimos anos do governo Fernando Henrique Cardoso. Coincidentemente, a Caixa é ainda hoje uma das grandes anunciantes das revistas da Editora Abril, particularmente da revista Veja. Carazzai ocupou também o cargo de Secretário-Executivo do Ministério da Fazenda, Secretário de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda e Secretário-Geral Adjunto do Ministério da Agricultura.
Outra situação mal explicada: a última edição da revista Veja traz como matéria de capa uma suposta chantagem que o empresário Marcos Valério teria feito a dirigentes do PT durante suposta ligação telefônica ao deputado João Paulo Cunha (PT-SP). Em nenhum momento a matéria —repleta de detalhes e até frases completas ditas pelos envolvidos— revela como conseguiu estas informações. Das duas uma: ou João Paulo Cunha ou Marcos Valério vazaram a conversa propositalmente para o jornalista Otávio Cabral e depois desmentiram tudo para disfarçar; ou o suposto telefonema foi grampeado. Resta ainda a hipótese de que a Veja inventou tudo, o que, cá entre nós, não seria nenhuma surpresa.
Mas a hipótese do grampo parece ser a mais plausível, já que tornou-se público e notório que jornalistas da revista Veja têm mantido contatos com arapongas como Jairo Martins (ex-agente da Abin), especialista em grampos telefônicos. O próprio Jairo Martins disse em depoimento à CPI dos Correios que seu trabalho de arapongagem tinha finalidade "jornalística". Grampear telefones é crime. Mesmo a polícia só pode fazê-lo mediante expressa autorização judicial. Mas a revista Veja parece achar legítimo o recurso.
Mais denúncias contra a revista Veja podem ser acompanhadas no site da campanha "Veja que mentira".
POR UM NOVO BRASIL
A ORELHA DESPONTA


Repasses milionários às empresas de Valério colocam Dantas na mira. O PFL arma a defesa do banqueiro
Por Sérgio Lírio
Na terça-feira 26, um parlamentar do PFL, integrante da “bancada do orelhudo”, fez chegar ao comando da CPI dos Correios um recado do banqueiro Daniel Dantas. O dono do Opportunity mandou dizer que, se convocado a depor, seria capaz de “derrubar a República”. Entende-se a preocupação que levou Dantas a tentar chantagear a Comissão Parlamentar de Inquérito. Até então envoltas em névoa, sua participação na gênese da atual crise política, as possíveis contribuições para o Valerioduto e as relações com parte da cúpula do PT ficaram mais nítidas com a chegada de uma nova leva de documentos recolhidos no Banco Rural e no BMG. A CPI vai se debruçar sobre os milionários repasses de três empresas controladas por Dantas, a Telemig Celular, a Amazônia Celular e a Brasil Telecom. Na última contabilidade de técnicos da comissão, as companhias repassaram às agências DNA e SMPB, de Marcos Valério, cerca de R$ 150 milhões (estima-se muito mais). “Diante dessas movimentações, o Opportunity entra na linha das investigações”, afirmou o deputado Eduardo Paes (PSDB-RJ).
