11 outubro 2005










Uma das grandes verdades dessa tal "crise", é a quase completa desmoralização da imprensa tucana brasileira. Quase, pois para alguns grupinhos, essa imprensa representa bem a sua pequena e burra visão de mundo. Ninguém que tenha um mínimo de senso crítico hoje, consegue comprar um jornal como essa Folha.

Acabo de receber uma ligação da Abril, a vendedora pergunta se já recebo alguma revista da editora. É claro que não! Ela quer saber o motivo... É simples, por razões políticas, vocês querem derrubar o governo e eu sou a favor do governo... Fim de papo!







IMPRENSA
"Depois da crise, abulia": um jornalista a falar mal do brasileiro

Por Bernardo Joffily

O jornalista Fernando Rodrigues fez um desabafo amargurado em sua coluna "Depois da crise, abulia", na página 2 do jornal Folha de S. Paulo. "A abulia do brasileiro não tem fim", sentenciou.
Antes que o internauta se sinta constrangido a recorrer ao dicionário, adianto que abulia é um termo médico, derivado do grego antigo, e significa "sem vontade". Segundo o dicionário de medicina Salus, constitui um dos sintomas da depressão, caracterizado pela incapacidade de tomar decisões autônomas, de tomar qualquer iniciativa, mesmo as mais banais.

O foco da cólera de Fernando Rodrigues

A indignação do colunista deriva de que, "a inexistência de reação popular somada à estabilidade e ao crescimento da economia são sinais de que Lula e a maioria de sua tropa não serão punidos" na crise política que, segundo seu título, está se encerrando. "É o Brasil no seu melhor. Cordialidade dissimulada é a nossa marca. E o nosso maior atraso", descarrega, todo fel.
A cólera de Rodrigues contra seus abúlicos compatriotas tem também um foco mais preciso. Ele denuncia que, "até agora, apesar da fartura de indícios do esquema de corrupção envolvendo amplos setores do Congresso e do Poder Executivo, nunca houve manifestação pública de repúdio nas ruas". E ainda agrega: "Ao contrário, teve até ato chapa-branca de estudantes a favor do governo".
Poderia ir adiante, e citar a pesquisa do instituto Ipsos, não divulgada, mas mencionada de passagem por colegas dele, "indicando recuperação do presidente nas intenções de voto para 2006". Haja abulia!
Por que o brasileiro não embarcou
Antes de receitar aos brasileiros um tratamento psiquiátrico pesado à base de drogas, ou quem sabe 180 milhões de camisas-de-força, seria desejável que Fernando Rodrigues usasse três neurônios para refletir sobre o fenômeno que descreve com tanto azedume.
Enquanto a Folha ainda estava fresquinha nas bancas de São Paulo, o presidente era recepcionado pelos metalúrgicos em Niterói com gritos de "eu te amo" e promessas de apoio à reeleição. Não é lá um comportamento muito abúlico. Assim como não o é o dos estudantes, e não só dos estudantes, que sairam às ruas "com Lula contra a corrupção".
Não, caro Fernando, o brasileiro tem vontade. Apenas, não coincide com a sua. O brasileiro espera, torce, trabalha e luta para que o Brasil avance, inclusive no combate à corrupção. Mas não confia na coalisão de direita-neodireita representada pelo PFL-PSDB. Prefere Lula. Mantém teimosamente sua esperança, apesar de tomar nota da distância entre muitos aspectos do "governo Lula real" e aquilo que lhe foi prometido. Por isso não embarcou na — para permanecermos no domínio dos termos psiquiátricos — histeria que lhe foi proposta.