07 agosto 2005

O PODER DA IMPRENSA ----
A história nos ensina que o poder da imprensa é tamanho, que é capaz de fazer um presidente da República e, então, derrubá-lo. Os orçamentos do poder público, por seu turno, revelam que o erário é, sem sombra de dúvidas, o mais generoso dos anunciantes, o que mais gasta com publicidade e propaganda. A equação poder da imprensa/verbas publicitárias oficiais produz um componente perigoso, principalmente em época de campanha eleitoral
Este é o momento mais excitante da história do jornalismo Brasileiro. Qualquer um, de qualquer lugar, pode cobrir qualquer coisa. E mandar para todo o mundo. Existe esta capacidade e por interesses escusos, só publicam o que tem poder de enfraquecer o governo LULA. Ao LULA, se comparado a mulher de CEZAR, não basta ser honesto, tem que MOSTRAR FATURAS, RECIBOS E ATESTADOS.
O problema, já explorado ao extremo, é que revistas, como VEJA, jogam qualquer coisa nas bancas, sem checar nem se importar se é fato ou não. A discussão disso, em que pesem os seus efeitos serem sentidos cotidianamente, não é novidade para o leitor da web, apesar de que muitos, mesmo sabendo do surrealismo, jogam lenha na fogueira, com o objetivo de desestabilizar o Governo.
Como se diz, hoje, determinados “jornalistas” pisam no pescoço da mãe para conseguir uma notícia.Confundem fofocas do congresso com fofocas do palácio, de forma até intencional. Ai é que mora o perigo. Estão cavando a própria sepultura. Num regime de exceção, advindo por uma atitude como essa da imprensa, a classe jornalística é uma das mais perseguidas, conforme vimos no passado.
Por mais absurdo ou cruel que possa parecer, se aparecesse um aventureiro truculento, civil ou militar, empalmasse o poder e anunciasse o fechamento do Congresso, a extinção dos partidos políticos, a prisão em massa de quantos tiveram seus nomes envolvidos na roubalheira que nos assola - qual seria a reação da sociedade? Intelectuais protestariam nas mesas de chope dos botequins, radicais de esquerda passariam a pensar outra vez na clandestinidade. Mas as elites e os partidos de oposição cega, vide PSDB et caterva, aplaudiriam, desde que fosse mantida a atual política econômica. Os jornais se acomodariam, uns clamando pela volta à censura para pretensamente livrá-los de responsabilidade, outros aderindo de forma desbragada ao novo regime.
A classe média, caso minoradas um pouquinho suas agruras, ficaria onde sempre esteve, isto é, vivendo sua vida. As massas, desacreditando de tudo, sobreviveriam assistindo a certos privilegiados perderem seus privilégios. As igrejas continuariam a prometer a salvação no céu e os sacrifícios aqui em baixo. E os clubes de futebol, quem sabe, salvariam a atmosfera negativa, também se os novos detentores do poder proibissem a evasão de craques para o exterior.
Um horror, essa possibilidade, que não vai adiantar nada. Hipótese felizmente afastada pela inexistência de uma estrutura de poder capaz de substituir o PT posto em frangalhos. Começaria tudo de novo, talvez não dentro de 21 anos, mas de 42 anos. A alegria da DIREITA DE PLANTÃO. A ELITE voltando ao paraíso.
Quem está e sempre esteve doente é a sociedade, acomodada diante das tenazes de um modelo econômico que só faz enriquecer os ricos e empobrecer pobres e remediados.