O VALERIODUTO COMO FRANQUIA

As investigações mostram que tucanos e pefelistas usaramo mesmo esquema Por Luiz Alberto WeberEscancarado pelo tesoureiro licenciado Delúbio Soares,o esquema de financiamento eleitoral clandestino operadopelo PT e partidos coligados possui todas as característicasde uma franquia como a concebem gurus da administraçãomoderna: reproduz mediante o pagamento de royaltiesaindapor serem revelados em toda sua extensão um modelo decaixa 2 já testado por outros partidos no passado. Canal.Cerca de 80 políticos mineiros, ligados ao presidentedo PSDB, receberam recursos da SMPB O PT – e esta é uma impressão cada vez maior entre integrantesda própria bancada na CPI dos Correios – absorveu know-howtucano (ou, melhor, o savoir-faire do PSDB) de irrigaçãosubterrânea de campanhas eleitorais via as empresasdopublicitário mineiro Marcos Valério Fernandes de Souza,principalmente a SMPB e a DNA. Acossado pela oposição desde o início da CPI, o PT ganhoua companhia de PFL e PSDB, que também tiveram desnudadassuas contas eleitorais ocultas e suas relações com opublicitário. Quem antes apontava o rei nu, viu-se despido.A tese nada lisonjeira para o PT da franquia foi reforçadapelo próprio Delúbio. Em depoimento à Procuradoria-Geralda República, disse que foi apresentado ao publicitáriopor “amigos de Minas”, incluindo o deputado federalVirgílioGuimarães(PT-MG), mas acrescentou que “petistas” teriamlhe orientado a procurar o publicitário porque MarcosValério teria “experiência na captação de recursos paracampanhas eleitorais, como fizera na de 1998, na eleiçãodo então governador Eduardo Azeredo e do deputado AécioNeves (ambos do PSDB)”. Na lista de sacadores das contas das empresas do publicitáriono Banco Rural, antes só povoada por parlamentares dabase governista, depois de melhor escrutinada, começarama surgir nomes de próceres da oposição. Documentos empoder da CPI apontaram a transferência de pelo menosR$ 1,9 milhão da SMPB para campanhas de mais de 80 políticosmineiros em 1998, a maioria ligada ao então candidatotucano a governador. Dias antes, aparecera o nome do deputado Roberto Brant(PFL-MG), ex-ministro da Previdência de Fernando HenriqueCardoso, como também beneficiário do esquema. Brantadmitiuser o destino de um saque de R$ 102 mil, dinheiro esteretirado por Nestor Francisco de Oliveira, coordenadorde campanha de Brant e ex-presidente da Companhia deProcessamento de Dados de Minas Gerais, em 1998. Salve-se quem puder. O envolvimento tucano e do PFLcomo escândalo produziu uma sucessão de episódios pitorescose uma certa dose de baixo-astral na CPI. Muito do barulhose devia ao fato de que o dinheiro repassado aos parlamentaresseria exclusivamente destinado ao pagamento do mensalãoaos deputados, a mesada em troca da fidelidade ao governo,e, ainda mais, seria proveniente de contratos superfaturadosdas empresas de Valério com órgãos do governo. Apanhados pela rede da CPI, os tucanos e pefelistastentaram,sem sucesso, restringir sua participação apenas ao crimeeleitoral, ao financiamento não-declarado. “Esta CPI,que queríamos como a CPI das corrupções do PT, vai acabarcomo a CPI do financiamento eleitoral irregular de todosos partidos”, lamenta um oposicionista integrante dacomissão. Diante dos fatos, o PSDB de Minas lançou nota denunciandoa existência de uma “articulação nacional” (não deudetalhessobre a conspiração) e criticou o “clima de denuncismo”.“O PSDB não vai admitir essa estratégia do abraço dosafogados que tentam fazer conosco, em uma tentativadesesperadade nos comprometer”, respondeu Azeredo. Em São Paulo, na terça-feira 26, o ex-presidente FernandoHenrique Cardoso reuniu-se com seus líderes informaisno Senado, Arthur Virgílio (PSDB-AM) e José Agripino(PFL-RN), para discutir uma reação ao envolvimento tucano-pefelêno caso. Saque.Roberto Brant (PFL-MG), ex-ministro de FHC, recebeuR$102 mil O ex-presidente tratou de extrair do retrato reveladopela CPI todos os tucanos e espécimes assemelhados.