12 agosto 2005

QUE MORAL ELES TEM PARA FALAR DO PRESIDENTE LULA?


FHC e o tucanato

O pseudo aposentado Presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, com uma aposentadoria de rei que não pode nem de longe ser comparada com a dos milhões de trabalhadores aposentados do INSS, ou melhor, de “vagabundos”, conforme definição do próprio FHC, saiu da sombra e água fresca para o centro da luta política, travada a partir da instalação da CPI dos Correios. Esta maior visibilidade pública do ex-presidente FHC não quer dizer que em período anterior ele não tenha articulado e manobrado, para dificultar as ações do governo do Presidente Lula , como na sucessão da Câmara dos Deputados e na eleição de Severino Cavalcanti, ou mesmo em reunião com o atual Presidente dos EUA, George Bush, para traçar uma nova estratégia política e econômica para a América Latina.
Todavia, a entrada mais incisiva de FHC em cena, coincide em parte com a extensão da apuração realizada até o momento pela comissão parlamentar de inquérito, que nos últimos dias chegou ao presidente nacional do PSDB, senador e ex-governador de Minas Gerais, Eduardo Azeredo, além de dezenas de políticos da alta plumagem do tucanato. FHC no seu tradicional nhém, nhém, nhém, quando pediu para esquecerem sobre tudo que tivera escrito, disse em voz solene à imprensa nacional que o seu governo não estava em julgamento e apuração, pois já fazia parte da história, sendo que a CPI estava desviando o foco da investigação. A cara-de-pau do ex-presidente já é conhecida dos brasileiros, mas a confissão pública de que é conivente com a corrupção (dele, de amigos e correligionários) foi, ao que tudo indica, a primeira vez.
Não se trata neste artigo de tentar comparar corruptos, tornando-os todos iguais para justificar a bandalheira divulgada dia após dia pela imprensa nacional envolvendo partidos, políticos, empresas públicas e privadas, fundos de pensão, bancos e etc., num processo asqueroso e lamentável, colocando a nú a íntima relação entre corruptos e corruptores. A CPI precisa ir a fundo nesta apuração e indicar a cassação e a punição de todos os envolvidos. Porém, o que vem acontecendo nos últimos dias, depois de uma execração pública do Partidos dos Trabalhadores e de importantes líderes deste partido, é que o processo de investigação começa a chegar no PSDB e até mesmo no ex-presidente FHC, conforme o cheque de 50 mil doados por Marcos Valério na reeleição de FHC.
O mais perigoso, neste momento, para o tucanato é que a CPI começa também a chegar em pessoas e empresas que até poucos dias sequer estavam na longa fila de suspeitos e de possíveis testemunhas para depor na CPI. Um bom exemplo é do ex-tesoureiro do PSDB Ricardo Sérgio. Este personagem é o mesmo que aparece no processo de privatização do sistema Telebras, em conversa com o ex-ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros, para favorecer o grupo Opportunity, de Daniel Dantas, duplamente envolvido no esquema valerioduto e privatização da Telemig.
Este fato possibilitou abrir na minha memória e com certeza na memória de milhões de brasileiros, as denúncias de corrupções abafadas ao longo dos oito anos do governo FHC, inclusive algumas com prova material (grampo da Policia Federal no processo de privatização da sistema Telebras) e que nunca foram apuradas, porque o Presidente FHC jamais permitiu que fossem.
Para não me estender muito nas denúncias, que vieram à tona ao longo dos oito anos de governo FHC, irei mencionar somente algumas que é para não cansar e causar fadiga nos meus leitores. Ah! Farei o esforço mental para mencionar somente os indícios de corrupção que envolvem cifras acima de bilhões.
1 – Privatização de todo o sistema de telecomunicações do País;
2 – Privatização da Companhia Vale do Rio Doce. A empresa foi privatizada pela cifra de 3.5 bilhões de reais e somente nesse primeiro semestre de 2005 a empresa deu um lucro de 5 bilhões de reais;
3 – Proer: ajuda financeira aos bancos privados, com destaque para o Banco Econômico da Bahia;
4 – O sistema Sivan de controle aéreo da região amazônica;
5 – O Banestado e as contas CC5 que possibilitaram a remessa ilegal de bilhões de reais para o exterior;
6 – A compra de votos para a reeleição em 1998;
7 – A isenção e perdão de dívidas tributárias de grandes empresas, realizadas com a edição de medidas provisórias - MP;
8 – A famosa pasta rosa que continha o esquema de desvios financeiros para paraísos fiscais;
Estas são apenas algumas da denúncias que vieram à minha mente e que envolveu bilhões de reais. Na atual situação por que passa o país, e o grau de podridão que se abateu sobre as instituições republicanas, o mais correto será investigar todas as mazelas praticadas pelo esquema valerioduto, mas também passar a limpo o nebuloso período FHC.
Nesta situação, deveríamos propor como medida uma apuração aos moldes da Itália, na chamada operação mãos limpas. Esta será a única maneira de revelar todos os desvios praticados ao longo das duas últimas décadas, e como funciona e funcionou todo o esquema de corrupção, para que possamos recomeçar a reconstruir a nação brasileira sob uma nova lógica democrática. Esta reconstrução deverá partir de uma profunda e ampla reformulação da estrutura jurídica, legislativa e administrativa, que envolve os pilares da democracia, recolocando as instituições à serviço do povo e do país e não à serviço de meia dúzia de malandros e oportunistas.
Estes próximos dias serão decisivos. A marcha nacional convocada pela Coordenação dos Movimentos Sociais - CMS, em Brasília, para o próximo dia 16, poderá ser o início desta luta, que terá como centro a mudança na política econômica, contra a corrupção e desestabilização do governo Lula.
Ah! Estava me esquecendo de que vários presidentes de partidos, que supostamente estariam envolvidos no esquema valerioduto, caíram de seus postos. O atual presidente do PSDB, réu confesso do mesmo esquema, continua firme no seu cargo de presidente da legenda, será que está sendo assessorado pelo aposentado FHC? Esqueça, Azeredo, que você roubou, isto já faz parte da história.