
AO VLADO COM CARINHO
SUA MORTE NÃO FOI EM VÃO,E NEM DEIXAREMOS CAIR NO ESQUECIMETO.
Hoje tive o privilégio de assistir trechos do filme Vlado 30 anos, de João Batista de Andrade. Confesso que me emocionei ao ouvir as declarações daqueles que estiveram no horror dos porões da ditadura militar.O que houve lá dentro, tem pessoas que nem imaginam o que foi, que nem imaginam que possa ter ocorrido tamanha barbárie, com total consentimento, aprovação, conivência dos governantes militares e muitos civis daquela época, a barbárie era oficial. Estive nas dependências da OBAN -SP, lá no quartel do II Exército, fiquei na sala de espera com a minha amiga, aguardando o meu pai Capitão da PM que tinha ido obter noticias do marido dela que se encontrava preso. De onde eu estava eu ouvia os choros e os gritos de dor, e ao passar por nós uma equipe de agentes eles em alto e bom tom, olhando para nós disse o que o outro tinha feito com "mina", se referindo a alguma presa que tinha sido torturada e uma forma de nos intimidar, nos constranger, nos humilhar. Na saída de meu pai, dois agentes o acompanharam, e nos cumprimentaram, me lembro deles e dos codinomes, Bismark e Ubiratan. Ubiratan é delegado Aparecido Calandra, especialista em interrogatórios, que hoje está no governo Alckmin.É muito importante divulgar esses fatos para os jovens de hoje, é importante recordarmos desse período negro do nosso país, é importante estarmos atentos para que isso nunca mais aconteça. Muitos dos que deram sustentação, muitos que atuaram no regime militar estão agora posando de democratas, falam em estado de direito, em liberdade. Mas são filhotes da ditadura, ACM, MALUF, RICARDO IZAR, BOLSONARO, BORNHAUSEN, ALELUIA e outros da casta. Hoje eles são beneficiados pela anistia que foi ampla, e irrestrita, mas o que eles defendem, gostam, sonham, é o pensamento deles é a volta desse horror que foi a ditadura militar, aonde poucos ficaram muito ricos, tinham muito poder, e aonde muitos ficaram muito pobres e humilhados.Essa mentira da revista Veja, me leva a recordar o passado ,era assim naquela época para justificar as prisãoes, as mortes, eles mentiam, e faziam acusações sem provas, sem testemunahas, para dar uma satisfação a sociedade. O caso da bomba do Riocentro em 1º de maio 1981, é o exemplo mais concreto e real, deu errado e a bomba explodiu antes no carro no colo do sargento e do capitão do exército, no local haviam 20 mil pessoas a maioria jovens, assistindo um show não foram atingidos. A operação seria finalizada com ampla divulgação em toda a imprensa, atribuindo o atentado aos guerrilheiros de esquerda. Na realidade o atentado marcou o início e o declínio do terrorismo de direita contra a abertura.
No próximo dia 25 de outubro teremos o 30º aniversário do assassinato sob tortura de Vladimir Herzog. O líder dos estudantes técnico-industriais, José Montenegro de Lima, o coronel PM José Maximiano de Andrade Neto, o tenente PM José Ferreira de Almeida e o operário Manoel Fiel Filho também foram mortos no mesmo período. Antes, e também sob tortura, os ex-deputados David Capistrano da Costa e João Massena de Melo, o operário Itair José Veloso, o professor universitário e ex-prefeito de Natal Luiz Ignácio Maranhão, os jornalistas Jaime Miranda e Orlando Bonfim, o ator Iram Pereira, Elson Costa e muitos outros.
O Sindicato dos Jornalistas de São Paulo (juntamente com dezenas de outras instituições) pretende fazer de outubro um mês de atividades em defesa da democracia, pelo respeito aos direitos humanos e pela paz. Serão várias ações em homenagem ao Vlado e a outras vítimas da ditadura, bem como aos homens, mulheres e instituições que lutaram pela anistia, contra as prisões por motivos políticos, contra a tortura.
Entre as atividades já programadas: leitura de texto nos espetáculos teatrais de São Paulo; ciclo de cinema; palestras e debates nas faculdades de jornalismo; exposição sobre arte e direitos humanos, com trabalhos de artistas (desenho, pintura, escultura, charge, fotografia, etc.) especialmente criados para o evento; especial da TV Cultura; sessões solenes de homenagem na Câmara dos Vereadores e na Assembléia Legislativa; concerto com a orquestra sinfônica do estado; lançamento de livros; lançamento do filme Vlado 30 anos do cineasta João Batista de Andrade; culto inter-religioso na Sé; cerimônia de entrega do 27º Prêmio Vladimir Herzog no Parlatino; lançamento de carta aberta em defesa dos direitos humanos no dia internacional da anistia (4 de outubro). No Rio de Janeiro o governo do Estado editou cartilha sobre Vlado e os direitos humanos para discussão em escolas públicas do segundo grau, no mês de outubro.
Em resumo: não há um "calendário único". Existem algumas iniciativas organizadas pelo Sindicato dos Jornalistas em parceria com outras instituições. O objetivo é aproveitar a data para defender a paz, a democracia e o respeito aos direitos humanos, inclusive por ocasião do plebiscito sobre o desarmamento. Melhor se as iniciativas se multiplicarem por todos os cantos do nosso país, no qual mais de 60% da população têm menos de 30 anos e muitas vezes desconhecem a brutalidade dos crimes cometidos pela ditadura. Daí o esforço em estimular que outras pessoas e instituições (sindicatos, associações, câmaras municipais, etc.), em todo o Brasil, adotem iniciativas semelhantes.