“Precisamosinvestigar tudo, mas sem perder o foco de que a criseé hoje. O que aconteceu no passado, no meu governo,écoisa da história”, disse FHC, como a sugerir que otempotranscorrido absolvera o PSDB de suas ligações com opublicitário Marcos Valério. Uma frase que também contém um ato falho, vez que asdenúncias contra os tucanos que emergem da CPI, atéomomento, não apontam para o governo de FHC, mas apenaspara o processo sucessório de Minas Gerais, capitaneadopelos tucanos. É bem verdade que a, por ora, esquecidaCPI do Mensalão tem entre as suas missões apurar a comprade votos (R$ 200 mil por cabeça) para garantir a aprovaçãodo projeto de reeleição. Um “golpe branco” de FHC embenefício próprio. No dia seguinte, na quarta-feira, o atual presidentedo PT, Tarso Genro, reagiu às declarações de FernandoHenrique de que a CPI dos Correios corre o risco dedesviaro foco ao ampliar demais as investigações. “Parece (FHC)não querer examinar a questão da corrupção sistêmicano Brasil”, disse, ressaltando que não foi com o PTqueas irregularidades começaram. Cada vez está mais claro que o uso do publicitário comomeio de pagamento de dívidas de campanha é um fato.Umesquema que capturou a contabilidade do PT e sua direçãoe arrastou o partido para o terreno da política tradicional.Trata-se de um problema estrutural que precisa ser atacado,retrocedendo até onde os instrumentos de investigaçãopermitam para punir deputados, sejam eles petistas outucanos. Segundo fontes consultadas por CartaCapital, FHC, Virgílioe Agripino analisaram o afastamento de Azeredo da presidênciado partido como forma de responder com indignação aoenvolvimento de um dos seus com o esquema de Valério,numa resposta à complacência do PT com seus deputadosque se beneficiaram do dinheiro repassado pelo publicitário.O grupo entendeu, porém, que é melhor resistir e naturalizaras relação dos tucanos mineiros com Marcos Valério eapontá-la como coisa antiga, do passado, e não maissujeitaa qualquer punição ou indignação moral. Para eles, arenúncia forçada de Azeredo precipitaria disputas dentroda legenda que acabariam por culminar, com muita antecipação,no favoritismo do prefeito de São Paulo, José Serra,como candidato anti-Lula. Azeredo, tão logo Serra foieleito, sofreu pressões para deixar o cargo. O trio reunido no apartamento de FHC, no bairro de Higienópolis,concluiu, também, que errara em mirar o presidente LuizInácio Lula da Silva, associando-o com muita intensidadeao escândalo. O acesso a pesquisas qualitativas que indicam rejeiçãoàs críticas pessoais e frontais redirecionou a bússolatucana. No dia seguinte, Virgílio abraçou a tese daoposiçãoresponsável, que, segundo relatou um parlamentar doPSDBcom acesso aos resultados das sondagens, seria maisprodutiva.O senador que descera aos palavrões em dias anteriorespropôs em plenário uma agenda positiva e certa colaboraçãono Congresso com o governo. Lula, por sua vez, iniciou uma dupla estratégia, deaproximaçãocom suas bases eleitorais originais, comparecendo ainauguraçõesde fábricas e recorrendo a um ardil tucano, de dizerser a economia um ente frágil quando submetido a pressõespolíticas indevidas. “Os esquemas de Valério são antigos”, afirmou a CartaCapitalo deputado Carlos Abicalil (PT-MT), responsável pelasub-relatoria de contratos da CPI. Tal durabilidadedoesquema oferecido por Marcos Valério levou o ministroe presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), NelsonJobim, a estender a quebra de sigilo bancário do publicitárioe de suas empresas até 1998. Ligado aos tucanos no passado e levado ao STF, em 1997,por suas relações com o presidente Fernando Henrique,de quem foi ministro, Jobim quer voltar à política pelocaminho do PMDB. Apontado como nome na manga da legendanuma eventual candidatura própria do partido à Presidência,o ministro reuniu-se com líderes da oposição e do governopara alertá-los sobre os riscos de uma escalada de acusaçõese para a proposta cevada em setores da oposição do impeachmentdo presidente Lula (tese sustentada por aqueles queentendemque Lula cometeu crime de responsabilidade por ter sidoconivente com o suposto mensalão). Para Jobim, propostasnesse sentido jogariam o Brasil no caos político pordez anos. Integrante da tropa governista, o deputado MaurícioRands(PT-PE) quer apurar os contratos das agências