10 novembro 2005

SERRA DETONA O TRANSPORTE EM SP

Latas de sardinha
Apopulação paulistana que usa ônibus para ir e voltar do trabalho está outra vez sendo penalizada pelo braço-de-ferro entre as viações e a Prefeitura. Insatisfeitas com a remuneração paga pela administração pública pelo transporte de passageiros, as empresas de ônibus reduziram a frota na rua, principalmente nas zonas Sul e Leste, conforme noticiou em primeira mão este DIÁRIO.
De uns tempos para cá, a situação piorou muito e os passageiros sofrem as conseqüências: demora na freqüência dos ônibus, filas enormes nos pontos, ônibus lotados. Ou seja, o cenário que começa a se delinear relembra os tempos mais tenebrosos desse serviço na cidade.
Na gestão de Marta Suplicy, inúmeras vezes houve choques entre o poder público e a chamada máfia dos transportes — um conluio entre dirigentes do sindicato de motoristas e donos das viações. Salpicavam greves financiadas por empresários do setor. É inegável que a administração anterior conseguiu barrar essa ação mafiosa, reorganizar o sistema de transporte coletivo na Capital e criar o bilhete único — o que atraiu usuários para o sistema.
O que se vê é o surgimento de um novo confronto, que já fez uma vítima: um homem de 37 anos, provavelmente cansado de ficar no ponto em Santo Amaro, pendurou-se na porta de um ônibus superlotado, caiu e foi internado em estado grave. Ora, está em tempo de viações e Prefeitura abrirem diálogo, interrompendo ações de sabotagem (como a retirada sorrateira de ônibus das ruas) e de intransigência. É preciso que se chegue a um acordo sobre a remuneração — sem mexer na tarifa, se possível — e os pagamentos atrasados. O que não dá para aceitar é a população ser massacrada nos ônibus, que voltaram a ficar parecidos com latas de sardinha.


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