12 novembro 2005

DEPUTADO ESTADUAL DO PMDB ACUSADO DE SER MANDANTE DO CRIME.

Em depoimento, Ernandi Martins afirmou que o parlamentar Claudiano Martins, seu cunhado, mandou executar o líder do MLST em Itaíba


JOÃO VALADARES Enviado especial

O líder do PT em Itaíba, no Agreste, Ernandi Martins de Albuquerque, acusou, em depoimento formal prestado na delegacia da cidade, o deputado estadual Claudiano Martins (PMDB) de ser um dos mandantes do assassinato do coordenador regional do Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST), Anilton Martins da Silva, o Nem. Segundo depoimento de Ernandi, tio da vítima e cunhado do parlamentar, os prefeitos de Águas Belas, Nomeriano Martins, e de Manari, Otaviano Martins, irmãos do deputado, também estariam envolvidos na morte. Uma gravação numa fita cassete, que está com um dos coordenadores do MLST, pode ser uma das provas para a polícia chegar aos assassinos.
Nem teria dito ao tio, poucos dias antes de ser executado com mais de dez tiros, que essas pessoas o estariam ameaçando. Após a morte dele, a família pediu que um dos filhos da vítima abrisse um cofre para resgatar a gravação. O JC teve acesso, ontem, a cópias de três depoimentos prestados ao delegado Flávio Torreão de Almeida, que preside as investigações. Em todos eles, as testemunhas acusam dois homens conhecidos por Dida e Zé Coleta de executar o sem-terra. A ação, segundo informações repassadas à polícia, teria sido planejada por João Baixinho, a mando dos políticos.Nem, que vivia no assentamento no Barra Verde, foi assassinado por volta das 18h, no momento em que abastecia seu veículo, um Fiat Strada, num posto de gasolina em frente à Câmara Municipal de Vereadores, e a 150 metros da Delegacia de Polícia de Itaíba. O crime ocorreu no dia 27 de outubro. Nenhum pertence do integrante do MLST foi levado.