publicitáriasde Marcos Valério firmados com o governo de Minas Geraisantes de 1998. Rede.Andrade, vice-governador de Minas, ex-sócio de ValérioO parlamentar disse ter informações de que as relaçõesdo publicitário com o governo mineiro existem desdeoinício dos anos 90. “É importante a decisão do STF porquefica claro que havia em períodos anteriores o mesmoesquemade empréstimos irregulares praticados em 2003. Quemsabeaté antes de 1998, porque existem contratos das agênciasde Valério com o governo de Minas Gerais desde o iníciodos anos 90. Sabemos que uma coisa são contratos publicitáriose outra os empréstimos irregulares, mas tudo tem deserapurado.” O esquema de caixa 2 do publicitário tornou-se uma coquelucheporque simples e, ao mesmo tempo, capaz de deixar poucosrastros. Segundo técnicos da CPI e parlamentares quese debruçaram numa espécie de organograma das empresase suas conexões, o publicitário oferecia sua agênciaaos contribuintes de campanha que, por alguma maneira,desejavam permanecer ocultos. Para tanto, Valério firmava um contrato fictício depublicidadecom a empresa, recebia o dinheiro e o repassava paraos políticos escolhidos, não sem antes reter uma partea título de comissão e para o pagamento de impostos.A operação tornou-se possível porque trabalhos de publicidadepossuem valores subjetivos e o publicitário driblavaa fiscalização da Receita com um planejamento tributárioaudaz e recursos judiciais. Não por acaso, os próximospassos da CPI dos Correios serão investigar os contratosdas agências de Marcos Valério com o Grupo Opportunity,que, sozinho, injetou mais de R$ 150 milhões nas empresasdo publicitário (leia a reportagem anterior). “Vamos ver se houve prestação de serviços compatíveiscom esses valores”, disse o deputado Osmar Serraglio(PMDB-PR), relator da CPI. “Os esquemas de corrupçãoestão muito sofisticados e deixando poucos rastros”,avaliou o deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR), sub-relatorresponsável pela análise dos sigilos bancários da CPI.A exclusividade petista do esquema, como se Marcos Valérioapenas servisse a um governo por vez, também começoua se dissipar com novas revelações. Entre janeiro emaiode 2004, a agência do Banco Rural em Brasília fez pagamentosem espécie no total de R$ 7,9 milhões ao Instituto deDesenvolvimento, Assistência Técnica e Qualidade emTransporte,órgão vinculado à Confederação Nacional dos Transportes,presidida por Clésio Andrade (PL), vice-governador deAécio Neves. O dinheiro seria usado para impulsionarcampanhas de prefeitos e vereadores mineiros. Detalhe:Andrade foi sócio de Valério na SMPB e na DNA. Todas essas conexões mostram que a rede de dutos dedinheiropara o caixa 2 de partidos do publicitário estava bementerrada no solo político. “Todas essas novas denúnciasenvolvendo o PSDB só reforçam a necessidade de reformularo sistema eleitoral. Isso mostra que há um esgotamentodo modelo eleitoral brasileiro e que infelizmente atingiuaté o próprio PT. Por isso, temos de passar tudo a limpoe acabar com essa promiscuidade entre administraçãopúblicae financiamento de campanhas”, diz Rands. O uso do caixa 2 não exclui a possibilidade bastanteplausível de que parte do dinheiro serviu ao mensalão,tal qual denunciado pelo deputado Roberto Jefferson(PTB-RJ).Ou seja, o dinheiro também pode ter sido usado parapagara fidelidade de parlamentares da base aliada, principalmentedo PP e do PL. A periodicidade dos saques, às vezes fora do períodoeleitoral, os valores sempre arredondados, sugerem opagamento de mesadas (petistas e outros que receberamuma única parcela estariam ligados ao caixa 2). Tambémnão se exclui que outra fração tenha azeitado negóciosentre empresários e representantes públicos, como admitemintegrantes da CPI. Relator da CPI Mista do Mensalão, criada para investigarespecificamente a denúncia de Jefferson, o deputadoIbrahimAbi-Ackel (PP-MG) recebeu, segundo ele mesmo, certoquevia o caixa tucano de Azeredo, a quantia de R$ 50 milda SMPB para sua campanha, em 1998. Não que cassações não estejam no horizonte. Sabe-sequepor razões de decoro (o que pesa em processos de cassação)a situação do ex-presidente da Câmara João Paulo Cunhae do deputado José Mentor, ambos do PT paulista, é delicada.O primeiro tangenciou muito a mentira ao negar que suamulher sacara dinheiro da conta da empresa de MarcosValério (disse que ela apenas fora ao Rural para pagaruma conta de TV a cabo – e afirmou isso por escritoàCPI), quando, na realidade, sacou R$ 50 mil. Pesam contra João Paulo suas relações pessoais com MarcosValério e o contrato da SMPB com a Câmara, que vigoroudurante o mandato do ex-presidente da Casa. Mesmo que o esquema de mensalão não o atinja ou nãosejasequer provado, e que a prática de caixa 2 seja tãodisseminadaa ponto de amortecer os ânimos parlamentares, João Paulocometeu um erro de ofício talvez fatal. Parlamentarespróximos a ele antecipam que João Paulo renunciará aomandato para evitar a cassação e só não age agora porrazões partidárias. Teme que um gesto dessa naturezaprecipite ou force a renúncia de outros parlamentaresassociados dentro das fileiras do PT que apenas receberamdinheiro para saldar dívidas de campanha sem nenhumaoutra ilegalidade, além da eleitoral. Quanto a Mentor, recebeu de um escritório de advocaciaque tem Valério entre os sócios a quantia de R$ 120mil.Mentor foi relator da CPI Mista do Banestado, que investigou,entre outros, o Banco Rural, um aliado de todas as horasde Valério. Ambos agiram no exercício do mandato e muitose agastaram com os pares. Indiferente aos nomes na berlinda, candidatos à listade cassação, o que se espera é que a ampliação da redede culpados, ao atingir os partidos de oposição, nãosirva para que todos se locupletem em vez de se moralizara casa, criando regras mais seguras para evitar a repetiçãodeste desastre. TEMPERO DA PIZZA A articulação para tentar salvar os mandatos de líderesdo PTB, PL e PP Futuro.Jefferson sonha disputar o governo do Rio Forçado a interromper uma viagem gastronômica à SerraGaúcha por causa do assédio popular, o deputado RobertoJefferson (PTB-RJ) resolveu lutar por seu mandato comolho nas eleições de 2006. Animado por sondagens preliminaresque o apontam como um candidato viável ao governo doEstado do Rio de Janeiro, Jefferson despachou emissáriospara negociar um pacto de preservação comum de mandatoscom líderes do PP e do PL, partidos acusados pelo ex-presidentedo PTB de fazerem parte do esquema do mensalão operadopelo publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza.Denunciado ao Conselho de Ética (por ter feito as acusaçõesnaquele momento, pela imprensa e sem provas), Jeffersonnão pode mais renunciar ao mandato para manter seusdireitospolíticos. Ou se salva via chicana ou no plenário. Segundo informações da Mesa da Câmara, parlamentaresligados aos deputados Valdemar Costa Neto (PL-SP), SandroMabel (PL-GO) e José Janene (PP-PR) sondaram o presidenteda Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE), para saber sea retirada da representação contra Jefferson extinguiria,também, as investigações contra os integrantes dos partidosacusados pelo ex-presidente do PTB. A resposta foi positiva,mas acendeu o sinal vermelho no Congresso Nacional,doPT ao PFL. Documentos reunidos pela CPI dos Correios mostram inúmerossaques das contas das empresas do publicitário em favorde assessores e parlamentares indicados por Jeffersoncomo beneficiários do mensalão. “É totalmente inaceitável.As oposições não vão participar de nenhum tipo de acordo”,disse o deputado ACM Neto (PFL-BA). “Se alguém trabalharcom a idéia de que, nessa altura dos fatos e das investigações,a sociedade iria aceitar qualquer tipo de pizza, é umerro dramático de avaliação”, disse o líder do governo,Arlindo Chinaglia (PT-SP). É bom notar que o sentimento no Congresso é que bastapunir alguns para que a CPI seja triunfante. Engano.Desde a CPI do PC, há 12 anos, os cristãos mudam, maso Natal é sempre o mesmo. O sucesso do acordão salve-se-quem-puder vai dependerda dinâmica da CPI do Mensalão, vez que a CPI dos Correios,que bastante avançou na reunião de provas sobre o mensalão,cede a ribalta. Na quinta-feira 28, o relator da CPIdos Correios, Osmar Serraglio (PMDB-PR), afirmou queas investigações sobre pagamento de parlamentares nãomais caberiam a ele.